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Uma Conquista construída por todos nós
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Publicado em 02/01/2008, às 08:43

Por Paulo Nunes* (artigo escrito em 2005)

Como todo pedaço de terra existente neste planeta, nosso município também nasceu da traição, dos assassinatos e do extermínio dos mais fracos. Desde o início do mundo que os grandes conquistadores são aqueles que se apoderam de terras, povos e mentes enfraquecidas pela fome, pela cultura e pela milícia. Não seria diferente em Conquista, antes habitada por cerca de 3 mil índios, mas o convívio com estes não era possível, no raciocínio português. A ocupação da terra indígena teria que ser através do extermínio dos donos da casa, só assim interessava à Coroa Portuguesa.

Desta forma, com luta desigual, traição e epidemias encomendadas pelos brancos, os Mongoiós, Imborés e Kamacãs foram exterminados, não restando hoje nenhum descendente, pois, para os portugueses, os índios eram apenas animais, um ou outro que se envolveu com uma índia pode ter havido aí um filho ou filha, mas não há sinais disso nos dias atuais.

Todos os crimes de nossos antepassados tendem a cair no esquecimento. É assim em qualquer lugar do Mundo, na Europa, na África ou América. Então, partiremos para a construção da metrópole, mesmo que seja com o sangue de inocentes que tiveram a infelicidade de existir naquela época.

1725, o governo de Portugal decide ocupar a região onde hoje é o município de Vitória da Conquista. Em 1750, começam as incursões de João da Silva Guimarães, varrem-se Pataxós, Aimorés e Kamakãs. Começa a história portuguesa. 1840, vindo de Caetité, Joaquim Venâncio de Aleluia implanta a Imperial Vila da Vitória.

Daí, nada  se tem de notícia até 1890, quando começa aqui a República. Assim, nosso município começou a ser governado por aqueles que tinham mais dinheiro e mais força, até hoje, quando a democracia estabelece as oportunidades para todos.

Na verdade, o que queremos demonstrar é que este município não acontecera por acaso e que todos que estiveram no poder político ou não, construíram uma ponta da história, que hoje modestamente contamos nesta edição, não podendo, de forma alguma, o entusiasmo exacerbado dos dias atuais obscurecer os feitos do passado, que, graças a Deus, foram registrados pelos jornais e por homens abnegados, como Laudionor Brasil, Maneca  Grosso, Bruno  Bacelar, Alziro Prates, Aníbal Viana, Luís Spínola, através de seus jornais, tornando possível saber o nosso passado. Nesta oportunidade citamos apenas os jornalistas mortos e de logo deixamos claro que existiram outros. Não citaremos os vivos até porque não pretendemos medir a capacidade e a importância de cada um, muito pelo contrário, consideramos todos importantes, principalmente porque apesar de bela e das coisas darem certo, Conquista é uma sociedade humana onde pouco se lê, muito embora muito se aprenda é na realidade de um povo autodidata, mas antes de tudo, improvisador.

Claro que a história é construída por todos, mas o princípio do registro histórico que marca uma época é que tudo parte do comando, ou seja, de um governo, e assim, como um organograma, vai se ramificando nos diversos segmentos da sociedade.

Em nossa breve análise podemos dizer que Conquista viveu cinco etapas no século 20. A primeira começou, com o Coronel Gugé, que governou esta cidade no início do século se tornando líder político. Naquela época valia mais o respeito à figura do coronel do que qualquer atitude administrativa, era na realidade o feijão com arroz e pronto. Depois surge da capital Régis Pacheco. Trabalhando na saúde, também se faz líder político, alcançando até  o Governo do Estado. Em seguida, Gérson Gusmão Sales, que também se torna líder político. Estes todos na verdade fizeram, dentro das possibilidades da época, algo em prol de Conquista, ainda que fosse um feijão com arroz que poderia variar no tempero, mas fizeram algo; se no campo administrativo foi pouco, por certo no campo político fora muito, do contrário não poderiam se consagrar como líderes políticos. Especialmente no final da década de 60, surge alguém sem improvisar e com novas idéias, para revolucionar a sociedade. É José Pedral, que viria a se consagrar como o maior líder político e administrativo deste município.

