Por Francisco Silva*
Todos nós conquistenses, independentemente da idade, sofremos de um mal histórico em nossa cidade; assistimos passivamente ao aparecimento de equipes em cidades como Alagoinhas, Feira de Santana, Camaçari entre outras tantas cidades do interior, enquanto nós ficamos por longos quinze anos sem uma equipe de futebol que nos representasse dignamente no certame baiano. Agora, há que se frisar, que os times que apareceram para nos representar ao longo de toda a história anterior do futebol conquistense, jamais qualquer das equipes chegou as quartas de final do campeonato baiano. Aliás, as equipes que se sucederam na representação conquistense, não passaram de um lamentável fiasco para os nossos sentimentos, bem como, para a nossa economia.
Nos dias atuais, assim como, desde a sua fundação, uma equipe desafiou esta história negra do nosso futebol. O ECPP Vitória da Conquista, por sua administração, até que me provem em contrário, tem dado um excelente exemplo de administração e seriedade para com as coisas que envolvem essa paixão que não é só nossa; o futebol do nosso Conquista tem premiado aos torcedores conquistenses, assim como a todos os conquistenses independentemente das suas paixões. Ao poder público, o Conquista também tem premiado e levado o nome da nossa cidade para fora das nossas fronteiras conquistenses e baianas.
Causa-me excepcional surpresa, que os nossos conterrâneos não têm dado o devido apreço ao esforço que a administração do Conquista por seu presidente Ederlaine tem despendido em favor da nossa cidade. Ederlaine, assim como toda a diretoria do ECPP VC tem feito os investimentos que o time precisa para continuar nos representado com dignidade. Eu sou testemunha do quanto se falou no rádio conquistense sobre o potencial da torcida conquistense. O Hérzem, assim como o Edmundo Vieira gritava alto e bom som: “contratem bons jogadores que a torcida paga!” eu concordei com isso, tanto é que, nas minhas participações no programa Esporte Cidade eu endossava os reclamos do Hérzem e do Edmundo. Nós acreditávamos nisto, acredito ainda, que esta manifestação motivou a diretoria a buscar reforços, fazer um Conquista à altura de uma cidade que tem trezentos mil habitantes, o resultado está aí!
Contra-senso, os torcedores conquistenses não estão respondendo com a devida atenção ao Clube e aos seus investimentos. Estão, todavia, reclamando das diversidades do tempo e da falta do programa governamental ‘a sua nota é um show’. A propósito, sobre esta iniciativa do governo estadual, eu sou testemunha que poucos são os beneficiados com tal incentivo. Quando os ingressos chegam para serem trocados pelas notas, mais de setenta por cento da carga fica em mãos de pessoas que comercializarão tais ingressos entre R$ 5 e 8,00 reais. No último jogo que eu assisti aí no Lomantão no dia 02/02/2008 contra o Bahia, eu comprei ingresso em última hora em mãos de cambistas, e o mesmo era o da ‘sua nota é um show’ por R$ 10. Logo se pode constatar que, o incentivo do governo em pouco ou nada contribui para quem se faz presente nas arquibancadas. A questão da adversidade climática não deve ser levada em consideração, haja vista, que o futebol sempre se desenrolou ao relento, os torcedores apaixonados não se importam com chuva e sol, frio e calor. O que os desmotivam, para mim ainda é desconhecido. Ou melhor, preocupado que estou com essa ‘falta’ do torcedor ao estádio, resolvi dar alguns telefonemas para alguns torcedores em bairros diversos daí de Conquista. Telefonei para conhecidos em bairros como: Patagônia, Alto Maron, no Aparecida, Guarani, Bateias, como também para parentes. Todos foram unânimes em afirmar que, embora ‘a sua nota é um show’ fosse de difícil acesso para eles, ainda assim, no final das contas, na porta do estádio ou nas mercearias da sua região eles compravam em torno de R$ 5 o ingresso que deveria ser de graça. Decifrando o sentimento geral: o povo acha que é caro, ou está acima do seu poder aquisitivo o valor do ingresso nas bilheterias, desta forma, ausentando-se do estádio.
Saindo dessa polêmica, eu prefiro pensar que as coisas de nossa cidade têm mais ou menos o mesmo desenrolar do tipo: “todo balaio novo tem sete dias de torno”. Quem nunca ouviu falar este ditado popular? Muito incautos aí em Conquista, às vezes pagam para ver, e pagam caro para sentir no próprio bolso o quanto custa uma novidade em nossa cidade. Um novo bar, recém inaugurado fará sucesso enquanto um novo não for inaugurado; parece até, que os consumidores serão sempre os mesmos, por isso, não poderão estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou, se o crédito se esgotou, parte-se então para o novo. O point e o lugar das farras serão sempre diversos. Ou seja, o amor é eterno enquanto dure!
*Francisco Silva Filho – Curitiba-PR |