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HORÁRIO POLÍTICO E A COBIÇA DO CARGO DE VEREADOR
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:Publicado em 08/09/2008, às 15:30

Por Ezequiel Sena*

Chega a ser hilariante o horário político no rádio e na televisão. Quem já teve a oportunidade de acompanhar, pode ter certeza que se defrontou com algumas promessas de candidatos a uma cadeira na Câmara de Vereadores de deixar o sujeito de queixo caído. Eles fazem o papel de verdadeiros candidatos ao poder executivo. Pelas falas apresentadas, percebe-se que a maioria está completamente despreparada para exercer o cargo que pretende ocupar. Mas fazer o quê! Como bem define Cláudio Couto, cientista político e professor da PUC/São Paulo, “é o preço que se paga pelos afluentes da democracia”.

Até é compreensível que o vereador interceda em favor de determinada obra para a comunidade que representa. Entretanto, o que acontece na prática é completamente o inverso, ele ignora tudo e aproveita o mau funcionamento da máquina pública para fazer promessas fora de sua área de atuação, como: pavimentação de ruas, cursos profissionalizantes, construção de estradas, geração de emprego e renda, até a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Um candidato do PC do B, que não me recordo o nome, foi longe com seu slogan “chega de vereadores com prazo de validade vencido”. É importante que o eleitor fique atento às investidas enganosas, até porque o papel principal do vereador é a elaboração de projetos de leis e fiscalizar responsavelmente a atuação do Executivo. Aprovando ou rejeitando as propostas que são apresentadas.

Por outro lado, leva-me a crer que o cargo de vereador rende rios de dinheiro, pois me custa a acreditar que esta luta desenfreada dos candidatos seja tão somente para servir e ajudar o povo. Basta dizer que a cobiça por uma cadeira da Câmara da nossa cidade é de dar inveja. Para se ter uma idéia, 147 candidaturas foram contabilizadas para as 14 cadeiras disponíveis no Poder Legislativo. Uma concorrência equivalente ao vestibular de medicina de muitas universidades do país afora. Ontem, por exemplo, nas comemorações do dia da Independência, na Avenida Integração, o que não faltou foi candidato distribuindo panfletos e santinhos. A briga pelo voto é muito acirrada e a munição utilizada para conquistar o eleitor é de dar medo a qualquer estrategista político. Um verdadeiro arsenal bélico. O mais curioso é que ninguém quer deixar o cargo, luta com todas as armas para continuar. Já os que estão de fora brigam fervorosamente para poder entrar. Diante dessa invejável disputa, não me restam dúvidas que “o negócio é bom demais.”

Mas voltando ao horário eleitoral gratuito, com relação ao conteúdo que é falado pelos candidatos, observa-se que poderia ser mais bem trabalhado por seus partidos. Certamente, evitaria que os discursos se transformassem em objetos de gracejos, piadas ou chacotas, como acostumamos a assistir. A sociedade que já anda desacreditada com a classe política, e com razão, com esse cunho jocoso dos programas exibidos pelos partidos, beirando a comédia, só servem para aumentar ainda mais a descrença da população.

 
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