Após mais de 7 horas de reunião, o ministro Hélio Costa, anunciou na noite deste sábado (19) o fim da greve dos Correios. A reunião entre ministro, diretoria dos Correios e representantes da categoria aconteceu na sede da empresa em Brasília durante toda a tarde. "Em menos de 15 dias, esperamos que em 10 dias, o trabalho esteja normalizado", previu Costa. Por conta dos 19 dias de greve dos funcionários, cerca de 130 milhões de correspondências estão atrasadas. "O trabalho deverá ser normalizado nesta segunda de manhã", indicou o ministro, "o sindicato já está comunicando suas lideranças estaduais neste sentido".
O representante da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) disse que os sindicatos serão orientados para encerrar a greve. "Precisamos configurar esse acordo no papel. Vamos trabalhar agora na redação do documento. Se for acertado assim, a federação orientará pelo fim da greve", disse Manoel Cantoara, secretário-geral da federação.
Na segunda-feira, sindicatos em todo o país vão deliberar sobre o acordo feito neste sábado. Cantoara disse que é preciso formalizar o que ficou acertado porque "outros dois não foram cumpridos". Ele se referia ao acordo fechado com os Correios em novembro e ratificado em abril, que já previa várias das reivindicações da categoria.
O ministro esclareceu que os dias parados serão compensados em horas a mais de trabalho para colocar a correspondência em ordem. Cerca de 130 milhões de objetos simples e registrados estão parados, o que corresponde a 31% do total. No caso das encomendas, que tiveram prioridade durante o período da greve, menos de 4% ficaram paradas. No total, 10,2 milhões de malotes e Sedex trafegaram nos Correios nos últimos 19 dias.
Este sábado foi a primeira vez que Hélio Costa entrou em cena para intermediar um acordo entre os Correios e os trabalhadores. Segundo ele, a questão dos dias parados foi discutida com o presidente Lula. Para o ministro "faltou comunicação" para resolver a questão em menos tempo. Ele também voltou a afirmar que a greve deve ser "sempre o último recurso".
Reivindicações
Os funcionários pediam adicional de periculosidade e queriam rediscutir o plano de cargos e salários e a participação nos lucros da empresa. O primeiro item ficou acertado da seguinte forma: os carteiros terão um adicional de 30% incorporado ao salário, enquanto atendentes de guichê e motoristas que fazem entregas receberão um abono com valor fixo de R$ 260 que, segundo os Correios, corresponde a 30% do valor do salário médio do carteiro.
Ainda segundo os Correios, os carteiros receberam 30% de adicional de janeiro a junho deste ano, a título de "abono emergencial". A partir daí, foi definido o valor fixo de R$ 260 e ampliado o pagamento para atendentes e motoristas. A insatisfação teria ficado por conta do salário fixo, que ficaria abaixo de 30% para alguns carteiros.
"Os Correios continuam a pagar o bônus [referente ao adicional de periculosidade] que vinha sendo pago, sendo que os 30% serão incorporados definitivamente ao salário", afirmou Costa.
Sobre o plano de cargos e salários, Costa afirmou que "as discussões continuam até a data-base [1º de agosto] quando será apresentada uma proposta". Estas negociações podem ser intermediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que chegou a ser consultado neste sábado. A consultoria jurídica dos Correios tinha dúvida sobre o aspecto legal do adicional de periculosidade para o serviço postal, que não figura na legislação brasileira. O TST teria dado aval para que a proposta referente aos 30% fosse formalizada.
Outra reivindicação refere-se a participação nos lucros da estatal. Para a categoria, os Correios definiram os critérios de distribuição de lucros e também de cargos e salários sem consultar os representantes dos trabalhadores. "Foi uma medida tomada de forma unilateral", afirmou Valdir Antônio Candeu, secretário do sindicato de São José do Rio Preto (SP), que ficou todo o sábado na sede em Brasília esperando o desfecho da reunião.
Ele acredita que a greve deve terminar na próxima semana. "Normalmente os sindicatos seguem a orientação da Federação. Além disso, o movimento já enfrenta um desgaste, porque são quase 20 dias de paralisação. Não é bom para a sociedade, nem para a empresa, nem para a gente", avalia.
Segundo ele, o movimento grevista também se enfraquecia pela ação da empresa. "Nos intimidavam com telegramas, que traziam argumentos e, no fim, pediam um compromisso com o trabalho. Também cortaram o vale alimentação que a gente recebe no dia 15. Mas isso já disseram que vão pagar assim que a gente voltar",d disse.
Segundo o último levantamento dos Correios, 21 Estados e o Distrito Federal estavam em greve até ontem. A adesão era de 17,2% entre os 108 mil empregados e 25,5% entre os 53 mil carteiros empregados. |