A necessidade de um Novo Constitucionalismo Democrático para impedir o avanço do autoritarismo

A história das organizações sociais na antiguidade é marcada por estruturas autoritárias. As decisões e as escolhas dos dirigentes eram estabelecidas por castas absolutamente restritas, não se podendo falar em participação social. Os Estados antigos tiveram como elemento essencial de formação de sua vontade a força. Nem mesmo na Grécia podemos falar verdadeiramente em atuação … Leia Mais


Governo Herzem- Bagunça generalizada!

O governo de H.Pereira está chegando a um epílogo melancólico. As eleições de 2020, sejam realizadas em outubro ou até dezembro, poderão iniciar um novo ciclo administrativo e político em Conquista. A triste e desastrosa gestão Pereira chegará ao fim e deixará um enorme desafio ao seu sucessor: consertar os quatro anos de desmanche, retrocesso … Leia Mais


Xingamento não é crítica e ameaça não é liberdade de manifestação, diz Fabricio Medeiro

Constituição garante direitos Mas também impõe limites Constituição assegura livre manifestação do pensamento, mas veda anonimatoFotos Públicas FABRICIO MEDEIROS Todo aquele que titulariza algum cargo público encontra-se sob constante julgamento dos cidadãos. No nosso regime constitucional-democrático, o direito à crítica, decorrência lógica da liberdade de manifestação, é uma importante garantia do indivíduo, especialmente quando dirigida … Leia Mais


Direitos humanos- Uma luta dos trabalhadores e de todos…

A defesa, respeito e ampliação dos direitos humanos de todos os seres em nosso planeta têm cada vez mais ocupados as mentes, consciências e corações de todos aqueles que entendem que é possível construir um mundo melhor e que todos merecem uma vida mais digna. Esta aspiração esbarra na sociedade de classes, capitalista, cuja ideologia … Leia Mais


O Brasil e suas práticas deploráveis

        (Prof. Dirlêi A Bonfim)* Para que servem os governos…? O Estado é um ente federativo permanente, sabemos que os governos são transitórios, em tese, o principal objetivo do Estado ou o fundamental é a garantia do bem estar dos seus cidadãos. Seja por meio de serviços públicos gratuitos de excelente qualidade e pelo investimento direcionado … Leia Mais


