Freud aponta Carluxo como mandante do assassinato de Marielle

Felipe Pena faz um exercício psicanalítico: “Podemos concluir que a acusação freudiana tem um atenuante forte: o presidente é o real e legítimo proprietário da casa 58. Imagine se ele tivesse apenas visitado o lugar, como fez outro presidente em um certo triplex no Guarujá?” felipe pena As provas reunidas no inconsciente dos criminosos ainda … Leia Mais


Pobreza é regra de autoritários que defendem interesses de ricos

Posição da extrema-direita é destituir governos democraticamente eleitos e se impor para executar projeto de sociedade desigual A similitude nos dois golpes de Estado (1964 e 2016) encontra convergência na crítica da direita e extrema direita ao intervencionismo do Estado e ao igualitarismo contido no conjunto das políticas públicas A explosão recente da desigualdade estimulou o debate … Leia Mais


Há uma longa estrada para 2020

A um ano da eleição que vai definir os rumos do nosso município pelos próximos quatro anos – com a escolha do próximo prefeito e vereadores –, é natural que haja um clima de ansiedade e até preocupação em relação ao futuro. De todo modo, a esta altura do período pré-eleitoral, é preciso ter calma … Leia Mais


CONTAGEM REGRESSIVA : O tempo conta a história: são 9⃣9⃣1⃣ dias de uma gestão que trocou a obrigação de governar pela demagogia da hipocrisia.

  Quando a tirania se torna lei, a rebelião é um direito. Simón Bolívar Vamos colocar medo nas nossas costas e salvar o nosso país. Simón Bolívar Para a conquista da vitória sempre foi indispensável percorrer o caminho dos sacrifícios. Simón Bolívar O prefeito Herzem tem uma inveja absurda dos prefeitos do PT que conseguiram … Leia Mais


O governo Pereira não tem onde cair morto


 

Rafael Nunes é advogado e empresário

Não é novidade para a sociedade conquistense que,  a gestão fracassada do Prefeito Herzem Gusmão,  não tem governado em favor dos vivos. A surpresa agora é o vilipêndio à memória dos mortos, bem como às suas famílias enlutadas.
Esse é, sem nenhuma dúvida, um dos piores conjuntos de governo da história da cidade. É um governo que trabalhou pesado para inviabilizar o consórcio de saúde. Um governo que não concede aumento salarial  aos servidores e não apresenta uma justificativa plausível para essa posição. A lei de responsabilidade fiscal prevê o limite de 54% de gastos com pessoal. O governo gasta menos que 50% com sua folha de pagamento, portanto o reajuste não desobedece o mandamento legal. Quando o argumento é a disposição orçamentária, esse também cai por terra. Os contratos milionários de locação de imóveis e equipamentos, assessorias e consultorias por todos os lados, além de gratificações que chegam a dobrar o salário dos cargos de confiança (leia-se os técnicos de excelência que o Prefeito prometeu colocar no governo), são argumentos para demonstrar que falta apenas vontade politica. Ou seja, é pura má vontade com o servidor.
Agora estamos a ver o episódio do cemitério do Kadija. A gestão, mentirosa contumaz insiste em dizer que está tudo bem. Quando reconhece alguma dificuldade, tenta colocar sobre os ombros da administração anterior. Esta não existe mais. O que existe é o atual governo, que poderia resolver o problema “numa canetada só”, mas prefere fugir e humilhar viúvas e órfãos fragilizados pelo golpe sempre violento da morte, encontrando a porta do cemitério fechada (aconteceu em 2018) ou tendo seus entes queridos vergonhosamente sepultados nos corredores do cemitério.
O certo é que a cidade tem pressa em trocar de comando e o próximo governo encontrará um rombo nos cofres da Prefeitura, por conta também de gastos desnecessários, haja vista, por exemplo, o número de diárias e viagens de  secretários, sem justificativa alguma. Esse governo precisa acabar logo. E quando acabar, não terá onde cair morto.

