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Para chegar aos dias de hoje – 1
Divagação histórica, com foco no MDB
Para que eu possa continuar o tema inicial deste blog, me permitirei “divagar historicamente” sobre o antigo partido de José Pedral Sampaio, a mais importante figura da política conquistense dos últimos 47 anos.
O antigo MDB que elegeu Jadiel em 1972 não era o mesmo em 1982. A eleição de Jadiel foi um marco político da cidade e até hoje é lembrada como a retomada de um projeto mais à esquerda interrompido em 1964 com a cassação de José Pedral. O agrupamento que fazia oposição ao governo militar e ao seus representantes da Arena chegou perto em 1966 quando Gilberto Quadros teve a maior votação individual, mas como naquele tempo havia uma aberração chamada sub-legenda, a ditadura determinou como eleito Fernando Spínola, que foi o mais votado pela Arena 1, cujos votação somada com os votos dados ao candidato da Arena 2 superou o total dos dois candidatos do MDB.
Frustradas as eleições de 1966 e 1970, quando foi eleito Nilton Gonçalves, vencendo a Jadiel Matos, o MDB chega à prefeitura de Vitória da Conquista com Jadiel em 1972. Ali, a divisão do partido estava definida. De um lado Jadiel, Sebastião Castro e Élquisson Soares, entre outros, do outro lado José Pedral e Raul Ferraz, para ficar nos políticos de maior projeção. A consolidação da divisão, que virou briga, deu-se em 1976 quando o grupo de Jadiel queria Fernando Dantas Alves como candidato a prefeito e José Pedral quis Raul Ferraz. Como a cada eleição era como se fosse a vez de Pedral mas ele não podia, pois estava afastado da política por força de ato do governo militar, era como se Pedral pudesse escolher quem iria “no lugar dele”.
Para chegar aos dias de hoje – 2
Raul Ferraz trouxe o Cristo para a serra. Jadiel trouxe Guilherme
O mandato de Raul foi o primeiro de seis anos. Foi mediano. Ou, pelo menos, não se sabe muita coisa de destaque que ele tenha feito. A estátua do Cristo na serra do Periperi foi colocada lá durante a administração de Raul, mas, dizem quase todos os pedralistas vivos que o projeto e a encomenda vinham desde o mandato interrompido de José Pedral (que, é bom lembrar, era chamado pela marca de J. Pedral).
Também não se acha muita coisa ou quase nada físico, material do governo de Jadiel, que é defendido por muitos como o melhor da história de Conquista. Mas, defendem os que participaram ou torceram por Jadiel, inclusive alguns que são guilhermistas hoje, que Jadiel fez um governo social, baseado na educação, além de ter dado atenção especial ao interior, com suas estradas e açudes sempre precisando reformar ou aumentar. Guilherme Menezes, o prefeito de Vitória da Conquista neste 2009, chegou naquele tempo. Teria começado o seu projeto de melhorar a cidade pelo povoado de Cachoeira das Araras.
Aí, já são outros capítulos.
Para chegar aos dias de hoje – 3
Aceitando (e carecendo) de reparos
Não sou historiador e escrevo de memória. Não tenho obras de consulta e nem falei com qualquer pessoa ao escrever estas notas, portanto, pode haver (e certamente há) erros. Aceito as criticas e quero fazer as correções dos erros apontados. Os que desejarem escrevam direto no espaço de comentários ou enviem e-mail para giorlando.lima@uol.com.br com copia para giorlando.lima@gmail.com/
Obrigado a todos.
23/05/2009
Para chegar aos dias de hoje – 4
Pedral abre espaço e surge quem o substituirá contra a sua vontade
Uma das maiores lideranças políticas da história de Conquista, o engenheiro José Fernandes Pedral Sampaio, que se chamava J. Pedral quando foi eleito pela segunda vez (recuperando pelo voto um mandato que a ditadura havia surrupiado em 64) fez em seis anos, de 1983 até passar o cargo a Murilo Mármore, em 1889, um governo para ficar na História.
Tocador de obras, J. Pedral fez ou começou a maioria dos equipamentos e a infra-estrutura que hoje funcionam em Vitória da Conquista. Feiras cobertas (Ceasa e bairro Brasil), terminal de ônibus, esgotamento sanitário, barragens, as primeiras vias asfaltadas no interior do município e a extensão do asfalto para os bairros mais afastados do centro, como o Ibirapuera e o alto do Guarany, a urbanização e ampliação da praça Barão do Rio Branco e até um elevado na Régis Pacheco, parte de um bom projeto de ligação da praça da Bandeira ao Ceasa, projeto que o próprio Pedral abandonou e hoje é motivo de piada.
