.
.
  Canais
Página inicial
Fale com Paulo Nunes
Perfil
Comentários: regras
Vitória da Conquista
 
  Colunistas
Jeremias Macário
Luciano Pires
Francisco Silva
Esequiel Sena
Paulo Pires
Dimitri Laguna
Jarbas Lacerda
Mozart Tanajura
Ruy Medeiros
Paulo Araújo
Paulo Nunes
 
  Institucionais
Municípios da Bahia
Assembléia Legislativa
Câmara dos Deputados
Câmara de Conquista
Revista Envolverde
Última Instância
 
  Serviços
Bancos
Correios
Previdência Social
Lista Telefônica
Loterias
Previsão do Tempo
Receita Federal
 
  Tempo
Previsão do Tempo
Todas as cidade da Bahia
 
 
 
 
 
 
 
DENTES DE OURO
comente imprima
:Publicado em 02/08/2008, às 07:58

Por Francisco Silva*

Quando me ocorreu escrever sobre este tema, eu visava, e assim, procurarei dentro este meu artigo, falar de pessoas notórias em nossa cidade. Mas, não pude deixar de me render ao assunto que em cerca de duas décadas passadas gerou um alarido sem precedentes em nossa cidade, mais precisamente, em algumas denominações religiosas evangélicas. Um fenômeno, que teve em sua primeira edição, a boca da dona Guilhermina Morais da Rocha, mãe de santo em Cidade do Salvador-BA, segundo ela, e o Jornal A Tarde noticiou àquela época, a mãe de santo baiana dormiu e acordou no dia seguinte com uma restauração que antes era de amálgama simples transformada em ouro. Isso ocorreu em janeiro de 1985, três dias mais tarde um outro pai de santo de Feira de Santana, o senhor Zé Gomide do Centro Sete Caboclos, também procurou dar publicidade de que dois dentes inteirinhos em sua boca também, da noite para o dia se transformaram em ouro, frise-se, dentes totalmente restaurados com placas de platina ou amálgama, tanto os dentes da dona Guilhermina como os do Zé Gomide.

Sem deixar de pegar um gancho nos acontecimentos dourados dos dentes daqueles aficionados religiosos, o escritor baiano Sérgio Antunes de Ávila, em sua obra “Fenômenos do Mundo Espiritual” de 1987, fez algumas advertências, todas no bojo, dando vazão a que, tudo aquilo seria uma verdade absoluta, e por ser assim, os agraciados com aquela dádiva divina de “Oxalá” não deveria e não deverá dar publicidade, pois, esse era um sinal da vinda de o Grande Ser, o Grande Maitreya. Segundo o espiritualista escritor, essa era uma representação da riqueza espiritual a que estavam sendo agraciados os filhos voltados especialmente para a pureza de espírito.

Saindo dessa riqueza espiritual, voltamos ao que chamamos de riqueza material. Os dentes de ouro até quatro décadas atrás, eram sinônimo de prosperidade em um meio social. As pessoas mais aquinhoadas economicamente, davam demonstração da sua condição financeira restaurando os seus dentes que precisavam de algum tratamento com o precioso metal; havia até, quem, mesmo não precisando de qualquer tratamento dentário, fazia a substituição de um ou alguns dentes pelo de ouro. Em nossa cidade, muitos eram os que tinham tais jóias substituindo os dentes naturais; mas, havia alguns entre os nossos cidadãos, que tinham a boca literalmente de ouro. Naqueles tempos, alguns chegavam a ser conhecidos como, por exemplo, “Fulano Boca Rica”. Desses, o Nelson, um dos cidadãos que ostentava uma boca dourada. Homem de posses e de capital, uma boa empresa de peças no ramo automotivo, tinha, na década de setenta e oitenta a admiração dos que conviviam com a sua rotina diária, e era muito conhecido pela sua boca.

Mas, havia um cidadão conquistense que, era conhecido como Vital Boca Rica. Os seus dentes eram todos literalmente de ouro. Sua atividade comercial era no Mercado Municipal. Na porta de entrada do mercado lá estava em frente o seu Box (ou barraca como era conhecida). O seu Vital quando esboçava um sorriso – acho que ele nunca sorriu – assustava-me, eu tinha medo, aliás, difícil era encontrar entre nós garotos quem não tinha medo do seu Vital. Para mim, ele era uma pessoa que nós crianças não devíamos ter como amigo; todavia, o medo que eu tinha dele logo se dissipava quando, junto ao meu pai, - que era amigo e velho conhecido dele - eu os ouvia batendo papo, aí, eu via que ele era uma pessoa boa, pelo menos temporariamente. Eu pensava naquela época que, ele parecia tão íntimo do meu pai fosse porque, o meu pai ainda guardava em sua boca vestígios de um tempo em que lhe foi economicamente favorável, afinal, ele tinha dois dentes de ouro.

A diferença estabelecida nos dentes de ouro destas duas versões, ancora-se em que, as jóias implantadas por dentistas nas bocas dos nossos ricos eram frutos de uma ostentação do quanto eles economicamente no meio social representavam; havia desta forma um investimento material. Já na panacéia encenada por alguns membros das religiões citadas, e os pais de santos baianos, a ciência se incumbiu de desmascarar a farsa da riqueza espiritual, os dentistas que se interessaram pelo assunto que causou tanto frisson nos meios evangélicos, inclusive em Conquista em início da década de noventa, mostraram que, muitos profissionais estavam utilizando um material diferente da amálgama de prata, material este que assume coloração dourada após algum tempo na boca, por causa da ionização do organismo. Há que se perceber nesse episódio, que, tanto os pais de santos baianos como os líderes das religiões envolvidas nessa “tal riqueza”, que, um caso flagrante de falsidade de ordem material estabelecera-se em seu seio religioso e eles sequer nada fizeram para impedir tal propagação. Inocentes eles não eram, acreditar em Papai Noel, duvido que eles acreditem ou acreditavam.

* Francisco Silva Filho de Curitiba

 
.
  Apoios
.
 
.
.
.
.
.
.
Hoje Pesquisas
.
Hoje Pesquisas
.
Fainor
.
Águia Filmes
.
  BlogTV
.
  Outros canais
Conquista Bairro a Bairro
Artigos
Entrevistas
Cidadania
Especiais
Imagens
Polícia
Artistas
Saúde
Meio Ambiente
Música
Esporte
Vídeos
Conheça sua cidade
 
.