Conselho Municipal de Educação de Vitória da Conquista- 28 anos


Professor Luiz Ibiapaba *

O imortal crítico literário belga Georges Poulet, ao analisar a festejada obra, Em Busca do Tempo Perdido, do escritor francês Marcel Proust, deixou escrito o seguinte pensamento:
“Graças à memória, o tempo não está perdido, e, se não está perdido, também o espaço não está. Ao lado do tempo reencontrado, está o espaço reencontrado. Ou, para ser mais preciso, está um espaço enfim encontrado, um espaço que se encontra e se descobre em razão do movimento desencadeado pela lembrança.”
Vagando em meus pensamentos, voando ao léu, solto aos ventos, minhas lembranças pousam naquela terça-feira fria, 12 de maio de 1992. Lembro-me, como se fosse hoje, Vitória da Conquista abria seus braços para acolher ilustres visitantes. Eram representantes dos conselhos municipais de educação de Maceió, Recife, João Pessoa, Campina Grande, Natal e Salvador, na pessoa de sua presidente, Conselheira Maria Lúcia Vieira de Oliveira, além da totalidade dos membros titulares do nosso secular Conselho Estadual de Educação da Bahia, com seu então Presidente, Conselheiro Rômulo Galvão. Todos auspiciosamente aqui vieram para participar do I Fórum Municipal de Educação de Vitória da Conquista e do nascimento do nosso Conselho Municipal de Educação.
O então Prefeito Municipal de Vitória da Conquista, o Doutor Carlos Murilo Pimentel Mármore, e a Secretária Municipal de Educação, à época, Professora Maria da Conceição Meira Barros, cujos nomes ficaram indelevelmente engastados na história da educação conquistense, receberam, na ocasião, os visitantes, numa efusão de hospitalidade e cordialidade.
O I Fórum Municipal de Educação de Vitória da Conquista, realizado na Sala do Júri do Fórum João Mangabeira, congregou o Vice-Prefeito, Doutor Clóvis Flores; Secretários do Governo Municipal; a Imprensa local; especialistas em educação; professores das redes municipal, estadual e particular; toda a diretoria do SIMMP – Sindicato do Magistério Municipal Público, tendo como Presidente a brilhante Professora Luzinete Borges Barreto; toda a diretoria da APLB – Sindicato, tendo à frente as Professoras Vivalda Andrade Braga e Carlinda Pires; representantes dos segmentos comunitários e sociais; políticos; o Poder Legislativo Municipal, tendo à frente o Vereador Ivonilton Borges Gonçalves; além dos ilustres visitantes de outras plagas do nordeste brasileiro.
Naquele I Fórum Municipal de Educação, discutiu-se, exaustivamente, o tema: “Organização da educação brasileira e fortalecimento do Município como ente jurídico autônomo da federação”. Foi um momento riquíssimo para a educação conquistense, sob a influência das discussões do Projeto de Lei da nova LDB que, naquele momento, tramitava no Congresso Nacional. O ponto alto do evento foi o nascimento, pela Lei Municipal nº 648/92, do Conselho Municipal de Educação de Vitória da Conquista, no dizer do Ínclito Professor Edivaldo Machado Boaventura, “primeiro Conselho Municipal de Educação do interior da Bahia.”
Quatro meses depois, precisamente no dia 10 de setembro de 1992, o então Presidente do Conselho Estadual de Educação da Bahia, o saudoso Conselheiro Rômulo Galvão, em Sessão Magna do nosso infante Conselho Municipal de Educação, realizada, naquele dia e por ele presidida, passava às mãos da Conselheira Maria da Conceição Meira Barros, primeira presidente do colegiado em comento, a Resolução CEE nº 035, datada de 25 de agosto de 1992, a qual teve como relator insigne Conselheiro Edivaldo Machado Boaventura, e o Parecer nº 078/92 da Comissão de Direito Educacional, tendo como relatora a ilustre Conselheira Verbena Maria Cordeiro. Com estes atos, o Conselho Estadual de Educação delegava ao novato Conselho Municipal de Educação de Vitória da Conquista as atribuições e competências, dentre outras, para autorizar e reconhecer as escolas da Rede Municipal de Ensino de Vitória da Conquista e as instituições de educação infantil da iniciativa privada. (mais…)


Cala a boca não!


Por Renata Abreu

Os brasileiros mais velhos estão vivendo um flashback? E nós, filhos nascidos a partir da transição para redemocratização, estamos num déja-vu, como se estivéssemos dentro de um filme que já vimos, com passado, presente e futuro transformados numa coisa só?

Qual deveria ser a nossa prioridade máxima agora? Enfrentar o coronavírus. Com mobilização total, união de forças na luta pelo que há de mais sagrado na existência humana, que é salvar vidas! Recordes diários de mortes têm sido batidos, são mais de 100 mil pessoas contaminadas. E isso é só subnotificação, porque a Covid-19 é mais rápida que nossa capacidade de contabilizar todos os números em tempo real. Quanto mais se sai às ruas, mais mortes ocorrem.

E em meio ao caos epidemiológico, pra complicar a coisa, estamos acompanhando de longe, em casa (para aqueles que estão respeitando a quarentena e preservando a nossa vida e a dos outros), manifestações, aglomerações, confrontos em espaços públicos, afrontamento às instituições, ameaças a autoridades e seus familiares ou a quem quer que seja ‘opositor’. Ataques e agressões a jornalistas, artistas, professores, profissionais da Saúde remetem aos anos de chumbo, quando um regime autoritário foi instalado.

Por 21 anos, o Brasil viveu com restrição à liberdade, com repressão e censura, com eleições indiretas, num processo antidemocrático, com 16 atos institucionais, que se sobrepunham à Constituição, e onde quem estava no governo tinha o controle da Câmara dos Deputados e do Senado.

Mas quando voltamos ao passado? Quando não se permite que pontos de vista sejam colocados à prova porque não há argumentos para defendê-los. Quando se perde a capacidade de escutar o que os outros têm a dizer e, quem sabe, até mudar de opinião e se transformar. Quando se descarta serenidade, sabedoria e bom senso para gritar ‘cala a boca’.

Me assusta a enorme dificuldade de manter diálogos. Como tratamos os outros mostra como realmente somos. Ser cordial apenas com aqueles que comungam conosco e intolerante ao menor sinal de contrariedade é um caminho perigoso para o Brasil, que já passou por isso quando era uma Nação com surdez crônica.

