Por Ezequiel Sena*
Mais uma vez a nossa Amazônia voltou a ser o centro das discussões mundiais. A corrida presidencial nos Estados Unidos acabou trazendo à tona novamente a questão da preservação da floresta. O candidato a presidência Barack Obama afirmou que considera a Amazônia como "recurso global", e que pretende restabelecer a liderança norte-americana no hemisfério sul. Já nesta segunda-feira (26/05), o jornal "O Globo" publicou que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) abriu uma investigação sobre um dos fundadores da Cool Earth, o empresário Johan Eliasch, que possui dupla cidadania (britânica e sueca). Ele teria dito que se poderia comprar toda a Amazônia por 50 bilhões de dólares.
É evidente que o interesse dos Estados Unidos é de longas datas, o então senador norte-americano Al Gore, afirmara que "ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é sua prioridade, mas pertence a todos nós." Em 1989, o então presidente da França, François Mitterrand, disse que "o Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia." Jornais importantes como o The New York Times (E.U.A.) e o The Independent (Inglaterra), publicaram matérias afirmando que essa parte do mundo é importante demais para ser deixada nas mãos dos brasileiros.
É duro engolir isso; e também é muita petulância dos estrangeiros em querer dar ordens na cozinha dos outros. A ousadia é tamanha que existem vídeos sendo exibidos na internet acerca do tema, justamente para fazer a cabeça dos menos avisados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou irritado com esses boatos e nesta segunda-feira ao participar do 20º Fórum Nacional - BNDES - disparou: "o mundo precisa entender que a Amazônia tem dono e o dono somos nós, os brasileiros".
Isso me fez recordar de um questionamento feito por um estudante americano ao professor e humanista Cristovam Buarque durante um debate em uma Universidade nos Estados Unidos em 2000. O rapaz que incitou o debate foi logo dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Cristovam Buarque respondeu: "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com aquele patrimônio, mesmo assim, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Igualmente, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um País. Depredar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais.....”
Ninguém discorda que a preservação da Amazônia deve ser um assunto de grande importância para nosso País, mas de modo algum deve sofrer interferências ou “pitaco” de estrangeiro. Não precisa ir longe, basta à quantidade de ONGs sinistras de outros países camufladas naquela região. Se não bastasse as ameaças internas que enfrentamos com: grileiros, intermediários, latifundiários, madeireiros ilegais, pistoleiros e etc.
Por outro lado, a polêmica serve de lição. Agora com a troca de ministro, por sinal quebrou o protocolo na posse, ao invés do tradicional terno, apareceu simplesmente de colete, mas isso pouco importa, vamos ver qual a postura que ele vai adotar daqui pra frente. O que também preocupa na Amazônia é a demarcação das reservas indígenas, vez que isso pode até fragilizar a proteção e a área ficar vulnerável a ataques externos, notadamente nas zonas de fronteira. Enquanto os índios, não se vislumbra qualquer perigo, pois não podem vender ou alugar a terra, dela, por direito, possui apenas o usufruto. |