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A Mídia, o Estado e o fenômeno Milícia
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:Publicado em 06/06/2008, às 18:16

Por Esequiel Sena*

Reconhecer que existem exageros e sensacionalismo da imprensa ao expor nos jornais, revistas, telejornais, rádios e internet as mazelas da nossa sociedade é evidente, mas na maioria das vezes a mídia até que tem feito o seu papel. Por mais que se repitam as críticas de que há hoje um excesso de denúncias sendo veiculadas nos diferentes meios de comunicação, mesmo assim, ainda é pouco em comparação com a quantidade de crimes que ficam na clandestinidade.

O lastimável de tudo isso, é que pouca coisa muda depois que se publica. A Polícia e o Ministério Público a despeito de algumas pressões daqui e de acolá, até que tentam investigar, mas o que parece inexplicável e frustrante, tanto para quem denuncia, quanto para quem investiga, é o descaso e a não punição. Dá para se imaginar como são frágeis os valores morais da nossa sociedade, quanto menor fica a distância entre o impulso agressivo e o ato criminoso, mais banal é a sua consumação. O malfeitor não mais se preocupa porque o que impera é o esquecimento. A morosidade com que os processos tramitam na Justiça e os recursos que possibilitam os inúmeros adiamentos dos julgamentos, a ponto de alguns crimes prescreverem ao longo dessa trajetória. Enquanto isso, a impunidade prospera se tornando num dos maiores e mais angustiantes problemas do nosso País. Não se pode deixar de lado, os escândalos políticos, que quase sempre terminam em “pizza” e que, de certa forma, acabam figurando como exemplos, e nesse diapasão o verdadeiro papel do estado desvanece. 
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A comoção causada pela morte da menina Isabella Nardoni tem explicações que ultrapassam as circunstâncias pela barbárie do ato. Crimes igualmente hediondos nem sempre têm a mesma repercussão, o que pode ser atribuído, neste caso, ao fato de a vítima ser uma criança, bem como à possibilidade, cada vez mais patente, de os assassinos serem o pai e a sua madrasta. Com base nesta hipótese é que o povo manifesta a insaciável sede de justiça. Infelizmente, só dura enquanto o assunto estiver estampado e sob os cuidados da grande mídia. O próprio tempo, em casos idênticos, se encarregou de levar ao esquecimento.
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Causam perplexidade também são as milícias armadas que se autodenominam protetoras do povo se ancorando em honras de substituir o papel do estado. Será que a Constituição não vale mais nada ou estamos enxergando pelo avesso? Enquanto o estado se omite, a ousadia avança e ai de quem interferir ou investigar como funcionam esses grupos. No último dia 14 de maio, segundo o Jornal Nacional, os repórteres do Jornal “O Dia” do Rio foram seqüestrados e submetidos aos mais cruéis requintes de tortura, justamente porque pretendiam preparar uma matéria que mostrasse como vivem as pessoas em um local controlado por milícias. O mais curioso disso tudo é que as autoridades sabem como funcionam, inclusive o próprio o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, em entrevista coletiva confirmou a existência de policiais envolvidos neste seqüestro.
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Agora durmam com um barulho desses, justamente aqueles que vestem a farda para defender a população, se camuflam de autoridades, num ato gravíssimo e que deve ser classificado como um verdadeiro atentado à liberdade. É sabido que a competição existente entre os meios de comunicação e os próprios jornalistas, na ânsia do furo de reportagem, muitas vezes propicia a exposição desses profissionais a esse tipo de risco, mas nem por isso eles devem se acovardar e deixar de executar com dignidade o seu trabalho.
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A população que vive assustada e descrente com as ações enérgicas do poder público, pela orfandade que está submetida, termina contribuindo inconscientemente para a proliferação desse tipo de pseudo “anjos” defensores do povo.

* Esequiel Sena é Bancário aposentado
 
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