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TRABALHAR NO EXTERIOR – Vale o Sacrifício?
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:Publicado em 02/09/2008, às 14:39

Por Esequiel Sena*

Algumas vezes fico imaginando como o brasileiro é determinado e corajoso. Mesmo em situações adversas e duvidosas é capaz de superar qualquer obstáculo na maior simplicidade. Neste final de semana, por exemplo, estive conversando com meus parentes e alguns amigos próximos que se mostraram desiludidos com as poucas chances de conseguir um bom emprego aqui no Brasil. Dá para perceber o desânimo que causa na pessoa humana quando perde a esperança. Em conseqüência disso, busca as alternativas mais complexas e arriscadas, ao ponto de abandonar tudo e tentar a sorte em outro país, até mesmo pela via da clandestinidade.

Pouco tempo atrás escrevi um artigo sobre este tema. Não costumo reeditar, mas, devido às circunstâncias, resolvi voltar ao assunto. Muita gente se entusiasma, principalmente os jovens que são empurrados pelo efeito multiplicador da cobiça que surge através dos depoimentos de alguns que fizeram esse caminho e estão se dando bem. Esses testemunhos provocam uma sensação contagiante que enraíza naqueles que se sentem frustrados com as poucas perspectivas oferecidas em nosso País.
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Para esses aventureiros é conveniente ter em mente que o mais importante em um país estranho é trabalhar e ganhar dinheiro. Na realidade, ao imigrante são reservadas apenas as atividades de pouca qualificação, de baixo prestígio e, consequentemente, de pouca remuneração. Restando apenas a alternativa de dois ou três empregos para se equilibrar financeiramente e poder economizar um pouco. Do contrário a grana termina acabando rápido. Lazer nem pensar! As curtições são caríssimas e qualquer vacilo pode ser complicado. Normalmente as vagas mais disponíveis são para lavar pratos, fazer faxina, camareira, manobrista, montador de móveis, babá, se tiver habilidade ou experiência de pintor, ou de pedreiro poderá até conseguir coisinha melhor! Enfim trabalhar e trabalhar! Prepare-se para acordar às 05h da madrugada para chegar ao seu primeiro emprego: faxina leva de duas a quatro horas. Arrume-se que já são 09:00 horas e o trabalho de manobrista o espera. Por último, lavar pratos

para completar a jornada. Terá que ralar! E ralar muito! Se, por acaso, for a Portugal, ou para a Espanha esteja ciente de que a discriminação para conosco é visível, vexatória e preconceituosa. Para eles, o brasileiro e todas as pessoas do terceiro mundo não merecem a mínima confiança. É triste dizer isso, mas é a pura verdade. O sacrifício pode até valer à pena, mas terá que se desdobrar em vários para atender as suas próprias expectativas.
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Juscelino Duarte, amigo de infância, possuía um emprego aqui em Conquista em uma concessionária de veículos, mas o que ganhava só dava para sobreviver razoavelmente. Em fevereiro de 2003 pediu demissão da firma, deixou esposa e um filho e se mandou para a Nova Jersey. O mais interessante é que a precisão fez com que ele se transformasse em pintor de parede. Aqui não sabia nem pegar no pincel. Com sua determinação, já conseguiu comprar uma boa casa e um apartamento para seus pais. Pretende retornar em 2010 para montar seu próprio negócio.
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Para ser sincero, e sem a mínima pretensão de querer desestimular os batalhadores, mas uma atitude ousada deste nível deve ser muito bem pensada e analisada. Torna-se conveniente que antes de concretizar a decisão, fazer um planejamento, incluindo a saudade, adaptação, os gastos telefônicos, as peladas de fins de semana, os barzinhos das sextas-feiras, o churrasquinho, a cervejinha, a liberdade e a qualidade de vida, esta não tem preço. Então vai entender que, mesmo ganhando pouco, o Brasil ainda é o melhor país do mundo!

* Esequiel Sena é bancário aposentado e contador
 
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