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Cadê o Primeiro Emprego?
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:Publicado em 31/05/2008, às 08:27

Opinião do Gama

Estudo recente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou que o Brasil está no topo do ranking em relação ao número de jovens desempregados, entre dez países avaliados. Nossa taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é 3,5 vezes maior que a dos adultos, e essa relação vem crescendo a cada ano.

É certo que existe maior resistência das empresas em contratar pessoas com menor experiência profissional pelo fato de precisarem arcar com o custo de treinamento. A situação se agrava pelo fato de a economia não apresentar crescimento expressivo. Temos um verdadeiro “exército de mão-de-obra” disponível, jovens que, em geral, têm baixa ou nenhuma qualificação profissional.

Outro problema é que as empresas preferem demitir um funcionário jovem, que esteja fazendo estágio ou em treinamento, porque o custo da indenização é, na maioria das vezes, bem menor. Além disso, o jovem trabalhador é visto como “descartável”, se considerada sua importância dentro da engrenagem corporativa.

A única saída para o jovem brasileiro que busca oportunidade profissional, ou um simples emprego, é a informalidade, assumindo vagas temporárias, geralmente com baixa remuneração.

No âmbito educacional, a situação é igualmente crítica: o jovem das classes sociais menos favorecidas nem chega a concluir o ensino básico, o que obstrui ainda mais sua entrada no mercado de trabalho.

Infelizmente, o governo, que poderia ajudar a reverter essa situação, pouco faz.  Basta olhar para um dos programas oficiais, o Primeiro Emprego, lançado no começo do governo Lula com grande estardalhaço, hoje apenas peça de ficção. Grande bandeira de campanha do Lula nas eleições, o programa acabou reduzido a uma simples página na internet, e ninguém fala mais nisso.

De fato, necessitamos de políticas públicas que assegurem a profissionalização e a empregabilidade dos jovens. Mas é necessário criar e implementar políticas e programas sérios, que atendam de verdade às demandas dessa comunidade. Ninguém quer esmola do governo Lula, muito menos ser garoto propaganda da máquina estatal!

*Luciano Gama, economista, Consultor em Políticas Públicas

 
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