Porém, o mais importante naquele período, foi a construção do projeto político de Vitória da Conquista, coincidente com o surgimento ou crescimento dos partidos de esquerda. Com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a liberação dos partidos comunistas, o surgimento do PT, o Brasil vislumbrava uma democracia ampla, exemplar para a América Latina. Conquista atuou neste sentido, com Pedral à frente.
O governo de Pedral de 1983 a 1989 estimulou a criação e atuação das associações comunitárias nos bairros e na zona rural. Com o trabalho de Elízio Santana, que foi secretário de Expansão Econômica, as associações de moradores se organizaram, implantaram hortas, olarias, padarias e até leiterias, com a famosa vaca mecânica.
Pedral dialogava com todas as correntes mais à esquerda e simbolizava para a Bahia a Conquista oposicionista, trincheira da resistência ao carlismo e à ditadura, mesmo havendo dentro do principal partido, o PMDB, forças antagônicas. Estas divergiam entre si, mas colocavam Conquista acima de tudo.
Foi nesse período, com esse clima de democracia e participação, que o principal nome da era pós-Pedral teve a oportunidade de aparecer e começar a crescer politicamente, embora ele mesmo dissesse, então, que não pretendesse isso. Foi nesse período que o principal nome da era pós-Pedral teve a oportunidade de aparecer e começar a crescer politicamente, embora ele mesmo dissesse, então, que não pretendesse isso
Para chegar aos dias de hoje – 5
Uma das áreas mais avançadas no governo de Pedral (e Hélio Ribeiro) de 1983 a 1989 era a saúde. Naquele tempo, Conquista implementou um programa de agentes comunitários de saúde e de valorização e atualização do trabalho das parteiras na zona rural, por exemplo, muito antes do ministro José Serra consolidar essa idéia nacionalmente.
A secretaria de Saúde era um local de debates, avanços, com jovens médicos levando a sério o projeto de fazer saúde pública com ética e universalidade. Uma ação que teve a liderança inicial de Armênio Santos, um oftalmologista impetuoso e incansável, com potencial politico, até perder os limites e ser engolido pelo sistema autofágico que se iniciou entre os pedralistas quando a força de Conquista cresceu muito, durante a eleição e o governo de Waldir Pires. Armênio foi um excelente secretário, mas como político não deu certo, sequer teve carreira.
Com a saída de Armênio da secretaria de Saúde para assumir a Defesa Civil no governo de Waldir, ficou decidido que três outros médicos assumiriam o cargo, dividindo o período que faltava de governo – dois anos. Fábio Ferraz, José Henrique Padre e Guilherme Menezes.
Guiherme, que ao chegar a Conquista em 1973, no governo de Jadiel, atuou na área de educação, no interior do município, agora, tinha a oportunidade de colocar em prática seus ideais de saúde pública. Não foi bem desse jeito, porque havia um certo engessamento no projeto pronto da saúde de Conquista (e muita desconfiança) mesmo assim, Guilherme pôde ampliar seus contatos com a população, movimentar-se pelo município e fazer a base do seu projeto político, ainda que, é correto dizer, sempre pautasse sua ação de forma responsável e até tímida. O prefeito em exercício era Hélio Ribeiro. Pedral estava na secretaria estadual dos Transportes.
Logo depois de desempenhar o papel de secretário de Saúde de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes foi escolhido diretor do Crescêncio Silveira, numa eleição direta em que votaram os profissionais do hospital, incluindo os médicos daquele que era o único hospital estadual na cidade.
Não sei se Guilherme era filiado a algum partido político. Talvez ao PMDB de Waldir, embora fosse discreto. O PV, partido pelo qual ele foi candidato a prefeito em 1992, já existia quando ele foi secretário de Saúde e diretor do Crescêncio Silveira, mas não havia se formado ainda em Conquista.
O incrível é que desde que Guilherme apareceu em Conquista, passando de educador rural, a secretário de saúde, diretor de hospital, candidato a prefeito, deputado estadual, prefeito eleito duas vezes, deputado federal eleito duas vezes e prefeito de novo, todos os políticos atuantes daquele tempo perderam espaço ou desapareceram como lideranças.