Pelo bem da democracia, temos de defender o direito de todos se manifestarem, com respeito, sejam quais forem seus pontos de vista. Voltar a ouvir o outro, ser tolerante com ideias e opiniões que divirjam das nossas, antes que seja tarde ou fracassaremos como Nação!

Renata Abreu é presidente nacional do Podemos e deputada federal por São Paulo


Cidadania e Responsabilidade Social em Tempos de Coronavírus


Lucas Nunes é advogado

Em um momento de calamidade pública as crises se instauram, os ânimos se afloram, e as personalidades se revelam.
Nesse momento as formas de (re) agir diante da hecatombe são de suma importância para o entendimento acerca da responsabilidade social de cada cidadão.
O individualismo crescente e, em muitos casos, o egoísmo doentio, faz com que muitos se esqueçam que a vida em sociedade não permite direitos absolutos. As liberdades individuais possuem limiares para que o direito do outro não seja violado, para que o outro não seja agredido por um exercício absoluto de direito por parte de um indivíduo irresponsável. A liberdade cidadã é obrigatoriamente participativa, posto que não acorde com individualismo ou a passividade.
O direito de propriedade é uma garantia Constitucional, disso não pairam dúvidas. Mas obviamente, não é um direito irrestrito. Teratológico, de fato é, que alguns mentecaptos desconheçam que a propriedade necessita cumprir a sua função social, o que obviamente, compreende direito de passagem, servidão, passagem de águas e uma série de deveres sociais.
Todavia, neste momento de crise, o individualismo se revela tão agressivo, que muitas pessoas ignoram os deveres decorrentes da cidadania, a responsabilidade social do ser humano.
Saliente-se, peremptoriamente, que os deveres da cidadania, independem e não tem qualquer relação, com a visão ideológica concebida por cada um. É inequívoco que a vida em sociedade impõe restrições ao cidadão, e esses limites são impostos a todos que vivam em sociedade, sejam eles comunistas, socialistas, liberais, monarquistas, ou de qualquer outra ideologia.
Em alguns condomínios, as pessoas têm ido com os filhos para parques, quadras, estufam o peito e arrotam que são moradores, estão com seus filhos e tem o direito de utilizar daquilo que são donos.
O direito de ir e vir, assim como direito de propriedade, tem garantia inclusive Constitucional, mas, obviamente, esse direito também não é incondicional. Eu não posso pegar meu carro e dirigir na contra-mão. As pessoas não têm o direito de andar completamente despido onde quiserem.
Num momento de calamidade pública provocada por uma pandemia decorrente de um vírus de transmissão entre humanos, o ser humano, o corpo humano, não é um direito absoluto do cidadão. Não há espaço para “meu corpo, minhas regras”. O corpo humano é vetor de transmissão de um vírus letal, que vem dizimando parcela da humanidade. A forma como cada ser humano se comporta, a (re) ação de cada ser humano pode provocar uma mortalidade em nível exponencial. (mais…)


