A história política foi marcada pelo determinismo de seus protagonistas

No mundo, no Brasil e na Bahia. Foram 176 anos de grandes transformações políticas, de idéias, de choques ideológicos, de revoltas, guerras e de duas grandes conflagrações mundiais que modificaram, substancialmente, o mapa geopolítico do planeta. O Brasil acompanha a inquietude política. Experimentou o auge do Império e as adversidades da República Velha, uma marcante … Leia Mais


Carlos Lacerda passa três dias em Conquista

Foi lendo a antiga revista “O Cruzeiro” (págs. 70 a 75), de 28 de setembro de 1968, que me deparei com a matéria “A Viagem Escolhida”, assinada por Carlos Lacerda com fotos de Hélio Passos, na qual é narrada a sua viagem pelo Nordeste. O curioso da reportagem, são as citações que ele faz de … Leia Mais



Nossa história, nossa gente: Tipos populares

Paulo Nunes   Os tipos populares, cada um a seu modo, sensibilizaram esta cidade, ora com sua beleza e camaradagem, ora com a ingenuidade aparente daqueles que sabem viver a vida Quase que não se vêem mais em Conquista, os seus tipos populares, aqueles vultos pictóricos que conviveram com o povo e o alegrou nas … Leia Mais


Simone Andrade Quadros nos deixou


Por José Bonfim (BRAUM)

Simone e eu no carnaval do social anos 70
Simone e eu (Paulo nunes) no carnaval do social anos 70

Uma pancada no meu coração, recebo a informação através de Pedro Massinha,  que  minha  amiga  querida que há muito  tempo não via. A saudade é o sentimento mais nobre que existe,pois esse, nós só sentimos de quem gostamos e eu amava Simone.José Bonfim, meu grande  amigo que há muito  tempo não vejo,  nos brinda com essa matéria,mexe com nossos corações e  faz nosso peito doer. quem  era mais meiga que Simone,linda,simples  amorosa  e sempre dependente de nossa amizade. Difícil  aceitar esse negócio de  morte. Bonfim,grande jornalista,  capaz de largar o curso de Direito no meio do caminho,quase advogado, para se formar em jornalismo,eu fiz exatamente o contrário,embora não tenha estudado jornalismo,mas sim Direito. Quase que abandonei  o Direito pelo jornalismo.Digo quase porque ainda  advogo, contra a vontade é claro. Foi você Braum quem me apresentou  Simone. Lhe  agradeço demais por essa oportunidade.( Paulo Nunes)

Simone Andrade Quadros – facebook – 03-08-14

 Simone Andrade Quadros – facebook – 03-08-14

Simone foi em vida uma pessoa querida, a família e os amigos bem sabem. Os colegas de escola do Colégio Batista, principalmente, guardam ótimas lembranças. Bomfim, por exemplo, foi colega de Simone na antiga escola comandada pelo saudoso Gesiel Norberto, a partir da quinta série, lhe presta uma homenagem através de um lindo texto, que vocês verão mais à frente.
Simone é filha de um dos principais políticos da história de Conquista, Gilberto Quadros e da querida Ileuza Quadros. Ela deixa o marido Heliton Castelo Branco, o filho João Pedro Castelo Branco, os irmãos Gilberto Quadros Jr., João Carlos e Gilza Quadros.
Bomfim, um dos seus grandes amigos e colega, lhe deixou a seguinte homenagem:

“E a morte perderá o seu domínio. Mas, quando, Dylan Thomas?
Domingo, 7 de agosto, fazia 15 anos da morte de meu pai. Às 7h41, Gilza me telefona e informa que Simone Andrade Quadros partira às 4h da manhã. Encerrava ali vários meses de sofrimento de todos os tipos para Simone, seus familiares, seus amigos e conhecidos. (mais…)


Uma Vitória da Conquista construída por todos nós


Paulo Nunes é jornalista
Paulo Nunes é jornalista

Escrito no ano 2000

*Paulo Nunes

Como todo pedaço de terra existente neste planeta, nosso município também nasceu da traição, dos assassinatos e do extermínio dos mais fracos. Desde o início do mundo que os grandes conquistadores são aqueles que se apoderam de terras, povos e mentes enfraquecidas pela fome, pela cultura e pela milícia. Não seria diferente em Conquista, antes habitada por cerca de 3 mil índios, mas o convívio com estes não era possível, no raciocínio português. A ocupação da terra indígena teria que ser através do extermínio dos donos da casa, só assim interessava à Coroa Portuguesa.

