O papel dos candidatos a vice-prefeito na construção da vitória
Na “engenharia” que se estabelece nesta fase inicial das conversações políticas, os pré-candidatos a vice-prefeito (quase ninguém se habilita a ser vice) ganham grande importância, visto que a futura escolha de um ou outro nome determinará a formatação da imagem das candidaturas majoritárias, a soma de apoios ou a subtração de potenciais aliados, não contemplados no intrincado jogo em busca do poder.
O exemplo do ex-vice- presidente José de Alencar é emblemático: amenizou a chapa de Lula e possibilitou ao então candidato a inserção em determinados segmentos sociais/empresariais que o percebiam como pouco confiável, radical e não adequado para ocupar a Presidência da República.
Se por um lado a presença de um grande empresário ouriçou a esquerda petista, sua participação proporcionou mais ganhos do que perdas. O resultado final provou o acerto da montagem da chapa em duas oportunidades. Um pouco de pragmatismo não faz mal a ninguém.
A cultura política brasileira, no entanto, reserva aos candidatos a vice-prefeito certa relevância apenas no período eleitoral, na medida em que pode conquistar votos, apoios e, em algumas situações, definir o resultado da disputa, em razão de imagem positiva junto a determinados segmentos, por serviços prestados à comunidade, experiência em cargos legislativos, que sob muitos aspectos gera visibilidade.
A construção de sinergia entre o candidato a prefeito e seu vice é fundamental para estabelecer o melhor fluxo de diálogo entre os partidos que compõem a coligação, com reflexos positivos nas curvas ascendentes de intenções de votos e na possibilidade de formar maioria na Câmara de Vereadores.
Este é o quadro ideal, mas campanhas transitam por caminhos tortuosos, com disputas antecipadas para ocupar hipotéticos – e futuros – espaços de poder, que só serão possíveis com a vitória. Alguns pensam em vencer, mas agem para derrotar a chapa majoritária. O mais evidente indício desta contradição é a redução dos espaços dos candidatos a vice-prefeito e de seus correligionários, retirando-os do grupo estratégico de campanha, não acatando suas sugestões e estruturando a programação de atividades à sua revelia.
À importância que os candidatos a vice-prefeito têm (ou precisariam ter) neste momento – por sua inserção em determinados segmentos eleitorais – deveria corresponder, em contrapartida, na participação no direcionamento dos rumos do governo, já que a contribuição para a vitória, em muitas situações, não pode ser desprezada.
Este não é o costume. Todos nós sabemos. O normal é deixá-los no limbo, numa posição secundarizada e como meros recebedores de subsídio a que têm direito legalmente (existem casos na Bahia em que o prefeito suspendeu o pagamento do salário do vice, que acionou a Justiça para reaver os valores acumulados). O racha no grupo vencedor começa com o escanteamento do vice.
Se ajudam a ganhar a eleição, eles podem certamente colaborar com as administrações municipais, exercendo de fato atividades executivas que assegurem mais qualidade aos governos locais. Mas para isso será necessário amenizar as vaidades, delimitar seus espaços de atuação e mirar o interesse público como meta precípua de quem governa. Pode ser um sonho. Não é. Muito do que foi sonho na trajetória da humanidade se transformou em realidade.
*Bacharel em Marketing, especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública. Consultor político e eleitoral. Estrategista de campanhas políticas. E-mail: fontesmkt@gmail.com
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