Rafael Nunes


Por um “terreno sagrado” para as famílias que tiveram suas casas derrubadas no Nova Cidade


* Alexandre Xandó

Do Evangelho de São João 14 extraímos a seguinte passagem: “Não se perturbe o vosso coração; vós credes em Deus, crede também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas…”

Muita gente tem buscado, através da fé, a sua morada no plano celeste, na casa do Pai. Já por aqui, ainda existem milhares de pessoas que padecem de uma moradia digna, e necessitam do poder público para a sua concretização. Às vésperas do natal de 2017, toda a sociedade conquistense acompanhou abismada a reintegração de posse e demolição de mais de 200 casas da Ocupação Cidade Bonita, no Bairro Nova Cidade¹. Confira o artigo na íntegra.

Quase 2 anos após a operação que foi acompanhada de balas de borracha e de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, as famílias permanecem sem nenhuma resposta da Prefeitura, e continuam sem ter acesso à moradia – permanecendo diversas delas morando de favor, dividindo cômodos para uma quantidade inadequada de pessoas, e algumas inclusive se tornando população em situação de rua.

Essa semana, porém, chamou atenção a notícia de que o Prefeito Herzem Gusmão (MDB) sancionou a doação de terreno de 2.400m² (80m x 30m) pertencente ao município (e avaliado em R$ 1,5 milhão de reais) para a igreja evangélica Assembleia de Deus.²

As igrejas evangélicas e demais religiões cumprem um papel fundamental na sociedade, de organização da sociedade civil, realização de projetos de caridade e de resgate de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade. Não estamos aqui dizendo que é errado a doação de terrenos públicos para associações religiosas, sindicais, de moradores, etc. Contudo, essa ação demonstra quais são as prioridades do governo.

Para o leitor ter ideia, após a derrubada das casas, foi feito um cadastro de famílias, foram feitas diversas reuniões com a Secretaria de Desenvolvimento Social, mas nenhuma medida concreta foi tomada. Minto! Preciso relembrar que a Prefeitura pediu, e o Poder Judiciário determinou que qualquer pessoa (que não tinha onde morar) que voltasse ao terreno deveria ser presa, “em face do descumprimento de ordem judicial”. Quem quiser conferir, o numero dos autos é 0503715-39.2017.8.05.0274. (mais…)


O PT, ESTÁ DIVIDIDO ?