Bolsonaro e Herzem Pereira, o que há em comum entre eles? II


*Edwaldo Alves – PT Conquista

Desde a publicação da primeira parte da minha tentativa de fazer algumas comparações entre o que há de comum entre Bolsonaro e H.Pereira, muita coisa aconteceu: exoneração do ex-diretor da Policia Federal, demissão de Sergio Moro, novas declarações vergonhosas do presidente e o ex-ministro denunciou as ilegalidades e crimes cometidos pelo mandatário. Logicamente, escondeu que foi um dos principais cúmplice. Além disso, desgraçadamente, os índices de contaminações e mortes provocadas pelo convid-19, subiram assustadoramente, apesar do irresponsável pelo Planalto continuar afirmando que se trata de uma simples “gripezinha”.
Foi tanta “desgraceira” que não consegui me concentrar em outras questões, mesmo sabendo que outras piores virão.
Os fatos históricos, políticos e principalmente os eleitorais ocorrem nas condições necessárias e determinadas e no momento apropriado. No entanto, não raras vezes, a velocidade de novos acontecimentos influi decisivamente e alteram a lógica esperada no universo político.
A eleição de Bolsonaro, além de aproveitar-se de alguns segmentos sociais direitistas, racistas, de alto grau de preconceitos e falsos moralismos existentes na sociedade, contou, em primeiro lugar, com uma virada, até certo ponto inesperada, das classes dominantes e da elite brasileira. Na fase final da campanha esses grupos perceberam que só Bolsonaro poderia derrotar as forças de esquerda, apesar de todos os golpes sujos e ilegais que fizeram desde 2016.
A eleição de Herzem antecipou esta situação em 2016. Na ocasião, o golpe que afastara Dilma da presidência, seguido de uma intensa campanha publicitária e de calúnias instruídas por tecnologia estrangeira, jogaram o PT na vala comum da corrupção que sempre assolou o pais. Na crise econômica de 2014/2015 passaram a não toleravam mais um governo que tinha como proposta que os pobres continuassem a comer três vezes ao dia, ao invés de garantir os lucros e privilégios do grande capital e do chamado agronegócio.
Herzem soube surfar nesta onda direitista e neofascista. Tornou-se o inimigo e algoz do PT e da democracia, defendendo o golpe contra a presidenta legitimamente eleita e sempre clamando que agora o seu amigo Temer estava em Brasilia. Para ele, os vinte anos de governo participativo e democrático, repentinamente, viraram exemplo de fracasso e incompetência, e suas inúmeras declarações de que o governo municipal pregava e fazia pedagogia política foram simplesmente esquecidas.
A conjuntura que possibilitou a vitória de Herzem é a mesma que ajudou no triunfo de Bolsonaro, fruto de um avanço das piores e mais reacionárias forças que saíram das catacumbas em que estavam na vida brasileira.
Os discursos eleitorais e de governo são praticamente idênticos: Herzem fala em “mudança” para melhor e romper com os vinte anos de PT, Bolsonaro propaga romper com a velha política. Os fatos demostraram que foram apenas palavras vazias para adequar-se à situação do momento. O prefeito tenta esconder sua própria incompetência com simples acusações desprovida de elementos contra os governos participativos. O presidente fala em uma suposta cruzada contra a “velha política” sem definir do que se trata. Como é um ignorante provavelmente acha que o “centrão” não tem nada a haver com a velha política.
É importante a gente analisar como os dois tratam os parceiros que os ajudaram a atingir os seus objetivos. O sr. Paulo William, que conheci apenas na transmissão de governo, demonstrava ser um dos dois principais assessores do prefeito. Em poucos meses saiu do governo sem que se saiba, até agora, os motivos. A quantidade de mudanças ocorrida nos principais cargos municipais impede qualquer possibilidade de estabilidade governamental. As demissões e nomeações são praticamente diárias. Apenas na importante Secretaria de Saúde assistimos a ascensão do sexto secretário(a.)
Apenas menciono a demissão sem honradez de Moro e Bebiano no desgoverno Bolsonaro. Assim, como em Conquista em Brasília também sempre acontecem escandalosas demissões, por motivos que só o presidente conhece. Caso fosse por incompetência não deveria ficar nenhum. (mais…)


Por que não tributar fortunas para salvar vidas…?


