Por Clidemar Amorim Risério

Relatos dão conta que WENCESLAU RIZÉRIO DE ARAÚJO, descendente de Italiano, nasceu na Chapada Diamantina em março de 1822, no então povoado de Furnas, atual distrito de Arapiranga, Município de Rio de Contas, Estado da Bahia. Ainda, muito jovem, casou-se, com CONSTANÇA DE MOURA E ALBUQUERQUE, moça pertencente à tradicional e abastada família “MOURA” de Boa Sentença, e com a mesma gerou os seguintes filhos: Florindo Rizério de Moura, Teodulo Rizério de Moura, Juvêncio Rizério de Moura, Sebastião Rizério de Moura, Marcolino Rizério de Moura, Augusta Rizério de Moura, Adelaide Rizério de Moura, Camila Rizério de Moura, Bela Rizério de Moura, Deolinda Rizério de Moura, Maria Carlota Rizério de Moura e Ana Rizério de Moura.
Segundo informações colhidas de alguns moradores da fazenda São Gonçalo, WRA, chegou naquela localidade no final da quarta década do século XVIII, e atuou como um verdadeiro desbravador, de imediato construiu um enorme casarão no estilo sobrado onde viveu com sua prole até o seu último dia de existência. Sem sombra de dúvidas, Ele foi o principal responsável pelo desenvolvimento da comunidade. Incentivou a indústria, o artesanato, a agricultura, e a pecuária. E daí por diante, a Região passou a ser uma grande produtora de: algodão, mamona, milho, feijão, mandioca, carne, sal, pele de animais, tecidos, telhas, tijolos, potes e panelas.
Pessoas idosas com bastante conhecimento do assunto informaram que a sede da Fazenda supra mencionada foi também uma mini-freguesia, onde a produção local e regional e demais produtos indispensáveis ao homem de outrora, eram comercializados de maneira diversificada.
Está bem claro como um dia ensolarado que o mencionado senhor foi um homem destemido, progressista, dotado de muita sabedoria, e acima de tudo ostentava o condão da liderança.
WRA possuiu elevado prestígio político junto ao sistema de Governo de sua época e por isso contribuiu muito para o acontecimento da independência do território Meirense. Com o objetivo de continuar defendendo os interesses de Bom Jesus dos Meiras, o mesmo conseguiu no mês de novembro de 1905, promover, o seu filho Marcolino Rizério de Moura, ao posto de Coronel da Guarda Nacional. O promovido de espada em punho e sob o manto do Coronelismo comandou o território Caetitense até a data do desmembramento do distrito de Bom Jesus dos Meiras. A partir daí foi nomeado para o cargo de intendente do Município de Brumado, onde governou por vários anos. Exerceram também o mesmo ofício o Doutor Antônio Rizério Leite e o Coronel Fidelcino Alves Rizério dos Santos, netos do velho patriarca e sobrinhos do poderoso Coronel.
Os habitantes da fazenda acima citada disseram também que o mesmo passou para a vida eterna em junho de 1910, e os seus restos mortais estão repousados em um jazigo na sua terra natal.
Ele desceu ao túmulo há mais de 100 (cem anos), os lustros passaram! Mas, o seu espírito de coordenador continuou e ainda continua atuando, configurando tal realidade, o Município Brumadense é hoje governado democraticamente pelo Doutor Eduardo Lima Vasconcelos, bisneto do inesquecível líder.
O casarão que pertenceu ao velho guerreiro fica localizado na margem esquerda do Rio São João, distrito de Iguatemi, Município de Livramento de Nossa Senhora, Estado da Bahia. Atualmente pertence ao senhor Joaquim Francisco de Oliveira, e está há muitos anos sob os cuidados do casal Vital Antônio Dias e Maria José da Silva Dias.
Na minha maneira de raciocinar, embora ainda não reconhecido, o saudoso WENCESLAU RIZÉRIO DE ARAÚJO, também faz parte da história do Município de Brumado. Seria de fundamental importância a Secretaria Municipal competente, realizar estudo visando à possibilidade de reconhecer e incluir o nome do inolvidável herói, nos anais do acervo histórico do antigo Bom Jesus dos Meiras.
Brumado – Bahia, 23 de maio de 2011
Clidemar Amorim Risério