*Edwaldo Alves – PT  Vitória da Conquista

No próximo domingo, dia 08 de setembro, quase 3.000 filiados(as) estarão elegendo o Presidente Municipal, o Diretório, Comissão de Ética e o Conselho Fiscal do Partido dos Trabalhadores. Também serão escolhidos os delegados ao Encontro Estadual e Nacional do PT.
Logo que foi divulgada, em Conquista, a formação de três chapas municipais e indicados dois candidatos a presidente, os desinformados ou antipetistas de sempre se alegraram imaginando que o PT estava irremediavelmente dividido. Não conseguem entender a dinâmica da democracia e das eleições internas em uma organização, seja lá qual for, principalmente, no caso de um partido democrático e plural como o PT. Ao contrário dos partidos conservadores, entendemos que a participação ativa da militância mesmo com diferentes pensamentos e divergências conceituais, é elemento essencial no fortalecimento da organização partidária. Consequentemente, temos a perfeita compreensão de que a diversidade e complexidade do universo político não cabem nos estreitos limites do pensamento uniforme.
Sabemos como se impõe a farsa da unidade em outros partidos. Funciona como uma pirâmide em que o cume vai descendo as ordens até a base. O chefe nacional escolhe o dirigente nos estados e esse por sua vez define os mandatários nos municípios em comissões provisórias, cada qual moldando o partido de acordo com os seus interesses pessoais, principalmente eleitorais. Sem discussões, sem muito barulho, tudo intramuros, sem conflitos públicos mascarando uma falsa unidade. Preferimos o debate, a análise das diferenças, a exposição do pensamento de cada um e ao final consagrar a opinião majoritária.
No PT, preocupa menos quais serão os dirigentes do que as propostas e políticas vencedoras nos Encontros e Congressos. Exatamente por isso, além da nominata das chapas cada uma apresenta as suas teses sobre a conjuntura política, as propostas, ações e formas de luta em defesa dos trabalhadores e do povo para serem debatidas e votadas pelos filiados.
Portanto, é fácil perceber que as questões internas do PT se concentram nas questões táticas e de procedimentos cujas decisões serão da escolha da maioria dos filiados, obedecendo-se ao princípio da proporcionalidade de votos não existindo o conceito da mais votada “levar tudo”, o que permite ser representada nas direções partidárias todas as linhas de pensamento de acordo com a sua própria votação.
Àqueles que imaginam aproveitar-se de divisões do PT podem amargar seus desejos. Estamos solidamente unidos nas questões centrais que, no nosso entendimento, mais interessam à nação e aos trabalhadores:
Todos entendem que a libertação de Lula é condição essencial para o completo restabelecimento da democracia e do pleno Estado de Direito no Brasil;
O governo Bolsonaro é fruto de um esquema de conquista do poder utilizando farsas jurídicas, midiático, parlamentar e de difusão ilegal de mentiras e fake-news, principalmente na rede social, que deturparam o resultado da eleições de 2018;
Formação de uma frente democrática que tenha o objetivo central de barrar o aniquilamento de democracia e de derrotar o avanço fascistizante;
A defesa das conquistas sociais e democráticas dos trabalhadores e do povo é bandeira imprescindível do PT;
O partido juntamente com os partidos progressistas , organizações e movimentos populares e sociais, entidades culturais e religiosas e personalidades democráticas não desistirão do combate permanente das políticas fascistizantes do governo ilegal de Bolsonaro lutando ao lado dos trabalhadores da cidade e do campo, das mulheres, dos negros, indígenas, LGBT, dos estudantes e do campo da cultura contra a política de destruição perpetrada pelo atual governo;
Defender intransigentemente a natureza e o meio ambiente opondo-se à destruição das nossas florestas e restabelecendo o respeito e soberania da nação brasileira no cenário internacional. (mais…)


Eu, vaqueiro diplomado!


Ernesto Marques é jornalista e radialista

Eu, vaqueiro diplomado!

