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APERTEM OS CINTOS...
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:Publicado em 19/09/2008, às 14:56

Por Jeremias Macário*

Nunca era de se esperar que os Estados Unidos, que sempre defenderam a liberalização do mercado na ótica neoliberal da economia, e com sua imposta política de Consenso de Washington, fossem um dia estatizar empresas. Agora estão adotando a política da socialização das perdas, com o socorro a várias financeiras, inclusive à seguradora AIG ( quase U$40 bilhões).

A crise financeira é séria demais e já se alastrou pelo mundo todo como rastilho de pólvora. Só quem ainda não percebeu foi o governo brasileiro. Com a evolução da crise, até o ministro Mantega pode virar uma Margarina. Os bancos centrais de vários países estão injetando mais de U$200 bilhões para tapar rombos, mas isso só vai fazer protelar o caos.

As bolsas de valores estão caiando pelas tabelas e escorregando na ladeira de lama, ou derrubando os castelos de tortas construidos pelos Estados Unidos há oito anos com as tais facilidades e trocas de papéis no comércio imobiliário. Os calotes foram se sucedendo, e a bolha estourou de vez. Primeiro o governo americano disse que não ia acudir ninguém, mas voltou atrás e gerou mais ainda desconfiança no mercado. Nos últimos dias, a injeção de recursos dos EUA, Japão e da Europa em financeiras já ultrapassa U$1 trilhão. É muita grana.

Aponta um especialista no assunto, que na década de 90, as crises tinham origem na periferia da economia mundial, como no México, Tailândia e Rússia. Agora, a maior economia do mundo toma aquele tombo. A temperatura financeira parece não ter fim, acusando a maior intervenção de todos os tempos do governo Busch. Os EUA foram forçados a optar pela regulação e a supervisão.

Não se pode negar que a economia brasileira, desta vez, está mais sólida para segurar o tranco, e não vai "cair de quatro", no linguagem do ministro da Fazenda. Não se pode negar também que a crise vai afetar o país, mesmo com reservas de mais de U$200 bilhões. Já está havendo queda no turismo (dólar pode chegar a R$2,50), e as eexportações vão ser reduzidas.

No mercado financeiro já está havendo problemas de liquidez e os bancos estão encurtando os prazos de empréstimos, inclusive para carros e outros bens, embora a Federação dos Bancos negue, como sempre faz, para acalmar os ânimos. Os juros domésticos vão subir mais ainda para frear o consumo que vai refletir na produção.

Os preços das commodities (produtos primários) já incomodam e as econmias dos países emergentes, como China e Índia vão crescer menos, diminuindo as importãções de mercadorias, como soja e ferro. O governo brasileiro vai ter que cortar gastos, especialmente de custeio, e não estancar de vez os investimentos, pois pode gerar uma onda de desemprego.

O Caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Ecônômico(BNDES), que é sustentado com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), está secando, pois nos 12 meses encerrados em junho já havia aprovado R$108 bilhões. Como as grandes empresas vão ter dificuldade de captar dinheiro lá fora no exterior, a pergunta é como o banco vai ajudar esse segmento da economia? O cerco está se fechando rapidamente. O negócio é colocar logo as barbas de molho como alertou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e não ficar dizendo que não vamos ser atingidos.

Durante muitos anos de jornalismo como repórter de economia já assisti várias vezes esse filme de terror. E não me digam que o pobre classe média não sofrerá as consequências! É quem mais vai sentir a porrada. Só digo uma coisa: apertem os cintos e recolham os cartões de crédito na gaveta até passar a tempestade.
 
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