        (Prof. Dirlêi A Bonfim)*

A finalidade essencial do Estado é a garantia do bem estar dos seus cidadãos. Seja por meio de serviços públicos gratuitos de excelente qualidade e pelo investimento direcionado à área social e à infraestrutura das cidades, estados enfim do país. Para que seja possível realizar essas ações, o Estado necessita de recursos financeiros que são adquiridos através da arrecadação de impostos/tributos. Em geral a gestão dos recursos deverão cumprir um leque de prioridades e serem aplicados na saúde, educação, cultura, ciência e tecnologia, segurança, saneamento básico, habitação popular, calçamento, urbanização entre outras tantas necessidades e carências das populações. Aliás, como está bem definido na Constituição Federal. O meio de sobrevivência do Estado se dá por meio da arrecadação tributária, realizada através das pessoas físicas e jurídicas. Assim podemos afirmar que os governos não tem recursos e que o caixa dos governos são oriundos da sociedade como um todo. Vale ressaltar que temos a obrigação de fiscalizar e acompanhar a aplicação dos recursos arrecadados pelas instituições governamentais, o que nem sempre acontece. Com a evolução das concepções de Estado e a criação de novas cartas constitucionais, os tributos passaram a ser definidos tendo em vista o bem-estar social. Cada vez mais, foram sendo criadas leis para definir a aplicação social dos recursos arrecadados com os tributos. Pois bem, a história relata que foi na idade média que se deu início à cobrança de impostos. Os camponeses e agricultores entregavam parte da colheita aos reis e príncipes, e em troca os governantes lhes davam segurança e estradas para o transporte da produção. Mais tarde, com o advento da democracia e a distribuição de serviços públicos nas cidades de Atenas e Roma, os impostos se tornaram organizados e formais, o que podemos dizer que foi o início da administração tributária. Historicamente no Brasil ela iniciou-se com o extrativismo do pau-brasil, sendo o primeiro produto a ser tributado, quando o produtor deveria deixar para o Rei de Portugal 20% do valor do produto vendido. É de conhecimento amplo, que a Economia é uma Ciência Social, não diferentemente da Sociologia, da Ciência Política ou da Antropologia, a Economia é também uma ciência social, uma vez que seu objeto de estudo também é fruto da vida social. Mais especificamente, seu foco está em compreender como ocorrem as relações entre os indivíduos e as organizações na sociedade do ponto de vista da produção, da troca e do consumo de mercadorias, de serviços e de bens em geral. Assim, a Economia vai tratar do estudo da alocação dos recursos disponíveis pelos homens coparticipantes de uma vida em sociedade. Já o Estado, responsável pela organização e regularização da sociedade – logo também da economia, em certos aspectos – poderia agir ao mesmo tempo como empresário e consumidor. Dessa interação entre tais agentes tem-se o mercado, sendo este o local ou o contexto em que compradores (que compõem o lado da procura) e vendedores (que compõem o lado da oferta) de bens, serviços ou recursos estabelecem contatos e realizam transações. Assim, é preciso considerar que o sistema econômico oferece limites para que tais agentes se realizem, isto é, alcancem seus objetivos. Mas o conceito utilizado pelos economistas refere-se ao “valor estatístico da vida”, que é muito diferente do valor humano da vida. No valor estatístico entram os recursos mobilizados pela família e pela sociedade para manter a vida e adiar a morte. No conjunto, esses recursos indicam o preço da vida. Entretanto, a vida humana vale também pelo que as pessoas são no campo dos valores, atitudes, condutas, atenção, apreço, geração de satisfação, capacidade de amar e serem amadas dentro da família. Por mais que se detalhem as dimensões, não há como quantificá-las e muito menos como calcular o valor agregado da vida humana. Provavelmente você concorda com a afirmação de que uma vida não tem preço. Em essência, todos concordamos, o valor individualmente é incomensurável, mas o governo, as empresas e nós mesmos precisamos refletir sobre esses números na hora de decidir apoiar ou não determinadas políticas públicas ou a programas sociais e admitir que eles existem porque nós não fomos capazes de criar condições reais para a instituição de uma sociedade mais justa, mais igualitária, menos discriminatória, menos hipócrita, mais sensata, menos arrogante, mais humana.  “Os idosos terão que morrer para salvar a economia.” Essa é a chocante orientação de Dan Patrick, governador do Texas. “Voltem todos ao trabalho”, disse ele, emendando: “os idosos cuidarão de si mesmos e não vão sacrificar o país para salvar suas vidas.” Esse governador tomou posição arrojada a respeito do mais sério dilema que os médicos enfrentam quando, na falta de recursos, salvam apenas um de dois doentes.  Por trás de decisão tão delicada, está o preço da vida. Nos campos da justiça, religião e filosofia, a vida não tem preço, pois é um bem superior, a ser preservado em quaisquer condições. Assim podemos analisar que um sistema econômico justo, seria aquele capaz de salvar o maior número de (vidas), pessoas possível. 

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Fome – a maior das pandemias


Carlos González – jornalista

O mundo está mobilizado neste instante numa guerra contra um inimigo invisível a olho nu. As grandes nações têm se mostrado impotentes para contê-lo. O Covid-19, no seu avanço destruidor, já contaminou quase 3 milhões de pessoas e tirou a vida de 180 mil, não respeitando a situação econômica de suas vítimas.

Se hoje os Estados Unidos lideram as estatísticas, as autoridades sanitárias prevêem que, no futuro, se medidas não forem tomadas, o vírus irá dizimar as populações mais pobres, aquelas que, há séculos, convivem com um inimigo muito mais perigoso: a fome.

Conhecida mundialmente como “o maior flagelo da humanidade”, a fome, curiosamente, deixa de ser relacionada por pesquisadores e historiadores entre as maiores pandemias que levaram a desolação ao planeta, a partir do momento em que o homem passou a comercializar o alimento. Essa praga, que “contamina” aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, não necessita de pesquisas e testes em laboratórios para ser eliminada. Já existe uma “vacina”: comida.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 8.500 crianças morrem diariamente por desnutrição no planeta. Os números são imprecisos, mas, de acordo com o último relatório divulgado por cinco agências da Organização das Nações Unidas (ONU), 820 milhões de pessoas no mundo passam fome, responsável pela morte de quatro pessoas por segundo.