– Fora! Pode ir embora logo! Fora! Fora!
Nem houve tempo para contar quantas placas de homenagens e troféus cobriam as paredes de dois cômodos amplos, logo na entrada do casarão de fachada imponente, com rampa em dois lances para se chegar à porta de entrada, na Rua da Itália, 20, no Centro de Jequié.
Poucos minutos depois de ter me anunciado a uma funcionária, antecipando o desejo de entrevistar o dono da casa, o convite nada gentil para cruzar a porta da rua se repetia cada vez mais agressivo enquanto ficava mais alto.
– Landulfo não tem mais dinheiro, nem insista! Por favor, vá embora! Fora!
Quem expulsava o jovem repórter da TV Bahia era a primeira-dama da cidade. Dona Enoy devia ter na casa dos 60 anos quando o marido, o também lutador de jiu jitsu, Landulfo Caribé, estava no último ano do segundo e derradeiro mandato como prefeito da Cidade Sol. A voz tonitruante traduzia um ódio visceral contra vendedores de homenagens e honrarias. Junte a isso a imagem da aproximação ameaçadora da silhueta daquela mulher atravessando um corredor contra a luz vinda dos fundos.
A cara de menino talvez tenha desarmado o espírito da primeira-dama e ela pode constatar que não era mais um embuste. Desculpou-se com a mesma rapidez e saiu para chamar o marido.
O prefeito demorou um bom tempo e então foi possível entender a ira da mulher olhando o cenário à minha volta. As duas salas grandes eram iluminadas pelas janelas enormes, assim como as portas, típicas daquelas construções de décadas atrás, como se a altura do pé-direito comunicasse a opulência de uma época.
As paredes enormes somavam uma área considerável, mas estavam completamente tomadas. Numa sala predominavam placas de metal e acrílico, além de diplomas emoldurados em sanduíches de vidro. Na outra, um pouco menor, eram mais medahas e troféus de competições de jiu jitsu.
Personalidade do ano, prefeito do ano, melhor prefeito, destaque disso, homem daquilo e toda sorte de título criativos para achacar celebridades e sub-celebridades interioranas. Eram muitos metros quadrados de títulos e honrarias que custaram o suficiente para exaurir parte das economias da família e toda a paciência da mulher, cujo marido alimentava um narcisismo insaciável. A ira de D. Enoy tinha alguma razão.
A família Caribé tinha tradição nas artes marciais, e não há porque desconfiar que aquela parte do acervo tenha custado mais suor do que dinheiro. E Landulfo era tão vaidoso como político quanto era como atleta.
“Ele é uma figura excêntrica, doido de pedra,mas é uma figuuuuuura” descreveu o jornalista Antônio Silveira, meu editor no programa Eleições 88. Para exemplificar, contou quando Lomanto Junior, então senador, ciceroneando Caribé prefeito no Congresso Nacional, encontra o super-ministro Delfim Neto. Feitas as apresentações, Caribé manda uma das suas: “Ministro, na minha cidade, dizem que o Senhor é Viado”.
Ou o argumento para conquistar votos em sua primeira eleição para prefeito: “me ajude a botar no cu do gago!”. O gago era o coronel Waldomiro Borges, pai do ex-governador e ex-senador César Borges e homem de poucos amigos.
Quem conhece a história política de Jequié, como o jornalista Wilson Midlej, que me contou esta, com certeza, tem um repertório de casos assim, protagonizados pelo sujeito que me deixou esperando tempo suficiente para entender melhor o tipo que eu entrevistaria.
Cariba, como amigos e jornalistas o chamavam, chegou bem mais simpático e bem humorado do que a primeira-dama. Numa sucessão de auto-elogios, foi contando sua trajetória na política e nos esportes a partir das comendas e troféus expostos no seu museu pessoal.
Landulfo Caribé não gostava apenas de receber homenagens, ainda que compradas. Gostava de oferecer também. Sacou uma foto “outorgando” ao fundador e dono do império dos Diários Associados, Assis Chateubriandt, o título de “Vaqueiro do Brasil”. A Ordem dos Vaqueiros do Brasil, fundada, segundo o diploma impresso em tipografia, fora fundada em 26 de junho de 1952, e tinha sede no Casarão da Fazenda Provisão.
Noutra foto, era José Sarney, na pele de presidente da República, quem recebia das mãos do folclórico Cariba, o tão honroso diploma.
De repente ele cala, congela o olhar sobre a foto por alguns segundos, levanta a vista e inclina o rosto longilíneo para me encarar fixamente por mais alguns segundos sem dizer palavra.
Os olhos brilham como se antecipasse uma grande sacada, ele rompe o silêncio com um estrepitoso tapa no meu peito e anuncia:
Pois eu vou lhe homenagear também!
Volta com um diploma em branco, pergunta meu nome, preenche os espaços em branco, assume ar solene e proclama:
Eu, Landulfo Caribé, presidente da Ordem dos Vaqueiros do Brasil, outorgo ao jornalista Ernesto Dantas Araújo Marques, o título de “Vaqueiro do Brasil”, em reconhecimento ao seu apreço para com a sociedade jequieense, Jequié, 19 de outubro de 1988!
E como não havia testemunhas além do cinegrafista Wilson Vigas e do assistente Edvaldo Queiroz, incrédulos Caribé me cumprimentou efusivamente, como se estivéssemos diante de uma grande plateia. (mais…)


Prisão Política: Emoção marca reencontro de militantes do movimento de moradia presas em São Paulo


Lecy e Dimitri: “O que a gente quer é que haja um pouco de sensibilidade, que haja uma revisão nessa questão, porque o que a gente entende é que essas prisões foram feitas de forma injusta”

São Paulo – Esta sexta-feira (30) foi um dia de fortes emoções para as militantes dos movimentos sociais de moradia no centro de São Paulo, presas na Penitenciária Feminina da Capital sob acusação de extorsão pelo Ministério Público estadual. Uma ação, porém, marcada pela politização do Judiciário. Presas desde 24 de junho, Preta Ferreira e Ednalva reencontraram Angélica, que foi transferida para essa prisão.

