Por Francisco Silva*
Nas mais importantes cidades do país, o desfile de sete de setembro, comemorativo ao dia da nossa independência, sempre tem um lugar de destaque para que aconteça tal desfile. As ruas onde devem acontecer os desfiles, em muitas cidades já são mais que cinqüentenárias; a propósito, em Cidade do Salvador, o desfile acontece na Avenida Sete de Setembro, e isso é do meu conhecimento desde a minha mais tenra idade.
Assim como acontece em nossa capital baiana, desde que foi fundada Brasília, o desfile comemorativo ao dia da independência acontece na Esplanada dos Ministérios; aqui em Curitiba, acontece no Centro Cívico, na Avenida Cândido de Abreu, e não há registros de alteração deste endereço na capital paranaense que remonte menos de sessenta anos. Como se vê, há uma fidelidade para com os locais do desfile em quase todas as principais cidades no país.
Em Vitória da Conquista, quando comecei a assistir aos desfiles, tenho lembrança, que era na Rua 2 de Julho; quando comecei ainda muito criança a desfilar – pelo Colégio Adelmário Pinheiro, meu primeiro desfile – o início era a partir da Praça Sá Barreto, descendo a Rua dos Andrades, passando lateralmente pela catedral de Nossa Senhora das Vitórias, descendo a Praça da República (hoje Tancredo Neves), seguindo pela Rua Zeferino Correia, tendo como ponto culminante do desfile a Praça Barão do Rio Branco – é um milagre ainda não se tenha mudado o nome dessa praça – e, acontecendo a (dês) nos fundos do Poleiro, em frente à Rádio Clube e o Candelabro e mais adiante na Praça Deraldo Mendes.
Já que eu me lembrei do Poleiro, vale ressaltar, que, antes de se chamar ‘O Poleiro’, esse prédio se chamava ‘O Lindóia’, onde era, antes de existir uma estação rodoviária em nossa cidade, um local de vendas de passagens, chegadas e saídas de ônibus; tudo isso, criminosamente apagada do nosso patrimônio histórico. Pois bem, ainda sobre o itinerário dos desfiles de sete de setembro em Conquista, vale lembrar, que, por muitos anos esse foi o principal trajeto, depois, veio a esculhambação; passou a ser na Avenida Régis Pacheco, depois na Avenida Brumado – para mim, eu considerei o pior local.
Neste ano, o poder público e a comissão organizadora do desfile já sinalizam a mudança para a Avenida Presidente Dutra, – resolveram chamar de Avenida da Integração – em minha opinião, este não poderia ser o pior local, eu gostaria de saber o que pensa quem resolve promover um desfile com essa magnitude em uma avenida como – com licença da má palavra – ‘da Integração’. Por maior cuidado que se possa tomar, sempre poderá acontecer algo inusitado e inesperado em uma via, como a Avenida Presidente Dutra, sabemos da sua importância e o transtorno que pode causar a quem inevitavelmente tenha que por ali transitar, vai sobrecarregar os já insuficientes policiais em nossa cidade para que, ocorra o desvio de tráfego naquele logradouro.
Quando eu estudava na Escola Maria Viana, – também esse nome foi mudado para Dirlene Mendonça – depois fui para o GOT – Ginásio Orientado para o Trabalho – (este também mudou o nome para Adélia Teixeira), e finalmente na Escola Normal (graças a Deus ainda continua Euclides Dantas); em todos esses colégios, em época de desfiles de sete de setembro, era necessário fazer ensaios dos desfiles dos alunos bem como da afinação da Banda e Fanfarra da Escola, que começavam em meados de agosto, tinha como palco dos ensaios de desfile a Avenida Jorge Teixeira.
Sei da dificuldade que Vitória da Conquista em ter uma avenida ou rua com capacidade para se promover um desfile, seja ele qual for. As ruas e avenidas (?) de Conquista são muito acanhadas, mal projetadas, sem qualquer infra-estrutura capaz de suportar uma grande aglomeração. Ainda assim, como, há trinta e cinco, quarenta anos atrás, a Avenida Jorge Teixeira é para mim, a única via de Conquista com capacidade nos dias atuais para abrigar o desfile de sete de setembro em nossa cidade, haja vista a sua logística frente às demais outras vias adjacentes. Fica claro, que, a parte culminante do desfile tem que ser nas Sacramentinas, desta forma, tendo o seu início no largo do Lomantão. Vamos pensar nisso para o próximo ano?
*Francisco Silva Filho – Curitiba-PR |