Por Ezequiel Sena*
Se não bastasse à onda de violência mostrada pela televisão no ano passado pelas brigas entre torcidas organizadas no eixo Rio, São Paulo e Minas que resultaram em mortes e imagens chocantes, agora está virando moda os torcedores acharem no direito de agredir fisicamente os jogadores de futebol de seus próprios times.
No início do mês o alvo foi o Flamengo, a queda na tabela de classificação no Campeonato Brasileiro, o jejum de vitórias e a perda de jogadores (alguns por lesão e outros negociados) causaram inconformismos e protestos de torcedores no treino e uma bomba foi lançada no meio do gramado onde atletas realizavam as atividades, deixando todos apavorados, alguns foram até atingidos por estilhaços, como foram os casos de Obina e Dininho, que sofreram ferimentos leves.
Em Salvador, na semana passada foi a vez do Bahia, no Fazendão cerca de 50 torcedores identificados com a camisa da facção organizada Terror Tricolor invadiram o centro de treinamento e entraram em confronto com os jogadores. Um inflamado protesto que se transformou num verdadeiro campo de batalha. Agressões para todos os lados, socos e pontapés e muitos disparos de rojões em direção aos atletas. O motivo do estopim, segundo a imprensa da capital, seria o acerto para o pagamento do bicho pelo empate com o Gama dentro de casa. Além da pancadaria, os jogadores foram acusados de mercenários.
A decepção da torcida com o time que entrou como um dos favoritos para retornar à elite do futebol brasileiro e sequer consegue encostar-se ao G4. O clima que já não era bom, depois do da humilhante derrota de 5x1 frente ao Fortaleza piorou. São visíveis os semblantes abatidos dos jogadores no retorno do Ceará, alguns têm receio até de entrar em campo. Sentem-se acuados e com medo, outros pensam até em deixar o clube, como foi o caso do líder Elias que pediu para não embarcar para a capital cearense, mas depois voltou atrás, é o seu trabalho.
É lamentável que em pleno século XXI, haja confronto com este requinte de extremismo por um esporte que deveria tão somente servir para unir pessoas. Esse tipo de torcedor de estádios e de treinos, geralmente está lá apenas para arranjar confusão e fazer baderna. Vive na ociosidade, na vagabundagem e na delinqüência. A única coisa que consegue é provocar o sentimento negativo e abalo emocional nos jogadores. Sinceramente não consigo imaginar que pessoas civilizadas sejam capazes de atos tão covardes. O pior de tudo é que eles quando vão presos transformam-se em “santinhos” ninguém fez nada, não sabem de nada, escondem os rostos e, conseqüentemente, nenhum é punido. A isso nunca se pode chamar de “torcida organizada”.
Chega-se à conclusão que parece que atualmente as pessoas andam com os nervos a flor da pele, qualquer besteira é motivo para acirrar os ânimos, extravasar a ira e o ódio. Há momentos que a avidez é tanta que ultrapassa o próprio limite da pessoa humana. Segundo a polícia, hoje em dia as torcidas programam as brigas através da Internet, marcam data e hora dos confrontos. Diferentemente de outras épocas, quando as manifestações eram mais pacíficas e brandas, apenas vaiavam os atletas, criticavam os técnicos e exibiam faixas contra os dirigentes. Mas porque acontece isso? Infelizmente não se encontra resposta! |