“A gente está sob o impacto de muita emoção, porque as nossas amigas se encontraram, e isso nos comoveu muito. Ao se encontrarem, elas choraram, caíram no chão. Esse reencontro para elas foi muito forte. Elas precisam estar juntas, pelo menos, e isso não estava acontecendo”, disse a deputada estadual Lecy Brandão (PCdoB), que em visita à penitenciária acompanhou o reencontro.

“O que a gente quer é que haja um pouco de sensibilidade, que haja uma revisão nessa questão, porque o que a gente entende é que essas prisões foram feitas de forma injusta. Ali não existem criminosas, não existem ladras, absolutamente. Existem três cidadãs, seres humanos, que precisam ser reconhecidas, porque as mulheres guerreiras que lutam pela igualdade, por inclusão, não vão fazer nada de mais, isso não é crime”, defendeu a deputada.

O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (Condepe), Dimitri Sales, também acompanhou a visita. “Viemos à penitenciária da capital visitar a Preta, a Angélica e a Edinalva, presas do movimento de moradia. Hoje foi um momento muito forte, impactante, porque pela primeira vez a Angélica, que estava em outra penitenciária, reencontrou a Preta e a Edinalva, e foi um momento muito forte. Que a Preta, a Edinalva, a Angélica, o Sidnei e todos os outros que tiveram prisão decretada possam, enfim, ter reconhecida sua inocência e gozar plenamente da liberdade a que têm direito”, disse.

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Saúde injustiçada


Thiago A. Fonsêca Nunes

Ler notícias na imprensa nacional sobre o uso de verba pública para bancar mordomias das altas cúpulas do judiciário brasileiro é, no mínimo, constrangedor. Impossível não fazer um paralelo às necessidades da saúde através do SUS, onde esse desperdício de dinheiro poderia fomentar melhorias à população que precisa da saúde pública no Brasil.

Na última semana, foi publicado na revista Crusoé que verba pública de ITAIPU (usina hidrelétrica) era utilizada para pagar eventos jurídicos, viagens e hospedagens em hoteis de luxo na europa aos mais diversos membros do poder judiciário, a exemplo de ministros do Supremo Tribunal Federal. Muitos levando, inclusive, a família para aproveitar as férias com tudo pago. Dinheiro utilizado para fins não justificáveis. No entanto, sem que houvesse qualquer registro no tribunal de contas da união, pois por se tratar de uma usina binacional (Brasil e Paraguai) não ocorre a devida fiscalização, servindo como brecha para ludibriar as prestações de contas.

É notório os inúmeros desafios da saúde pública em nosso país. São diários os esforços das secretarias municipais e estaduais de saúde para amenizar os entraves inerentes ao SUS, que cursam desde a dificuldade em conseguir tratamentos de alta complexidade em tempo hábil, a exemplo do câncer, até à escassez de recursos na atenção básica para proporcionar serviço de qualidade aos usuários do sistema único de saúde, conforme é preconizado na constituição federal. Portanto, nos gera o questionamento do uso adequado de verba federal ao que de fato é importante à sociedade, principalmente aos mais pobres e mais carentes. É correto pagar mordomias na Europa para alto escalão do judiciário enquanto a população sofre com assistência à saúde deficitária? Obviamente que não. Os gestores municipais desdobram-se para ofertar o melhor à população, porém a equação financeira fica extremamente difícil de equilibrar diante das limitações do que chega para aos cofres municipais.
Em suma, esse episódio nos faz refletir que é urgente a necessidade de descentralizar a verba federal direcionando às reais prioridades do país. Aumentar o aporte financeiro aos municípios é essencial para gerar mais autonomia ao utilizar os recursos de acordo com a realidade local. Dessa forma, os gestores poderão alocar dinheiro onde o povo mais precisa, seja na saúde, educação ou segurança. E, obviamente, buscando acabar com esses tipos de farras de dinheiro público para benefício das altas castas do Brasil. Afinal, todo cidadão merece ser respeitado e o uso do que é público tem que ser transparente e aplicado com justiça e responsabilidade.

