PEQUENAS NOTAS : O Brasil de ontem e o Brasil de hoje (1)
Quando afirmo que o Brasil de hoje está e ficará bem melhor que o de ontem, pessoas menos avisadas, meus críticos contumazes, se enfurecem e começam a dizer que sou puxa saco de Lula, que me vendi ao PT, que sou cego, ingênuo e idiota (teve um aí que me chamou de idiota e aposto que o cidadão nem sabe o que é isso). Mas tudo bem. Não tenho grosserias para retribuir a ele. Até entendo porque se manifesta assim. É uma questão de educação. Aprendi a não reagir do mesmo modo que o meu agressor. Assim fazendo estaria me igualando a ele e isso também seria recriminável. Pode discordar, pode me criticar, mas, por favor, evite o uso de cascos e ferraduras. Deus haverá de me perdoar ou perdoá-lo.
Mas… Como dizia o Brasil de hoje está muito melhor que o de ontem. Ninguém precisa ser doutor em História para confirmar isso. Esse “de hoje” refere-se ao tempo histórico atual e esse tempo histórico atual compreende nossos últimos 18 anos, mais ou menos. Para não ser injusto, diria que o Brasil começou a tomar vergonha na cara a partir do Governo Itamar Franco (inclusive vergonha econômica). Foi no governo dele, Itamar, que implantamos o Plano Real e conseguimos depois de 100 anos de guerra, dar uma “enquadrada” em nossa inflação. O ministro da Fazenda era o senhor Rubens Rícupero, figura excepcional, imprescindível e muito injustiçado pelos desavisados. Grande homem o senhor Rícupero.
Por que insisto em afirmar que hoje, de 18 anos para cá, estamos melhor que ontem? O que aconteceu de tão desabonador entre 15 de novembro de 1889 a 31 de dezembro de 1992? Ora, ora, meus caros, procurem a História. Os fatos políticos, econômicos, jurídicos, sociais, culturais e até policiais são incontestáveis. Quem se der ao luxo de investigar nossa História do início da Primeira República até chegar aos 31 de dezembro de 1992, chegará facilmente a essa conclusão. Os menos estudiosos de nossa História se surpreenderão, mas serão impelidos a compreenderem porque o Brasil quase não deu certo em todo esse período. Nossa história é tão incrível que só conseguimos melhorar sob o ponto de vista estrutural quando tivemos duas ditaduras. Uma civil e outra militar. Como explicar um país desses?
Para que os amigos tenham uma breve idéia, transcrevo pequeno trecho do capítulo 22, pagina 250 do livro Brasil: Uma História (Eduardo Bueno) onde se lê: “Todos os descaminhos da política e da economia brasileiras se materializaram plenamente nos dez primeiros anos da República. Escândalos financeiros, arrocho salarial, clientelismo, aumento de impostos, regime oligárquico, coronelismo, repressão aos movimentos populares, desvio de verbas, impunidade, fraude eleitoral, fechamento do Congresso, estado de sítio, confronto entre governos civis e militares, alternância no poder de forma mais equivocada com o novo governo devastando a obra do governo anterior – houve de tudo na primeira década republicana”.
Prossegue Bueno: “A vertigem econômica, política e social do período foi tal que num estudo recente o historiador Renato Lessa escreveu: “nem mesmo aqueles que acreditam a história ter algum sentido podem honestamente supor que havia ordem subjacente e invisível a regular o caos da primeira década republicana no Brasil”. Traduzindo isso em outras palavras: Era uma desgraça atrás da outra.
No plano da Educação, quase na metade dos anos 30 (após o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova lançado em 1933) o confronto entre as correntes educacionais foi de tal modo politizado entre pensadores católicos e reformadores liberais, que acabou comprometendo a formação de todas as nossas crianças e por consequência todo o futuro da sociedade brasileira. Os educadores reformistas derrotados na pendenga, tendo à frente o pensador Anísio Teixeira, que pertencia à corrente dos reformadores liberais, pagaram caro pelo confronto. Boris Fausto um dos nossos mais prestigiados historiadores assinala às páginas 339 de sua obra História do Brasil [Edusp 13ª edição, 2010] que: “O Manifesto constatava a inexistência no Brasil de uma “cultura própria” ou mesmo de uma “cultura geral”. Marcava a distância entre os métodos atrasados de educação do País e as transformações profundas realizadas no aparelho educacional de outros países latino-americanos como o México, o Uruguai a Argentina e o Chile”. Este colunista acrescenta: Em meados do século 19, Domingos Faustino Sarmiento (que depois veio a ser presidente da Argentina) provocou uma mudança substancial na Educação dos quatro países citados. Enquanto isso, o Brasil, um século depois, ainda patinava sobre a questão ideológica de como fazer Educação.
É forçoso lembrar que no Governo Fernando Henrique, gestão do ministro Paulo Renato, foi iniciado o processo de avaliação do nosso Sistema Educacional. À época alguns dos nossos educadores não ficaram nada satisfeitos com esse instrumento de exame. Que negócio é esse de avaliar? O fato é que aos poucos o Brasil está tomando tenência e vai melhorando. Economicamente crescemos, politicamente nem tanto, mas em outros aspectos estamos melhorando. Mesmo que alguns saudosistas queiram afirmar o contrário. Sugiro a estes acessarem a leitura de mais livros, de preferência expurgando ranços ou laivos de apegos a um passado que não foi bom para o País. O Brasil precisa avançar. Criticar é importante, mais importante, porém, é construir. Precisamos de Construtores e não de demolidores. Aos adoradores de coisas destruídas recomendamos uma visita a Cia. Cinematográfica Vera Cruz ou às ruínas de Petra e Pompéia. Se gostarem, fiquem por lá. Ninguém ficará contra a permanência de vocês. Fiquem por lá. Farão um grande favor a um País que precisa de Construtores.
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