Por Ezequiel Sena*
O Brasil luta com todas as armas para trazer as Olimpíadas de 2016. Uma investida que não consegue empolgar o torcedor brasileiro, muitos manifestam o sentimento que é mais conveniente se estruturar para melhor competir. Já que a nossa participação nas olimpíadas tem sido muito raquítica, subimos ao pódio poucas vezes. Mesmo assim, o brasileiro festeja e se orgulha do pouco que consegue. Sem querer ferir o brio dos atletas, mas estamos acostumados com muito pouco e felizes pela nossa bravura. Não é tanto por culpa deles, entretanto, faltam mais apoio e organização para com a nossa delegação. Jamais se questiona o desempenho dos nossos competidores, temos convicção de que fazem o máximo e, muitas vezes, a ânsia é tanta que extravasa o próprio limite e acabam cometendo erros infantis.
Nas tradicionais provas de: atletismo, ginástica, natação, ciclismo, levantamento de peso, salto, arremesso, basquete etc., o Brasil precisa melhorar e melhorar muito para acompanhar os centros mais avançados. Apenas no judô, no iatismo, no vôlei de praia e de quadra é que a gente vem mantendo a performance de antes. No basquete masculino ficamos na estaca zero, o time foi desfeito e os atletas sequer apareceram. No futebol nunca tivemos êxito, mas é provável que seja por pura falta de sorte e as meninas estão fazendo a diferença. Também há de se considerar que faz tempo que não se renova a direção do COB e CBF. Perpetuam-se no poder Carlos Nuzman, Ricardo Teixeira e um grupo sem o menor interesse de abrir espaço para gente nova, mentes abertas e ideias capazes de contribuir com nutrientes necessários para o futuro do nosso esporte. O presidente da CBF permanece intocável no cargo há décadas, já foi, inclusive, acusado de cometer irregularidades. Mas não deu em nada, segundo ele, tudo calúnia e difamação!
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Os países como: Estados Unidos, Rússia, China, França, Alemanha, Itália, Cuba e etc., além do preparo técnico esportivo, investem também na formação intelectual de seus atletas. Já aqui no Brasil o dinheiro público é direcionado para outros caminhos, principalmente os que retornam em votos. Sempre faltam verbas para a saúde, para a educação e para os esportes, mas não faltam para a distribuição de cargos e apadrinhamentos. Causa-nos revolta e indignação quando se vê um atleta, principalmente aqui em Conquista, se lamentando porque não conseguiu um mínimo patrocínio. Dá inveja as entrevistas do nadador americano Michael Phelps afirmando que vai ganhar tantas medalhas, a sua convicção é tamanha que vira realidade. Enquanto os nossos atletas ficam na esperança de trazer uma ou duas medalhas de ouro, algumas minguadas de prata e um pouco de bronze.
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Por outro lado, a nossa mania de grandeza em querer mostrar ao mundo que dinheiro não é obstáculo para convencer o COI - Comitê Olímpico Internacional que o Brasil pode e terá condições de sediar as Olimpíadas de 2016 é impressionante, parece que vivemos nadando em rios de dinheiro. Jamais se importam com a preparação e a qualidade dos nossos atletas, e, ainda, se vamos ter condições financeiras para bancar sem desfalcar outros setores carentes da sociedade. Mas isso é outro assunto. Dizer que o Brasil vai apresentar um dos maiores espetáculos da terra chega a ser ridículo. O Presidente Lula e o governador do Rio Sergio Cabral estiveram em Pequim tentando convencer aos chefes da Comissão Olímpica que temos condições suficientes de abrigar os jogos. Porém, é bom ter em mente que uma olimpíada é muito diferente dos jogos Pan-americanos!
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Já a grande imprensa, muitas vezes, exagera nas transmissões e se esquece de mostrar a realidade. Alardeia os mínimos fatos de maneira incomum e endeusa a acanhada participação brasileira nas olimpíadas. É verdade que o nosso nadador César Cielo deixou o mundo boquiaberto, mas isso é uma exceção. Entretanto, há de se observar que ele estuda e treina nos Estados Unidos, juntamente com as feras da natação para poder competir em igualdade de condições. Se aqui ficasse as suas chances seriam ínfimas.
É até polêmico um leigo como eu opinar sobre este assunto, mas não consigo imaginar o Brasil sediando os jogos sem ter que sacrificar outros setores da sociedade. Contudo, se aprovarem vai ser preciso passar uma borracha no que ficou pra trás e fazer o nosso dever de casa. Os problemas internos, que não são poucos, precisam ser reavaliados e repensados. A participação governamental tem que ser visível, notadamente nas bases. Nossas escolas deverão ser equipadas com a construção de quadras, piscinas, pistas de atletismo e etc., para que haja condições de surgir nas gerações futuras grandes atletas. Na verdade uma mudança radical nas estruturas básicas. Não dá mais para ficar no faz de conta e querer medir forças com as grandes potências esportivas. Do contrário, vamos apenas preparar a festa para assistir e aplaudir as maravilhosas exibições estrangeiras. |