Tiago A. Fonseca Nunes
Médico


Em menos de três anos, cinco secretários… tem remédio para a Saúde?


*Ernesto Marques é jornalista e radialista

Se os serviços públicos municipais de saúde de Vitória da Conquista estão a mudar, mas não para melhor, não foi por falta de competência técnica no comando da Secretaria. O acerto na escolha de Ceres Almeida Costa era reconhecido até pela oposição derrotada em 2016.

Mas em junho de 2018, de repente, não mais que de repente, a pretexto de um “redirecionamento da gestão”, Ceres e Vitória da Conquista foram surpreendidas com a demissão da secretária. A oposição não entendeu. A situação, menos ainda.

Ninguém entendeu a razão de uma secretária bem avaliada precisar ser removida para acontecer o tal do “REdirecionamento”.

Porque, veja bem… o Conselho Municipal de Saúde se pronunciou em Nota Pública, registrando para a posteridade a preocupação com os rumos da saúde pública a partir da substituição de uma gestora que mereceu, do colegiado, o seguinte reconhecimento, na nota:

“Ceres mostrou-se muito comprometida com todas as ações que visavam fazer avançar o SUS, demonstrando ter conhecimento de saúde pública, de gestão e do funcionamento dos mínimos detalhes da Secretaria.”

Ora, havia, no momento da surpreendente troca de comando na Saúde Municipal, uma opinião geral de aprovação do d-i-r-e-c-i-o-n-a-m-e-n-t-o dado por Ceres. Havia um direcionamento, afinado com os conceitos do SUS, segundo o Conselho. E houve a decisão de redirecionar, ou seja, em português claro: dar uma nova direção.

Não ficou muito transparente o que seria o tal “redirecionamento da gestão”, nem com que modos e metas esse direcionamento novo se comprometeria.

Para dar conta da tarefa foi escalado um quadro técnico da gestão anterior, o competente administrador Juca Fernandes, com 20 anos de serviço público na Prefeitura. Antes de completar um ano no cargo e ter direito a gozar merecidas férias, Juca precisou sair porque estava tendo picos de pressão.

Teve que cuidar da sua própria saúde, ou terminaria sendo afastado do cargo por um repentino piripaque. Ultimato do médico.

A enfermeira Ramona Cerqueira Pereira ficou interina por dois meses, foi efetivada como secretária no dia 2 de agosto e exonerada uma semana depois. Demissão ainda mais repentina e inesperada do que a de Ceres, igualmente não explicada.

Segundo a bem informada imprensa conquistense, haveria um “nome técnico” definido em bastidores, a ser anunciado em breve. Nome técnico…

Ceres, Juca e Ramona não eram nomes técnicos? Contando com Regina Lúcia, nomeada sub-secretária no mesmo DO que exonerou Ramona, o suposto “nome técnico” será o quinto titular da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista, antes de se completar o terceiro ano do atual governo. Em menos de três anos, cinco técnicos terão colocado seus respectivos jamegões sobre decisões políticas e administrativas que envolvem centenas de milhares de vidas e muitos milhões de reais.

Para quem tem mania de ficar olhando pelo retrovisor, um dado interessante: em vinte anos, cinco mandatos de governos liderados por prefeitos petistas, foram seis: três secretários (João Melo, Ademir Abreu, Jorge Solla) e três secretárias (Lygia Matos, Suzana Ribeiro e Márcia Viviane). (mais…)