Por Paulo Pires*
Cachorro Candidato
Os Estados Unidos da América é um país espetacular. Lá, efetivamente a democracia, pelo menos aquela referente ao consumo interno, funciona direitinho. As coisas são organizadas e atendem em quase sua totalidade à concepção de Estado do Bem Estar Social. A gente fala mal da hegemonia americana, da arrogância americana, do capitalismo americano, da intromissão americana, em suma, de uma cacetada de coisas desprezíveis que os americanos fazem e tentam impor ao resto do mundo. Uma coisa, porém, é certa: Não há no planeta nação onde os direitos do cidadão (os de lá, claro) sejam mais reconhecidos.
O lema da bandeira brasileira [Ordem e Progresso] teria que estar na bandeira dos yanques. Nunca um ideal esteve tão adequado a uma nação quanto o nosso está para a terra do Tio Sam. É impressionante. As coisas lá têm ordem. E para não fugir aos princípios positivistas, o termo Progresso é presença constante no quotidiano de cada cidadão. Dito isso, transcrevo abaixo uma peripécia atribuída a uma cidadã americana de nome Tress Turner, 43 anos. A semana passada a senhora Turner tomou uma decisão quase inconcebível para os brasileiros. Leiam a matéria:
Um dos candidatos à prefeitura de Fairhope (Alabama, EUA) na próxima eleição é consideravelmente mais peludo que os outros. Ele também tem duas pernas a mais que os concorrentes e um rabo que não pára de balançar. Ele é Willie Bean Coltrane, um cão labrador de 7 anos de idade.
Willie foi inscrito como candidato por sua dona, Tress Turner. Ela tem uma Cafeteria na cidade e era "politicamente neutra" - até que um dos candidatos colocou uma placa em frente ao seu estabelecimento comercial.
Tress não gostou e, depois que os diálogos com o candidato fracassaram, resolveu lançar seu próprio cachorro como concorrente.
Mas Willie Bean talvez não tenha nascido para a política, ela diz: "Quando um cachorro pequeno late, ele corre". Quer dizer, o cachorro da senhora Turner é frouxo, diferente dos políticos, sempre valentes.
O comitê eleitoral de Willie Bean funciona na Cafeteria de Tress. É lá que os eleitores do cão labrador podem comprar camisetas e placas com a imagem do candidato. "Eu acho que ele vem para somar", diz um dos moradores da cidade, senhor Vince Kilborn, de 66 anos (essa é boa, ah, ah, ah). "Precisamos de sangue novo", completa.
Julie Ford, que trabalha como voluntária em um abrigo de animais da cidade, diz que Willie Bean é muito modesto em suas pretensões. "Ele deveria se lançar como presidente, diz a senhora de 61 anos”.
Vejam o que é uma democracia. Até um cachorro pode se candidatar a prefeito nos Estados Unidos. Se não estou enganado, uma vez lançaram aqui no Brasil, de modo não oficial, um macaco como candidato a deputado. Tião era o nome do primata. Só não confirmo é se foi eleito. Acho que não. Minha intuição persiste pelo fato de até agora meu amigo Antônio Roberto não informar se chegou a assessorar o famoso símio. Nosso amigo Tonhe entra na história (ou estória?) por causa de sua enorme capacidade para compreender linguagens e sinais dos orangotangos e chimpanzés (e as dos seres humanos também, óbvio). Acho que se tivéssemos elegido um macaco, nossa despesa diminuiria bastante. Fiz as contas: Oito cachos de banana d´água, 10 cachos de banana nanica, dois vasilhames de plásticos adquiridos no Lojão de R$ 1,99 (Santo Importados) e mais umas besteirinhas para ele brincar. Êta político barato! Mas é isso aí. Brincadeira á parte. É hora de votar sério! Um abraço cordial e para a senhora Turner eu diria: vamos parar de cachorrada. Até a próxima.
Paulo Pires (*) Professor UESB-FAINOR. |