Desta forma, com luta desigual, traição e epidemias, os Mongoiós, Imborés e Kamacãs foram exterminados, não restando hoje nenhum descendente, pois, para os portugueses, os índios eram apenas animais, um ou outro que se envolveu com uma índia pode ter havido aí um filho ou filha, mas não há sinais disso nos dias atuais.

Todos os crimes de nossos antepassados tendem a cair no esquecimento. É assim, em qualquer lugar do Mundo, na Europa, na África ou América. Então, partiremos para a construção da metrópole, mesmo que seja com o sangue de inocentes, que tiveram a infelicidade de existir naquela época.

1725, o governo de Portugal decide ocupar a região onde hoje é o município de Vitória da Conquista. Em 1750, começam as incursões de João da Silva Guimarães, varrem-se Pataxós, Aimorés e Kamakãs. Começa a história portuguesa. 1840, vindo de Caetité, Joaquim Venâncio de Aleluia implanta a Imperial Vila da Vitória.

Daí, nada se tem de notícia concreta até 1890, quando começa aqui a República. Assim, nosso município começou a ser governado por aqueles que tinham mais dinheiro e mais força, até hoje, quando a democracia estabelece as oportunidades relativas para todos.

Na verdade o que queremos demonstrar é que este município não acontecera por acaso, e que todos que estiveram no poder político ou não, construíram uma ponta da história, que hoje modestamente contamos nesta edição, não podendo, de forma alguma, o entusiasmo exacerbado dos dias atuais obscurecer os feitos do passado, que, graças a Deus, foram registrados pelos jornais e por homens abnegados, como Laudionor Brasil, Maneca Grosso, Bruno Bacelar, Alziro Prates, Aníbal Viana, Luís Spínola, através de seus jornais, tornando possível se saber o nosso passado. Nesta oportunidade citamos apenas os jornalistas mortos e de logo deixamos claro que existiram outros. (mais…)


Vitória da Conquista na Era da Ditadura Militar


Vitória da Conquista 1977 blogdopaulonunesCom o golpe Militar de 1964, José Pedral ficou impedido de administrar o município, pois o novo regime decretara o seu ” impeachment”, ficando assim sem direitos políticos por 20 anos. Administrou o município por apenas treze meses. Em seu lugar, assumiu o advogado Orlando da Silva Leite, que na época era o Presidente da Câmara, e governou de maio de 1964 a abril de 1967, quando passou o cargo a mais um profissional liberal, o médico Fernando Spínola, que administrou até 1971. A experiência democrática de 1946 a 1964 foi limitada e chegou ao fim com a crise do populismo.

O golpe de Estado não modificou a estrutura política da Bahia senão, em alguns municípios, como foi o caso de Vitória da Conquista.

1963 a 1964
1963 a 1964

Era governador e continuou sendo Lomanto Júnior, sendo substituído em 1967 por Luiz Viana Filho, eleito pela Assembléia Legislativa, concluindo seu mandato em 1971. Por esta época a política conquistense deixava seus representantes da economia agrária ( predominantemente pecuarista) e passava para os profissionais liberais, agricultores e comerciantes enriquecidos no período pós-Guerra. Uma nova mentalidade começava a fazer parte do dia-a-dia da sociedade conquistense e, depois do Golpe, todos os prefeitos são profissionais liberais, defensores da diversificação econômica (o café era a opção da época) e do desenvolvimento comercial, indo até mesmo à implantação de um pólo industrial (o que ocorreu em 1972). (mais…)


Nossa Terra, Nossa gente: Conquista na Era Vargas


 

coronel deraldo mendes
Coronel Deraldo Mendes Ferraz 1930 a 1932

     

A revolução de 30 não mudou muito. Juracy Magalhães, escolhido interventor no Estado, em nota oficial de 24 de setembro de 1930, diz “ter resolvido não se fazer, por ora, nenhuma modificação na situação dominante dos municípios, conservando-se até que seja estudado o assunto…” Em 1933, através do Partido Social Democrático, o Tenentismo passou a apoiar-se nas Oligarquias locais. Em Conquista, o Partido Social Democrático tem como chefe Deraldo Mendes Ferraz, expressão de primeira grandeza do latifúndio na região, que apoiara a Revolução de Outubro. Derrubados os governos federal e estadual, a oposição em Conquista, ou seja, a Aliança Liberal, chefiada por Deraldo, formou uma “Guarda Branca” e expulsou Otávio Santos, então intendente, do poder. Assumiu, provisoriamente, Bruno Bacelar, prefeito “tampão”, que só fez mudar os nomes das ruas “Boiada” para João Pessoa, “Muranga” para Siqueira Campos e “Rua dos Tocos” para 10 de Novembro, numa demonstração de apoio aos revolucionários de 30.