Os países do sul da Ásia e da África Oriental são os mais vulneráveis, mas os especialistas projetam um cenário preocupante para a América Latina e Caribe, onde a crise de alimentos afeta 42,5 milhões de pessoas (6,5% da população). O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas prevê que mais 130 milhões de pessoas passarão este ano a fazer parte desse grupo, devido às conseqüências econômicas causadas pelo novo coronavírus. Ao contrário do que se imagina, a fome não é causada pela falta de alimentos, cuja produção é suficiente para nutrir toda a população do planeta.

No Brasil, somada ao enorme desperdício de alimentos, está a concentração de renda (10% dos mais ricos detêm quase toda a renda nacional), de produção (as terras estão nas mãos de poucos) e de informação. O Brasil que come não enxerga o Brasil que tem fome. Essa tragédia silenciosa está escondida nos rincões do país e nas periferias das cidades. (mais…)


Desafios para garantir o isolamento social- COVID_19


* Reginaldo Sousa

O coronavírus (COVID-19) pelo mundo registra a morte de mais de 210.611 pessoas, e 3.035.177 contaminadas em 193 países. O Brasil tem 66.501 casos, 4.543 mortes e, uma taxa de letalidade de 6,8%. Números subestimados, pois não há realização de testes em massa no país.
Como se trata de uma doença pouco conhecida, que se espalha rapidamente, e para a qual não existe imunidade, a opção mais eficaz adotada pela maioria dos países tem sido adotar as medidas de isolamento social, diminuindo os índices de contaminações e, por consequência, a redução no número de mortes, dando tempo aos governos de planejarem as medidas cabíveis e aos cientistas a descoberta da imunidade ou a cura.
São vários os desafios que devem ser superados em relação ao isolamento social: 1. Moradia: muito(a)s brasileiro(a)s moram em casas sem infraestrutura adequada, com espaços mínimos, localizados em comunidades populosas, sem acesso ou de forma precária à água, esgoto ou às condições mínimas de higiene necessárias para controlar a proliferação do vírus. 2. Saúde mental: estudos mostram que mesmo entre as pessoas consideradas saudáveis, o isolamento social crônico traz consequências negativas como risco desenvolver doença coronária, demência, solidão. 3. Proteção aos vulneráveis: segundo, a ONU, as medidas restritivas aumentaram a possibilidade de violência, precisamos combater e garantir especialmente, os direitos humanos de crianças, adolescentes e mulheres, que tem o aumento do fardo com o trabalho doméstico. Conforme dados boletim ANESP (05/04/20), países como China e França constataram o aumento de denuncias de casos de violência. Muitas vezes a presença do violador pode constranger a vitima de fazer a denuncia ou buscar ajuda. 4. Como manter as pessoas em casa? O Brasil não tem a tradição de assumir comportamentos de proteção da saúde pública. As pessoas gripadas não têm o hábito de deixar de frequentar lugares públicos para não espalharem o vírus; os responsáveis não têm a preocupação de não levarem seus filhos com viroses intestinais para a escola, não usam máscaras etc.
Que medidas, tomar diante de tantos desafios?
As pesquisas e o acompanhamento social são tão importantes quanto o papel dos profissionais da saúde, pois são as praticas, as culturas sociais, que mantém ou podem romper com práticas danosas a sociedade.
Precisamos conscientizar toda a população para a importância da realização de atividades físicas, ainda que em espaços pequenos, adaptados na própria casa; o uso das tecnologias para as interações tais como um dia da família se encontrar, jogos coletivos entre as crianças e jovens, cultos familiares, ou orações em grupo; estabelecer rotinas diárias de preparo dos alimentos, limpeza e manutenção da casa, t.v., leituras, fazer compras básicas a sobrevivência etc.
Antes, porém, precisamos pensar de forma cooperativa. Todo(a)s: significa muito mais do que pensar apenas em uma família. Neste momento, Todo(a)s somos um! E Um somos Todos! E, pensando assim, a vida ganhará novo valor, pois cada pessoa que sobreviver ou morrer, levará um pouco de nós.
*Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva, Coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – NECA/UESB.