Por Paulo Nunes*
Vitória da Conquista, desde o seu início como comunidade, teve uma especial vocação para a política. Havia, no início do século passado, o domínio político escorado no coronelismo, mas o lado democrático do povo da cidade, reagia nos jornais com protestos efetivados em artigos e poemas; portanto, já se fazia notar que a cidade não concordava em todo com aquele tipo de mando.
O ditador Getúlio Vargas chega ao poder, consegue seus adeptos em Conquista, mas também encontra a resistência dos homens de pensamento democrático.
Mais tarde cai o ditador, e Conquista tem uma disputa política mais equilibrada, sob o ponto de vista das oportunidades, muito embora a tradição conservadora se mantivesse no poder até 1962, quando Pedral Sampaio vence as eleições. Dura pouco a mudança de hábito de se fazer política; vem o golpe militar e civil de 64 e a cidade é forçada a continuar resistindo com cautela, porém sem medo. A ditadura faz o jogo político da intolerância, da perseguição e do egoismo, e no Brasil dura 21, mas em Conquista, é derrubada 13 anos antes. Talvez por este povo ser sabedor do que quer, é que o professor de política de todos nós, Everardo Públio de Castro, dizia ser a cidade de Vitória da Conquista, das cidades baianas, a mais espartana de todas.
A capacidade de decidir deste povo Imboré é impressionante, a comuna conquistense deve respeito aos seus mandatários eleitos pelo voto livre, mas quando entende que esses não representam os seus anseios, sem cerimônia alguma os retiram do poder, sem exitação e nem deixa que os laços de família influenciem nesta decisão, colocando assim o interesse coletivo acima de qualquer cunho pessoal. A história mostra que aos agarrados ao individualismo e ao empreguismo medíocre é resevado o direito de bater palmas ou torcer o nariz.
Pensando da maneira mais democrática possível, o povo corajoso de Conquista tirou do poder aquele que empreendeu as transformações sociais mais significativas do Município, que é Pedral Sampaio. Sem piedade alguma, Conquista o tirou do poder e consagrou Guilherme Menezes, e como a história sempre foi o livro deste povo, não exitará em fazer o mesmo com Guilherme, se entender que este não representa mais os interesses da comunidade e as esperanças de progresso e desenvolvimento.
Conquista não tem medo de mudar de idéia; quem a conhece sabe disso: ninguém tem poder absoluto na terra das rosas. Imaginem quantos dias de glória viveu Pedral, Murilo, Raul, Elquisson, Jadiel, e observem quantos dias amargaram as angústias impostas por este povo. Portanto, é bom apender a história para entender que política é um exercício contínuo de sabedoria.
Nesta cidade aprendemos todo dia com este povo altivo e decidido, e a este povo capaz de errar tentando acertar, capaz de se arrepender e pedir desculpas, capaz de lutar contra quem quer que seja, que dedicamos este trabalho, onde contamos parte de sua história, dignificando aqueles que, com o seu passado, serviu de lição para todos nós, sendo cada vez mais constante o exemplo para nossas vidas.
Portanto, desejamos a todos que compõem esta cidade, forças para continuarmos lutando no intúito de colocar este município no topo das conquistas democráticas.
*Paulo Nunes é advogado, radialista e jornalista. |