A Polícia Federal divulgou ontem trechos da reunião realizada na última segunda-feira em São Paulo que definiu a saída do delegado Protógenes Queiroz das investigações da Operação Satiagraha. As gravações foram divididas em três trechos. De acordo com a PF, são trechos aleatórios e editados pela instituição. Num dos trechos, Protógenes afirma que não pretende reassumir o inquérito nem depois de concluir o curso que fará —motivo de seu afastamento. “E até mesmo depois da academia eu não pretendo [voltar]”, disse o delegado na reunião.
Os áudios contêm as vozes de Protógenes, do diretor de combate ao crime organizado da PF de Brasília, Roberto Troncon Filho, e do superintendente em São Paulo, Leandro Coimbra, e outros seis delegados federais.
Em outro trecho, Protógenes elogia o delegado-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. “Eu devo praticamente 100% da execução dessa operação a dois homens de bem dessa Polícia Federal. Primeiramente eu destaco doutor Troncon. Em segundo, o doutor Leandro. Em terceiro, como coadjuvante dos dois, eu não poderia me esquecer aqui também do doutor Luiz Fernando Corrêa. Ele era sabedor dessa operação e correu tudo bem.
Inicialmente, a PF havia informado que não divulgaria as gravações. Mas voltou atrás depois de analisar o áudio. A Folha Online apurou que a PF considerou que havia trechos da gravação que poderiam ser divulgados por esclarecer a saída de Protógenes das investigações.
As gravações foram divididas em três trechos. De acordo com a PF, são trechos aleatórios e editados pela instituição.
A decisão de divulgar os trechos da gravação foi tomada durante reunião nesta quinta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-interino da Polícia Federal, Romero Menezes —esse último substitui o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que está em férias—, apurou a Folha Online.
A reunião foi convocada extra-agenda oficial do presidente e ocorreu no momento em que o presidente pressiona para que o delegado Protógenes Queiroz continue no comando da operação.
íntegra dos trechos da reunião
A Polícia Federal decidiu divulgar trechos do áudio da gravação do encontro da cúpula da direção-geral da instituição, na última segunda-feira, em São Paulo, que discutiu o afastamento dos delegados da Operação Satiagraha Protógenes Queiroz, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro.
Inicialmente, a PF havia informado que não divulgaria as gravações. Mas voltou atrás depois de analisar o áudio. A Folha Online apurou que a PF considerou que haviam trechos da gravação que poderiam ser divulgados por esclarecer a saída de Protógenes das investigações. As gravações foram divididas em três trechos. De acordo com a PF, são trechos aleatórios e editados pela instituição.
Os áudios contêm as vozes de Protógenes, do diretor de combate ao crime organizado da PF de Brasília, Roberto Troncon Filho e o superintendente em São Paulo, Leandro Coimbra, e outros seis delegados federais.
Protógenes: “Eu não preciso nem falar em relação ao doutor Troncon. [..] Eu devo praticamente 100% da execução dessa operação a dois homens de bem dessa Polícia Federal. Primeiramente eu destaco doutor Troncon. Em segundo, o doutor Leandro. Em terceiro, como coadjuvante dos dois, eu não poderia me esquecer aqui também do doutor Luiz Fernando Corrêa. Ele era sabedor dessa operação e correu tudo bem. Na minha avaliação, tirando os erros que a gente está avaliando aqui hoje, que é uma avaliação de erro para nós corrigirmos e nos policiarmos. Houve a presença da imprensa aqui em São Paulo, houve. Falhou, falhou. Quem falhou? O Queiroz falhou porque o doutor Troncon me depositou e eu firmei compromisso com ele, mas falhou ao meu controle.”
Protógenes: [...] E até mesmo depois da academia eu não pretendo. A minha proposta é: eu fico até o final da operação, porque eu criei um problema para os meus colegas delegados, criei um grande problema, e eu acredito que para você também, e a minha proposta é essa. É permanecer a minha vinculação no seu gabinete à sua disposição até o final dos trabalhos, pra não ficar aquela pecha de que Brasília vem fazer operação nos Estados e deixa no meio do caminho. As minhas nunca ficaram no meio do caminho. As minhas nunca ficaram. E, a exemplo dessa, não vai ficar. Só que com um diferencial. Eu não vou estar presidindo, eu não pretendo presidir nenhuma investigação. Aí ficaria uma coisa, um trabalho, coletando dados.”
Troncon: “Se eventualmente, dentro do desdobramento natural desse inquérito que você instaurou, se você concluir antes desse período de você ir pra academia, sem nenhum problema. Agora, se não conseguir, dentro da melhor técnica, se falar não, se requer mais tempo, requer maior análise, aí a gente passa pra um dos colegas.”
O advogado Renato de Moraes protocolou ontem um habeas corpus no TRF-3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, em São Paulo, com pedido de liminar para libertar Humberto Braz, assessor do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, ambos investigados na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
Moraes entrou no pedido no tribunal regional porque o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, rejeitou a extensão do habeas corpus que soltou Dantas a seu cliente.
No recurso, o advogado questiona a falta de documentos no pedido da prisão preventiva de Braz, mas não detalhou quais. Sobre o argumento de Mendes de que Braz iria atrapalhar as investigações, o advogado disse que se seu cliente tivesse esse objetivo ele não teria se entregado. A Operação Satiagraha prendeu 17 pessoas no último dia 8 por suposta participação em crime de lavagem de dinheiro. Entre os presos estavam Dantas, o investidor Naji Najas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o consultor Hugo Chicaroni.
Senador vai ao STF para saber se é investigado
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) ingressou ontem no STF (Supremo Tribunal Federal) com pedido para ter acesso à íntegra do inquérito da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Heráclito anexou pedido de extensão ao habeas corpus concedido pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas, com o objetivo de ter acesso à íntegra do inquérito.
O advogado de Heráclito, Délio Lins e Silva, afirma no pedido que decidiu anexá-lo ao habeas corpus de Dantas uma vez que Mendes permitiu que todos os investigados pela Operação Satiagraha tenham acesso o teor dos documentos já anexados aos autos da investigação. Heráclito quer saber, principalmente, se está sendo investigado pela PF na Operação Satiagraha.
Reportagem da Folha afirma que, entre os interlocutores políticos de Dantas que apareceriam nas conversas telefônicas gravadas pela PF durante a operação, estaria o nome de Heráclito. O nome do senador apareceria supostamente no relatório da Operação Satiagraha em dois momentos: em uma conversa grampeada com Guilherme Sodré Martins, apontado como lobista do grupo Opportunity, e no suposto organograma da organização criminosa desmontada pela PF como um dos articuladores políticos do esquema.
No pedido encaminhado ao STF, o advogado de Heráclito, Délio Lins e Silva, argumenta que o nome do senador foi envolvido no caso de forma “ilegal, precipitada e irresponsável” —motivo que o levou a solicitar a íntegra do inquérito.
“O que importa dizer é que o nome de um senador foi exposto de forma ilegal, procurando levar uma sociedade a crer tratar-se o parlamentar de integrante de uma organização criminosa sem que o mesmo nada possa alegar em sua defesa por não ter merecido o mesmo privilégio dedicado à imprensa pelas autoridades policiais”, afirma o advogado. Silva critica o vazamento de informações à imprensa sobre o inquérito por integrantes da Polícia Federal ao afirmar que a instituição “sempre vaza” elementos colhidos nas investigações “com o único e claro escopo de prejudicar a imagem de outras pessoas, não envolvidas na apuração”, como o próprio senador Heráclito. |