Os políticos baianos Jutahy Magalhães Júnior (PSDB), Antonio Imbassahy (PSDB), João Carlos Bacelar Filho (PR) e Paulo Magalhães (DEM) teriam sido, supostamente, favorecidos pelo empresário Zuleido Veras, dono da Construtora Gautama, segundo sugere matéria publicada na revista Veja desta semana. Zuleido Veras foi preso ano passado durante a Operação Navalha, deflagrada pela polícia federal na Bahia e em mais oito Estados; ele seria o cabeça da “máfia das licitações”.
O texto da Veja diz que entre os objetos apreendidos pela Polícia Federal, ano passado, algumas agendas chamaram a atenção em razão das informações como nomes de políticos relacionados a cifras. Até então, somente o prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano (PT) figurava entre políticos baianos supostamente favorecidos pelo esquema da Gautama.
Numa das cópias feitas da agenda de Zuleido, aparece escrita, abaixo da frase “campanhas políticas”, uma lista com siglas de Estados e nomes. Ao lado da sigla da Bahia (BA), figuram os nomes Jutahy e Imbassahy associados ao numeral “100” e “/P.Souto”.
Mais além, a matéria diz que Zuleido faz referências explícitas a pagamentos aos deputados federais baianos João Carlos Bacelar Filho (PR) e Paulo Magalhães (DEM). O primeiro, de acordo com a matéria, teria recebido R$ 100 mil; já o democrata teria sido agraciado com duas contribuições de R$ 50 mil cada. Embora a reportagem não tenha sequer citado algo a respeito, nas cópias da agenda de Zuleido Veras, reproduzidas na revista, aparecem, ainda, os nomes “Lula”, “Jaques” e “Geddel” – talvez uma suposta alusão aos nomes do governador Jaques Wagner e do ministro Geddel Vieira Lima.
A TARDE tentou entrar em contato com os políticos citados na matéria, mas só conseguiu contato com os tucanos Antonio Imbassahy e Jutahy Magalhães. Imbassahy negou que tenha recebido contribuições de campanha da Gautama ou do próprio Zuleido Veras e que as contas de sua campanha foram prestadas e aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Imbassahy disse, ainda, não saber por que seu nome está escrito na agenda do empresário Zuleido Veras.
Já o deputado federal Jutahy Magalhães admitiu que telefonou para Zuleido durante sua campanha solicitando ajuda, como fez com outros empresários, mas que, efetivamente, não recebeu nada. Jutahy supõe que seu nome tenha aparecido na agenda de Veras porque o empresário teria pensado em ajudá-lo, o que não ocorreu. “Não recebi nenhuma doação da empresa Gautama ou de Zuleido para a campanha e todas as minhas contas foram aprovadas pelo TRE”. Para Jutahy, a inscrição “/P.Souto”, que aparece junto ao seu nome e ao de Imbassahy, refere-se ao ex-governador Paulo Souto (DEM). |