Arlindo Mendes Rodrigues-1933 a 1936
Arlindo Mendes Rodrigues-1933 a 1936
florentino mendes
Florentino Mendes Andrade- 1936 a 1937

A escolha do Intendente se não fosse deferida a um grupo familiar agrário, o seria para o outro de base econômica idêntica, uma vez que a liderança política local derivava sua importância aos grandes proprietários rurais. As outras classes econômicas, como os comerciantes e os profissionais liberais não tinham condições de apresentar-se como alternativas políticas, e a situação do momento, montada sobre o sistema agrário de estrutura oligárquica. Tanto o comerciante, que era abastecido pelos latifundiários, quanto os profissionais liberais, que os tinham como seus clientes, deviam-lhes favores. No campo, a situação era ainda pior. Os trabalhadores rurais, agregados às fazendas, são dominados por um conjunto de mecanismos capazes de impedir o desenvolvimento de uma consciência política. Sem terra e sem trabalho numa região em que o “exército de reserva de mão de obra” é amplo, o emprego é um favor que impõe fidelidade.

Joaquim Fróes Caires e castro- 1937 a 1938
Joaquim Fróes Caires e castro- 1937 a 1938

A situação política local ficou na direção de Deraldo Mendes até 1937, quando Getúlio Vargas dava o Golpe de Estado no País e inaugura o Estado Novo, ditatorial. Nesse momento, em Conquista, Justino Gusmão se alia com Régis Pacheco para fazer oposição a Deraldo Mendes, que funda na cidade a UDN, e mais tarde o PSD – Partido Social Democrata. Já Régis Pacheco defendia a Ação Autonomista. Percebe-se, então, que a luta política vai passando, agora, de grupos familiares para grupos políticos. Em Conquista, durante todo o período ditatorial de Vargas (1937 – 1945), Régis Pacheco chefia a política local.

Dr. Luiz Régis Pacheco Pereira 1938 a 1945
Dr. Luiz Régis Pacheco Pereira
1938 a 1945

A mudança muito importante tratou do nome da cidade, Em 1943 passou a chamar-se Vitória da Conquista, isso se deu porque o governo federal estabeleceu que não poderia existir no país cidades com o mesmo nome. Existe uma cidade no estado de Minas Gerais que se chama “Conquista” e recebera esse nome antes da Imperial Vila da Vitória adotar o nome de Conquista, dessa forma a Câmara de vereadores teve que alterar o nome da cidade, que passou a se chamar Vitória da Conquista.

 


Conquista na época do Coronelismo


rua-grande-436Por volta de 1890 a I m p e r i a l Vila da Vitória já toma aspecto de cidade. Em 1888, o coronel Durval Vieira de Aguiar, em seu livro Descrições Práticas da Província da Bahia faz um relato detalhado do centro urbano do ex-povoado: “A Vila está edificada em terreno acidentado ao pé da serra denominado de Periperi. As casas são térreas (…) A praça é quadrilonga e de ladeira, ficando no centro a matriz (…) O comércio é pequeno e também o mercado da feira (…) Tudo isso não tem desenvolvimento pela falta de meios de exportação. Percebe-se, então, que estas determinantes da estrutura agrária montada naquela época constituíam-se em fatores limitantes do desenvolvimento regional”. (mais…)


Nossa história; Nossa gente: Da formação do Povoado da Conquista à Vila da Vitória


Primeira foto da cidade -1880
Primeira foto da cidade -1880

A formação do município de Vitória da Conquista acha-se ligada ao processo histórico do Sudoeste da Bahia, numa extensão compreendida entre os rios Pardo e de Contas, num período que vai de fins do século XVIII. De 1730 a 1840 pouco se sabe da história conquistense, senão a conquista dos bandeirantes sobre os índios Mongoiós e Imborés – antigos habitantes da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus , conforme o estudioso Durval Vieira de Aguiar, em seu livro Descrições Práticas da Província da Bahia (publicação oficial), datada de 1888.

Pode-se localizar no processo de colonização do chamado “Sertão da Ressaca” (atual território do Planalto da Conquista) causas de ordem econômico-financeira. A busca de riquezas minerais, atestada por documentos antigos, na faixa de terra situada entre os rios Pardo e de Contas, assim como o interesse de abrir campos da região para a prática pastoril, são algumas das causas explicativas para a expedição de João Gonçalves da Costa, que terminou por criar um núcleo populacional, de onde se originou o município de Vitória da Conquista.

Mas, o uso seletivo e efetivo da terra para exploração agropastoril, encontrou na agricultura de subsistência dos nativos uma enorme diferença, que aprovaria uma série de conflitos entre os dois grupos – chegantes e nativos, onde acabara se consolidando primeiro em núcleo populacional, depois povoado, vila e, por fim, cidade de Vitória da Conquista.