Alguns porque se distanciaram e foram esquecidos pelo eleitor, outros porque foram punidos e rejeitados nas urnas, poucos porque desistiram. Entre os que estão vivos: Raul Ferraz, Sebastião Castro, Margarida Oliveira, Coriolano Sales, Clóvis Flôres, Clóvis Assis, Murilo Mármore, Antonio Dantas, Vonca Gonçalves, Élquisson Soares, Leônidas Cardoso, Iran Gusmão e, mais recentemente, José William e Edivaldo Ferreira.
Daquele tempo só ficou Vivi Mendes, com a ajuda do próprio Guilherme. Muitos tentaram e ainda tentam recuperar prestígio politico-eleitoral, votos. Ninguém conseguiu ainda, entre os, digamos, politicos tradicionais. Alguns ex-prefeitos sequer conseguiram eleger-se vereador. Hoje, o nome que existe como força de oposição a Guilherme e alternativa ao PT no governo, é o radialista Herzém Gusmão. Voltamos a nossa história.
Para chegar aos dias de hoje – 6
Como eu disse antes, Pedral não sabia que ao trazer Guilherme Menezes para o seu governo estaria, como dizia o povo antigamente, “criando cobra para lhe morder”, ou “sarna para se coçar”. Não que Guilherme nunca tivesse feito parte da administração municipal. Quando Jadiel era prefeito e o secretário da Educação era Fernando Eliodório, Guilherme Menezes chegou a Conquista com uma mochila nas costas e acabou ganhando um emprego de professor na zona rural, na localidade de Cachoeira das Araras.
Como tudo o que escrevo está na minha memória e é baseado em relatos, pode haver inconcisão de datas, personagens ou locais. Mas, com certeza, Guilherme não era médico ainda e o lugar por onde começou a sua “jornada” foi mesmo Cachoeira das Araras, que, na propaganda de sua campanha de 1996 ganhou uma reportagem com abordagem romântica e emocionante, do tipo “A Volta do Professor Querido”. Não precisa dizer que teve o atual prefeito teve lá uma excepcional votação.
A eleição de 1996 foi a segunda disputada por Guilherme Menezes como candidato a prefeito. A primeira foi em 1992, contra Raul e Pedral. Pedral ganhou. Havia feito um pacto com Antônio Carlos Magalhães, que até hoje não teve as suas razões bem explicadas – Pedral não acha isso importante – e que ninguém entendia ser necessário – só Pedral e alguns de seus mais chegados na política.
Ao aderir ao carlismo Pedral manchou a sua história política, abriu mão da posição de destaque que desfrutava na política baiana em favor de algum interesse maior, segundo ele. Com esse apoio ele se elegeu em 1992 pela terceira e última vez. Nos quatro anos seguintes, ele manchou a sua carreira de administrador. Fez uma péssima gestão e a tal ajuda que ACM traria para as coisas darem certo ninguém viu. Para piorar, escândalos se sucederam e nunca se falou tanto em corrupção como naquele período – na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Algumas acusações dizem ter sido injustas, outras eram indefensáveis. Mas, ninguém foi preso ou perdeu mandato. Só Pedral perdeu tudo, considerando que, sendo uma lenda da política baiana, cairia estrondosamente no limbo dos nunca mais reeleitos, apesar de outras duas tentativas.
Em 1996, Pedral perdeu duas vezes. Queria que fosse Yvonilton (Vonca) Gonçalves o candidato a prefeito para enfrentar Guilherme, escolhido por uma frente de partidos, porém, uma crise em seu grupo e uma parte dele conseguiu firmar a candidatura de Murilo Mármore – este com o apoio de ACM que, mais uma vez, deixara Pedral na mão. Os dois, Murilo e Vonca, perderam para Guilherme, que teve mais votos que os dois juntos.
Nunca mais Conquista foi a mesma. E Pedral, como político, passou a ser apenas um nome na história. Ao ponto de, no final de 2008, em uma reunião com participação de políticos e líderes dos partidos derrotados por Guilherme, chamar de líder Herzém Gusmão – o radialista que o combateu como se travasse uma guerra.
No próximo capítulo, escreverei sobre alguns momentos cruciais da relação de amor e ódio, mais de ódio, entre Pedral e Herzém, o atual líder.


















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