Por Francisco Silva*
Nesta segunda-feira próxima passada (16/06), eu resolvi sair para fazer um programa na parte da tarde, programa este, que, vez por outra eu repito num intervalo de ano em ano ou um pouquinho mais que isso. O motivo do meu programa tão inconstante é na maioria das vezes ditado pelas circunstâncias que ora se assoberba frente as nossas fraquezas. Esse meu programa encontra adeptos, e, todos esses solidários adeptos também têm lá os seus motivos; motivos, aliás, que não raro me surpreendem. Mas, todos que fizeram o programa-terapia saem de lá com a cabeça e os pés literalmente nas nuvens.
Coincidência ou não; aqui também vai mais uma coincidência, no dia seguinte ao meu programa esporádico resolvi pela vez primeira – até agora a única – assistir ao capítulo da novela “A Favorita”, e, eis que, a personagem da Claudia Raia – se não me engano, o nome é Donatela – naquele único capítulo que assisti até hoje, fez o mesmo programa que eu. Pois bem, como disse antes, quando eu estou com algum problema muito sério para resolver, solitariamente, saio para fazer um programa que, não tenho qualquer dúvida em batizá-lo de “Tabaréu”. Aliás, eu nunca tive problemas em me preocupar com que, o que os outros vão pensar.
Desde que eu morava aí em Conquista, não raro, eu estava no aeroporto local, inicialmente, para ver os teco-tecos pousarem e decolarem; mas, como eu já era íntimo naquele local, ficava por lá sapeando e, acabava por jogar umas partidinhas de tranca, umas cervejinhas e quibes nas companhias do Tatu, do Carlos, do Sapo, do Fontenelle, do Valfrido e do Zé (este “in memorian”). Já aqui em Curitiba, os aviões são outros, os teco-tecos não se metem; as pessoas que gostam de curtirem tal programa são sempre vistas por mim pela primeira vez. Mas, entre nós há algo em comum: ver os “Jatões”, - como preferem alguns. Os pousos e as decolagens são sempre iguais, o ronco das turbinas são sempre os mesmos; mas, o que difere um pouso, uma decolagem e o ronco de uma turbina, é que, cada um desses procedimentos leva de cada um de nós “tabaréus” a sensação de que nossas fantasias foram ali realizadas.
Fantasias à parte, uma coisa que me chama a atenção é que, quase todas as pessoas que vão cumprir tal programa, sempre arranjam uma desculpa para não parecerem bobos que vão ao aeroporto para pura e simplesmente verem aviões pousarem e decolarem. Sempre estão olhando indisfarçadamente para os relógios, sempre deixando transparecer que estão esperando alguém que está em vôo que está sempre atrasado. Mas, os objetivos que os moveram a irem ao aeroporto, estão lá no pátio; ora parados, ora taxiando, pousando ou decolando; cumprindo a sua monótona rotina. Já outros amigos ocasionais de programa, não estão lá muito preocupados em parecerem “Jecas”, falam de tudo sobre os aviões. Falam de coisas bizarras. Há até os que falam que dentro dos aviões há para cada passageiro um pára-quedas, e que as aeromoças - ainda não se deram conta que a não tão nova denominação é: “Comissárias de Bordo” – fazem demonstração de como fazer para abrir o tal pára-quedas em caso de o avião começar a cair. Outra coisa que me deixa de cabelos em pé é a afirmação desses pseudos viajantes de “Jatões” de que os pilotos dos aviões deixam o avião no piloto automático depois que decolam, para ajudarem as “aeromoças” nas tarefas de entregarem o lanche para os passageiros.
Cá entre nós, o aeroporto é um excelente lugar para qualquer pessoa, seja ela o passageiro, seja ela o acompanhante, ou mesmo simplesmente os piolhos de aeroportos; aviões à parte, as pessoas que vão viajar estão sempre bem esmeradas nas suas vestes, é um show de modas que as passageiras esbanjam; mas, as “aeromoças”, digo: as “Comissárias de Bordo” com suas vestes justas e sempre bem maquiadas puxando o seu carrinho de bagagem que desliza pelo piso dos aeroportos é sempre um irrecusável convite para mais uma viagem aérea pelos céus do nosso imenso Brasil. “Apertem os cintos e Boa viagem!”, pois eu estarei daqui de baixo sempre que posso, ou se algum motivo extra assim me impelir vendo o pouso e a decolagem desses “Valorosos Pássaros de Pratas” como assim dizia o Amorim Filho da Rádio Bandeirantes nas décadas de 70 e 80; hoje protagonizando o “Mano Véio” na mesma Rádio Bandeirantes.
*Francisco Silva Filho – Curitiba-PR |