A conquista da terra e conseqüente criação do povoado ocorreu em meio à resistência dos índios. Levantaram-se contra os desbravadores para defender suas terras os Mongoiós, fixados às margens do rio Verruga e os Imborés, fixados na serra do Periperi.

Os portugueses vão necessitando apreender privativamente a terra, entrando em conflito com os índios que não conheciam a propriedade privada e para os quais a ocupação da terra apresentava uma ameaça à sua subsistência. O resultado foi um conjunto de guerrilhas cruéis, além da mortalidade causada por doenças que os brancos trouxeram para a região, sobretudo a varíola. Documento datado de 1783 (Ofício do Ouvidor da Comarca dos Ilhéus, Francisco Nunes da Costa, para Governador interino da Bahia) descreve os Mongoiós como “gentio de tão bom caráter, que em sociedade, trabalham em plantações de bananas, inhames, toda sorte de fava e feijão e até de cana de açúcar, o que constitui uma nação dócil e fácil de conduzir”. Ocorre, entretanto, que as fazendas de gado vão se estabelecendo. Há evidências destas fazendas desde antes de 1780, pois num ofício do ex-governador da Bahia, Manuel da Cunha Menezes, para Martinho de Melo Castro, datado de 12 de agosto de 1780, diz certa altura: “Este foi o modo porque soube que naquela capitania havia criação de gado e querendo dar-lhe providência, não só porque tivessem gados para a lavoura, mas também para a extração das madeiras (hoje, atual área do Poço Escuro)…, hoje tem no rancho mais de 60 pessoas e vivem sossegadas das primeiras pertubações e rodeadas de fazendas de gados …”. (mais…)


Reflorestamento participativo do rio Verruga


Rio verruga 2Alcides Pereira Santos Neto¹; Marayana Prado Pinheiro²; Joilson Silva Ferreira³

¹Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Departamento de Ciências Naturais, Laboratório de Ecologia, Estrada do Bem Querer, Km 4 – Caixa Postal 95, tel. (77) 3425-9340, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil, alcidepsneto@yahoo.com.br.
²Bióloga, mestre em desenvolvimento regional e meio ambiente, docente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, yanabio@yahoo.com.br.
³Engenheiro florestal, doutor em agronomia, docente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, joilsonsf@yahoo.com.br

RESUMO
A conservação e melhoria dos recursos hídricos constituem-se prioridades na agenda ambiental da atualidade. Neste sentido, projetos com abrangência local representam estratégias capazes de combater diversos problemas socioambientais. A partir destas premissas, o projeto de extensão Reflorestamento Participativo do Rio Verruga, executado e financiado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, tem como objetivo promover ações educativas e de capacitação com vista a restaurar a mata ciliar do Rio Verruga no entorno da Vila Bem Querer, município de Vitória da Conquista, Bahia. O envolvimento dos diversos segmentos sociais da localidade é premissa básica para realização das ações. O projeto encontra-se em andamento desde abril de 2010, estando estruturado em três etapas: 1) educação e mobilização da comunidade quanto às condições sócio-ambientais da localidade; 2) capacitação de jovens para a produção de mudas florestais; 3) restauração da mata ciliar com a participação dos moradores da Vila Bem Querer. Desta maneira, a comunidade beneficiada torna-se protagonista das transformações socioambientais na localidade.

1. INTRODUÇÃO

O território de Vitória da Conquista, localizado no Sudoeste da Bahia, é marcado por várias problemáticas ambientais, entre elas destaca-se a degradação de seus recursos vegetais, a exemplo da mata ciliar, acarretando a perda de grande parte da biodiversidade e da qualidade dos seus recursos hídricos. Segundo Maia (2005), a relação sociedade/natureza no município está caracterizada por grandes desequilíbrios, que têm se revertido, normalmente, em problemas que afetam diretamente à sociedade. Assim, torna-se essencial pensar, implementar e manter soluções capazes de pagar uma dívida histórica, assegurando o desenvolvimento sustentável da região e promovendo a educação ambiental.
A qualidade do meio ambiente está estreitamente ligada a diversos aspectos sociais, como saúde e economia. De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, no Capítulo I do Meio Ambiente, art. 225, todos têm direito a um ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida. Paradoxalmente a este direito, a realidade encontrada em diversas localidades do Brasil tem evidenciado a má gestão dos recursos naturais, assim como sua degradação desenfreada. Como exemplo deste processo de degradação, Soares Filho (2000) constatou que a cobertura de vegetação original no município de Vitória da Conquista (BA) não ultrapassa os 10%. (mais…)