A notícia saiu no Estadão. E ecoou em outros jornais: Lula e FHC mantiveram um diálogo intenso no primeiro e em parte do segundo mandato. Os contatos foram mais intensos quando ardia no Congresso a fogueira do mensalão. Atribuiu-se a FHC o gesto que evitou que a oposição levasse às chamas a tora do impeachment.
As conversas de Lula com o antecessor foram feitas por meio de dois emissários: os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Falavam com FHC por telefone e em reuniões subterrâneas. Ouvidos, o ex-pesidente e os dois ex-ministros cobfirmaram os contatos.
Hoje, olhando as pesquisas que dão a Lula popularidade bastante para sonhar com o projeto de fazer um sucessor, muitos tucanos se entregam a um sentimento comum na política: a lamentação depois do fato.
FHC atribui as negociações feitas no subsolo a uma hipotética “noção institucional”. No auge vda crise mensaleira, ouvia-se coisa diversa no ninho tucano.
A oposição tangenciou o impeachment porque imaginou que o Lula pós-mensalão seria um presidente em fim de linha.
Por esse raciocínio, Lula sangraria em praça pública até ser batido por um adversário tucano, em 2006. Sobreveio não a hemorragia, mas a reeleição.
*Escrito por Josias de Souza |