ACADEMIA DO PAPO: Cidadão Sub Americano
O internauta José Valente enviou para o Blog do Paulo Nunes uma informação do jornalista Carlos Chagas dizendo que “antes de o governo Lula anunciar a descoberta (do pré-sal), os Estados Unidos já sabiam e recriaram a Quinta Frota de sua Marinha de Guerra, para policiar o Atlântico Sul com porta-aviões, submarinos nucleares, montes de navios e de fuzileiros navais”. Leiam o artigo GUERRA NOS PRÓXIMOS VINTE ANOS. Leiam também de Sebastião Nery O DONO DOS OVOS e vejam o que PP não enxerga”.
José Valente há muitos anos é um dos meus interlocutores e crítico contumaz do que escrevo. Nem por isso omito os puxões de orelha que recebo. Trata-se de uma pessoa inteligente que mesmo estando errado (de vez em quando o bicho erra feio) procuro dar razão às suas refutações. O homem fica em minha cola e indignado diz que sou puxa saco de Lula. Ora, se eu não fosse puxa saco de Lula seria de quem? De Fernando Henrique? Deus me livre… Esse aí o Povo não tem a menor saudade.
Esta coluna chama-se Academia do Papo. O que escrevo e abordo aqui não passa de um papo. É bom que os grandes críticos, os grandes pensadores conquistenses coloquem em suas mentes que este papo coloquial, escrito de modo além ou dentro do trivial, não deve ser interpretado como um Tratado de Verdades. Esse negócio de verdade enche o saco. Primeiro porque é difícil falar a verdade. Segundo porque todo mundo acha que o que fala é verdade. E geralmente isso não passa de uma ilusão, por falta de ingestão etílica. A verdade é uma abstração que a poucos é dado conhecer. Mas só os inteligentes sabem isso…
O negócio é o seguinte: Se for verdade o que informa Carlos Chagas e se realmente houver invasão das tropas norte americanas em terras brasileiras, isso vai ser motivo de comemoração. Peço a Deus para estar vivo para expressar minha alegria bebendo muito uísque Jack Daniels (fabricado no Tenessee). Ufa! Finalmente e felizmente seremos invadidos pelos Estados Unidos.
Certa feita estava eu num boteco e um cara meio mamado (cheio de manguaça) disse prá outro: O Brasil deveria declarar guerra aos Estados Unidos. O outro, que parecia estar no mesmo estado, mas ainda conservando algum tirocínio, retrucou: Você tá doido? O Brasil declarar guerra aos Estados Unidos? Isso é um disparate. O bebum da proposta manteve-se firme e taxativo: Sim, deveríamos declarar guerra aos Estados Unidos, porque assim seríamos logo tomados pela Grande Nação do Norte e, quem sabe, daí nos tornássemos também uma grande potência com a virtude de trazermos para dentro de nossa terra a moralidade americana.
O segundo bêbado levantou a cabeça, examinou por alguns segundos os olhos do primeiro. Ambos estavam de olhos marejados e avermelhados. O primeiro não escondia sua discordância frente a opinião do colega de cachaça. Por duas vezes murmurou: Moralidade americana… Moralidade americana. Concluiu: É, até que seria uma boa se no Brasil a gente tivesse um pouco da moral do Povo e dos Políticos americanos. Além do mais o Brasil ia ter muita coisa boa trazida pelos gringos. Porém… Porém, acrescentou: E se o Brasil ganhar a Guerra?
Ora, se o Brasil ganhar a Guerra… Ele mesmo tratou de explicar: Se o Brasil ganhar a Guerra os Estados Unidos estarão lascados. Levaremos prá lá um bando de vagabundos e eles nunca mais terão sossego. Eles vão ver o que é bom prá tosse. Se eles nunca tinham conhecido o Inferno dessa vez terão oportunidade.
O dono do bar, velho amigo dos dois, também meio mamado entrou na conversa e disse: Que nada, que nada! Nos Estados Unidos também tem picareta feito a porra. Vocês não viram o Bill Clinton? O sacana fazia tantas estripulias que até no Salão Oval da Casa Branca Mônica Lewinsky dançou um reggae.
Eles olharam em minha direção e eu, que também estava meio mamado, disse que uma coisa detestaria: Ser tratado como cidadão de segunda classe em minha própria terra. Lembrei que isso aconteceu em Recife, naqueles idos do século XIX. Os nativos eram considerados um bando de pés de chinelo. Por outro lado, os europeus eram vistos como gente bacana e mereciam todos os rapapés e salamaleques que a burguesia recifense lhes declinava. Ah se o Brasil fosse invadido pelos Estados Unidos (tem gente por aí que não vê a hora). Mas vou repetir uma coisa: Não quero ser cidadão Sub Americano dentro do meu próprio País! Quanto a invasão propriamente dita, não se iludam não, se os Estados Unidos sentirem que vão perder a hegemonia do Mundo, farão qualquer coisa para eleger um Bin Laden aqui no Brasil. Quem sabe em Bom Jesus da Lapa? Sub Americano…?
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24/dez/2011 . 11:13 at 11:13
A “moral” americana serve aos seus propósitos,tanto quanto as bombas sobre seus inimigos e supostos inimigos.Tudo a bem dos americanos!. VIVA A AMÉRICA!