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Lula autorizou PF a divulgar trechos da reunião sobre afastamento de delegado; ouça
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:Publicado em 18/07/2008, às 08:12

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a Polícia Federal a divulgar trechos da reunião da cúpula da instituição, realizada na última segunda-feira, em São Paulo, apurou a Folha Online. Na reunião, delegados da PF discutiram o afastamento dos delegados da Operação Satiagraha Protógenes Queiroz (foto), Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro.

A Folha Online apurou que a idéia de divulgar a gravação foi apresentada a Lula na reunião de hoje com o ministro Tarso Genro (Justiça) e o diretor-geral em exercício da PF, Romero Menezes. A idéia era usar a gravação para mostrar que Protógenes saiu da investigação por decisão própria e acabar com as insinuações de que houve pressão para ele se afastar.

Apesar da decisão ter sido tomada de manhã, a divulgação só aconteceu à tarde. Nesse intervalo de tempo, técnicos da PF selecionaram trechos da gravação que seriam divulgados. Das quase três horas de reunião, cerca de quatro minutos --editados-- foram divulgados pela PF. Num dos trechos, Protógenes diz que não pretende reassumir o inquérito nem mesmo depois de concluir um curso --motivo dado pela PF para sua saída do caso.

Em outra parte, Protógenes elogia o diretor-geral da PF Luiz Fernando Corrêa e outros colegas da instituição. Ele também admite que causou "problemas" para seus colegas de corporação.

A PF não divulgou o trecho em que ele se ofereceu para conduzir o caso aos sábados e domingos. Em nota, a PF informou ontem que a "sugestão não foi acatada pelos diretores já que traria prejuízo às pessoas convidadas a prestar esclarecimentos junto à investigação, comprometendo também a celeridade da apuração". "A autorização quebraria ainda a regra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantes na fase presencial."

Edição da gravação

Oficialmente, a justificativa para a necessidade de haver uma seleção dos trechos é porque a reunião, realizada na Polícia Federal, durou cerca de três horas e tratou de uma série de temas --inclusive alguns considerados sigilosos pelo governo.

Porém, os trechos que interessam para divulgação são os que dizem respeito diretamente ao fato de Protógenes dar a entender que quer deixar as investigações e que pretende fazer um curso de reciclagem na academia de polícia.

Interlocutores do governo informam ser fundamental demonstrar que há clareza na operação policial, do contrário, as suspeitas sobre a ação como um todo poderiam contaminar os efeitos positivos ocorridos a partir das investigações.

Ouça

A gravação traz diálogos entre Protógenes, Roberto Troncon Filho (diretor de Combate ao Crime Organizado), Paulo de Tarso Teixeira (chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros) e Leandro Coimbra (superintendente da PF em São Paulo). Mais oito pessoas participaram da reunião.

Polêmica

Os rumores sobre o afastamento de Protógenes começaram depois de ele receber críticas sobre a condução de prisões na Operação Satiagraha --especialmente a do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, flagrado de pijamas e algemas no momento de sua prisão.

Aos amigos, Protógenes afirmou ter se sentido enfraquecido depois que Paulo Lacerda, ex-diretor da PF, deixou a polícia para assumir a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Reportagem publicada hoje pela Folha mostra que a saída de Protógenes provocou um racha na Polícia Federal.

Ontem, Lula cobrou de Protógenes a permanência na Operação Satiagraha e explicações sobre as insinuações de que foi pressionado a deixar a ação policial. Segundo o presidente, o delegado tem obrigação moral de continuar no caso. "Moralmente esse cidadão [Protógenes] tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações", afirmou Lula, após cerimônia no Palácio do Planalto. "Vender a idéia de que foi afastado é no mínimo de má fé. Não sei se ele falou ou não. Eu li isso hoje", afirmou.

Tarso disse que o delegado saiu por sua própria iniciativa e disse ser favorável à sua permanência no comando das investigações. "O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis. Manifestou em diálogo com superiores a sua vontade de sair. A saída do delegado é uma iniciativa dele. Não há nenhum tipo de iniciativa dos diretores da Polícia Federal, dos seus superiores, que determinassem a saída dele. Até esta saída dele, na minha opinião, não é conveniente", afirmou Tarso.

 
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