Um acordo costurado pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), modificou os rumos da eleição municipal de Salvador. Líder em todas as pesquisas realizadas até agora, o radialista e apresentador de televisão Raimundo Varela (PRB) aceitou ser candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB).
O acordo, fechado em São Paulo, deve ser anunciado oficialmente nos próximos dias em Salvador. Nesta quarta-feira (21), em Brasília, onde almoçou com Imbassahy, o radialista Varela disse que "tudo foi acertado". "É claro que preciso comunicar oficialmente a decisão tomada ao presidente do PRB [Vítor Paulo] e ao vice-presidente José Alencar, a maior liderança do partido", o apresentador, que trabalha na TV Itapoan (Record), empresa administrada pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Mais cauteloso, Imbassahy confirmou as negociações, mas disse que o governador Serra não participou do encontro. Além de Varela, segundo Imbassahy, a reunião contou com as presenças do presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PSDB), do executivo Alexandre Raposo, presidente da Record, e de outras lideranças da igreja. No entanto, políticos ligados a Imbassahy contaram que o governador Serra incentivou o acordo.
Com essa aliança, Imbassahy, que administrou Salvador durante oito anos (1997 a 2005), sempre apoiado pelo grupo do então senador Antonio Carlos Magalhães (1927/2007), pretende ganhar o apoio das classes C e D, onde o radialista possui o maior número de votos. Já o ex-prefeito possui a sua maior base de votos entre as classes mais altas.
Apesar da grande popularidade nas pesquisas de opinião, Raimundo Varela viu na aliança uma maneira de ter reais chances de chegar ao Palácio Thomé de Souza, sede oficial da Prefeitura de Salvador. Como o seu partido possui cerca de 40 segundos de tempo na televisão, e a sua tentativa de aliança com o PR, do ex-governador César Borges, não deu certo, o radialista decidiu unir forças com o ex-prefeito. O apoio de Varela também foi disputado pelo deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, pré-candidato do DEM à sucessão municipal.
Em caso de uma eventual vitória de Imbassahy em Salvador, o governador José Serra terá um palanque político com mais densidade em 2010, caso dispute a sucessão presidencial. Até então, o governador paulista contava apenas com o apoio do deputado Jutahy Magalhães Júnior, do ex-prefeito Imbassahy e alguns prefeitos do interior.
Prévias
Na última segunda-feira, o atual prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) recebeu o apoio do PTB. O advogado tributarista Edvaldo Brito retirou a sua candidatura e aceitou disputar a eleição como vice na chapa do prefeito. No próximo domingo, o PT deve realizar as prévias para definir o nome do partido à sucessão. Dos quatro inscritos inicialmente, dois (o deputado federal Luiz Alberto, que está licenciado, e o deputado estadual J. Carlos) retiraram as suas candidaturas. Sobraram dois nomes: os dos deputados federais Nelson Pellegrino e Walter Pinheiro. O governador Jaques Wagner (PT) e as principais lideranças do partido na Bahia apóiam a candidatura de Pinheiro, mas Pellegrino acha que pode vencer as prévias e anunciou que vai manter o seu nome na disputa.
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