Por Esequiel Sena*
Ficou mais cômodo assistir televisão do que parar um pouco para ler. A concorrência com outras atividades mais dinâmicas, motivadas pela magia do desenvolvimento tecnológico contribuiu para agravar ainda mais o distanciamento do homem com o livro. A internet com suas “facilidades“ tornou-se a progenitora de milhões de jovens que estão desaprendendo o pouco que sabiam escrever, abandonando quase que completamente o hábito de ler um livro, um jornal ou uma revista. Quem não lê, não pensa, conseqüentemente não sabe, não vive, não formula, não avalia, não diferencia e não usa a inteligência na hora de decidir.
A leitura é um hábito tão prazeroso quanto necessário. É fundamental para o desenvolvimento intelectual do ser humano; uma leitura de qualidade representa a oportunidade de arejar a consciência e ampliar a visão do mundo. O contato com o livro ancora-se no encontro sagrado do comprometimento cultural. Está comprovado que a leitura regular é o caminho básico para se escrever bem e melhor empregar as palavras quando se fala. É na leitura que vislumbramos as imagens no nosso consciente viajando no universo das histórias e da nossa imaginação.
Infelizmente a maioria das pessoas em nosso país não tem o costume de fazer da leitura uma prática de vida. Ignora essa atividade por desconhecer que ela é a mais importante para o desenvolvimento intelectual do indivíduo. O hábito de ler deve começar no início de nossas vidas, e antes mesmo da entrada na escola. A infância é o terreno fértil para a formação de bons leitores, depende apenas da mediação inteligente de pais e professores. A sabedoria popular define bem o que é a leitura: “é a arte de imaginar com os olhos e enxergar com os ouvidos.” É essa arte que serve de conteúdo para fluir e instigar a capacidade intelectual das pessoas.
Os reflexos desse desinteresse são os altos índices de analfabetismos registrados no Brasil. Erradicar não é tarefa fácil, no entanto, prioritária para a nação, pois dão mostras como é necessário fazer com que as pessoas tomem gosto pela leitura. Até porque, mesmo aqueles que sabem ler, não lêem, porque não gostam ou por pura preguiça. Uma grande parte de estudantes lê por obrigação e não pelo prazer de garimpar conhecimentos e enriquecer seus vocabulários, ou ter idéias mais precisas e conscientes na hora de avaliar. O mesmo ocorre com a grande massa em geral, que também lê muito pouco ou quase nada. O Governo agora acordou para o problema e tem se preocupado muito, nesse sentido vem dando grande apoio as Campanhas de Incentivo à Leitura, tentando despertar em cada cidadão o estímulo e o interesse pela cultura literária.
Pesquisas apontaram que nós, os brasileiros, lemos pouco e muito mal. Destaca, porém, que o perfil dos leitores tem uma relação direta com os fatores de escolaridade e classe econômica. Evidentemente que quanto maior a escolaridade, maior é o índice de leitores, e que os maiores percentuais são encontrados nas classes sociais economicamente mais abastadas. Apostar em um futuro formado por uma sociedade alfabetizada, que consiga refletir, pensar criticamente, abandonar àquela consciência ingênua, assumindo uma postura critica dentro do contexto social brasileiro, outro caminho não é, senão o hábito pela leitura!
* Esequiel Sena é bancário |