Era a administração da mudança de hábitos, parcos recursos, mas são implantados no trabalho, na saúde, na educação, nos serviços públicos, até a coleta do lixo passa a ter organização, fato até que fez Bruno Bacelar, seu adversário, falar do "Urubu de Gravata". É que Pedral colocou nas ruas uns tonéis pretos e na borda pintou de branco, colocando o nome da administração. O Urubu, ao visitar o lixo, ao longe parecia estar usando gravata, uma vez que o tonel era preto e o Urubu também; a faixa branca, a gravata. Enfim, cassado em 64, deixa o poder pela força, mas se mantém líder, toma o poder pelo voto em 72 e Jadiel faz outra revolução administrativa e, mais uma vez, muda-se os hábitos de governar. Jadiel se cerca dos mais capazes e a cidade vive uma nova perspectiva de vida na educação, no saneamento e nas finanças públicas; entra em atrito com Pedral, lança Sebastião, mas Pedral o derrota. Governa Raul, homem simples, sem grandes pretensões, faz um bom governo, administra bem o FPM e Conquista continua se desenvolvendo. Volta Pedral nos anos 80, parte para grandes obras de macro-drenagem, higienização das feiras livres, pavimentação asfáltica de diversas ruas e uma expansão urbana nunca vista. Politicamente fortalecido, seu grupo assume a campanha de Waldir Pires na primeira hora e impõe ao grupo liderado por ACM, a maior derrota política já sofrida por um grupo político importante na Bahia. Maioria absoluta da Bahia, diz não ao Governo do Estado, com  uma diferença superior a um milhão e quinhentos mil votos. Política tem reverso e Waldir, movido por uma série de fatores e também o preferido do Diabo, a vaidade, parte para o Planalto e passa o governo a Nilo Coelho. Pedral, enfraquecido, volta a Conquista, sem conseguir mudar os hábitos na Bahia e aí, de pires na mão, comete um equívoco político e até nós, que na época éramos uns meninos, como ele gosta de falar, tomamos a liberdade para dizê-lo: "Unir-se a ACM não é uma boa, o povo não vai gostar". Na época ele disse-nos, que um dia iríamos entender, mas acho que não chegou o dia ainda. Pois bem, com ACM ganha a Prefeitura, mas nada de concreto consegue fazer com a ajuda deste em prol do município e mergulha na depressão política, não controla o governo e assessores cometem erros administrativos, um atrás do outro, derruba secretários, erra na substituição, enfrenta crise financeira, enfim, se estabelece o caos. Surge Guilherme Menezes, aproveita a insatisfação popular, se junta aos ex-aliados de Pedral, como Coriolano Sales e Clóvis Assis e vence as eleições. Começa a administrar a terra arrasada, coloca as finanças em dia, organiza a  administração, limpa os terrenos baldios, implanta ginásios no interior, aproveitando bem os recursos do MEC e principalmente, trabalha na municipalização da saúde, tirando da iniciativa privada a administração do dinheiro da saúde. Cresce na opinião pública, principalmente porque contraria a minoria, deixa o saneamento básico na responsabilidade do Estado e junto a isso os 700Km de pavimentação que a cidade precisa para uma atitude do Estado, e opta pela administração do mais fácil, recuperando crianças sem escola, criando condições de integração dos excluídos da terceira idade. Vai caindo na graça do povo, consegue aumentar e receber  o IPTU, não perdoa dívidas, faz caixa, mantém salários em dia e paga  também em dia aos fornecedores. Na verdade, trabalha  no contra-pé da administração anterior. Desta forma vai agradando mais e mais, sem contudo estabelecer uma radical mudança de hábito.

É reeleito, mas logo após passa o cargo a José Raimundo Fontes, que continua seu governo. Entretanto, sem grandes novidades, este disputa a última eleição para prefeito, obtém 54,5% dos votos escorados em fraudes eleitorais e promessas de campanha que um ano depois ainda não conseguiu realizar.

Assim, Conquista entende que cada tijolo, cada conversa, cada passo em prol do desenvolvimento almejando a felicidade, foram feitos por todos, como numa colméia, onde todos trabalharam por esta felicidade: políticos, empresários, estudantes, comerciantes, serviçais... pois uma sociedade é construída com a ajuda desde o engenheiro ao artesão, do pintor ao pedreiro e por que não dizer, do crítico ao criticado. Parabéns, Conquista de todos nós!

*Paulo Nunes é jornalista e advogado
 
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