30 de Dezembro de 2006
Quando Biu chegou lá... A eleição de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara dos Deputados
21/12/2004 ¦ 20:51
PT escolhe presidente da Câmara dos Deputados
Neste momento, os 91 deputados federais do PT estão reunidos em Brasília para escolher o candidato do partido à presidência da Câmara. A eleição ocorrerá nos primeiros dias de fevereiro próximo.
Como dono da maior bancada, cabe ao PT indicar o presidente - assim como no Senado cabe ao PMDB pela mesma razão.
Apresentaram-se sete candidatos.
A primeira rodada de votação terminou há pouco.
Pela ordem, os quatro nomes mais votados foram:
* Virgílio Guimarães, de Minas Gerais. Teve pouco mais de 40 votos;
* Professor Luizinho, de São Paulo. (Esse só chegará um dia à presidência quando virar Luiz.)
* Luiz Eduardo Greenhalgh, de São Paulo.
* e Arlindo Chinaglia, de São Paulo. Esse teve o mesmo número de votos do Greenhalgh.
Paulo Delgado, de Minas Gerais, ficou em quinto lugar.
Haverá uma nova rodada de votação para escolher dois nomes entre os quatro finalistas.
Os dois, mais tarde, haverão de se entender sozinhos para que no fim reste só um.
21/12/2004 21:56
Tudo sobre a reunião do PT
Finalmente acabou a reunião da bancada do PT na Câmara dos Deputados. Tenho notícias mais frescas e algumas correções a fazer na nota posta antes.
1. Não foram 91 deputados que se reuniram - mas 76. Os demais estão viajando, doentes ou não compareceram.
2. Cada um dos 76 votou em três nomes para presidente da Câmara. Eram sete os aspirantes a candidato. Os finalistas são quatro porque dois deles tiveram o mesmo número de votos.
3. Os finalistas:
* Virgílio Guimarães - 47 votos;
* Professor Luizinho - 42;
* Luiz Eduardo Greenhalgh - 39;
* Arlindo Chinaglia - 39.
Paulo Delgado, que teve 35 votos, ficou de fora.
4. Amanhã, às 11h, os 76 deputados se reunirão novamente para escolher o candidato do PT à presidência da Câmara. Só poderão votar em um nome. Se algum nome alcançar 50% + 1 (ou seja: 49 votos), esse será o candidato. Caso contrário, haverá nova votação para escolher entre os dois mais votados.
5. O mineiro Virgílio Guimarães é o mais forte entre os quatro finalistas. E estão empenhados em elegê-lo o ministro José Dirceu, da Casa Civil, e João Paulo, atual presidente da Câmara.
José Genoino, presidente do PT, pede votos para Arlindo Chinaglia.
Como Geonoino só joga de comum acordo com José Dirceu, acabará apoiando o candidato do ministro.
6. O candidato da chamada esquerda do PT, Walter Pinheiro, só atraiu 23 votos - 16 da esquerda propriamente dita, sete dos que se dizem independentes. A esquerda deve despejar seus votos no nome de Greenhalgh. Lula prefere Virgílio. Mas José Dirceu toparia Greenhalgh.
Longa noite para nos petistas, esta que eles terão pela frente.
Poucos dormirão.
Acordos e traições serão possíveis até o primeiro minuto da reunião de amanhã.
22/12/2004 17:42
Greenhalgh é candidato do PT
Deu o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para candidato do PT à presidência da Câmara. Os outros três nomes desistiram em favor dele.
Greenhalgh é advogado. E durante a ditadura militar defendeu presos políticos.
Está, digamos assim, à esquerda do atual presidente João Paulo Cunha (PT-SP).
A esquerda do PT na Câmara (16 em 76 deputados presentes ontem e hoje em Brasília) votou nele.
22/12/2004 19:36
Como Greenhalgh ganhou
O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) foi dormir ontem na condição de o terceiro nome do PT mais votado pela bancada para candidato à presidência da Câmara - e mesmo assim empatado com o deputado Arlindo Chinaglia (SP). Na frente dele estavam Virgílio Guimarães (MG) e o professor Luizinho (SP).
Acordou esta manhã na condição de favorito.
Como isso ocorreu?
Primeiro, ficou claro desde ontem que o professor Luizinho, líder do governo na Câmara, não se arriscaria a ser derrotado na votação marcada para hoje. Perderia a condição de continuar sendo líder.
No que ficou claro que o professor desistiria, boa parte dos seus votos começou a migrar para Greenhalgh.
O grupo de deputados mais à esquerda, que ontem votara fechado no nome do deputado Walter Pinheiro (BA), deu sinais de que poderia apoiar Greenhalgh ou Virgílio Guimarães.
Pela manhã, informalmente, um grupo de 30 deputados da tendência Articulação (a mais fiel ao governo) se reuniu para discutir em que nome votaria. Pouco mais de 80% deles escolheram Greenhalgh.
Quase por volta do meio-dia, esse grupo e mais um grupo de deputados do chamado Campo Majoritário (que apóiam o governo, mas que não fazem parte da Articulação) se reuniram para acertar suas diferenças. Promoveram uma votação. E deu Greenhalgh com 18 votos contra Virgílio com 13, Chinaglia com 2, e duas abstenções.
Teria dado Greenhalgh ainda com mais folga se não fosse a presença na reunião do deputado João Paulo.
O atual presidente da Câmara jogou todo o peso de sua influência para beneficiar Virgílio. Perdeu. Assim como perdeu José Genoino, presidente do PT, que fez tudo por Chinaglia, líder do partido na Câmara.
Uma vez que a Articulação + deputados do Campo Majoritário optaram por Greenhalgh, deputados da esquerda e deputados que se apresentam como independentes também fecharam com ele.
Virgílio e Chinaglia retiraram suas candidaturas. E Greenhalgh foi aclamado esta tarde candidato do PT à sucessão de João Paulo.
Quer dizer: como futuro presidente da Câmara a partir de fevereiro.
Pela ordem, os maiores derrotados no episódio foram:
* Genoino;
* Chinaglia;
* e João Paulo.
O governo (leia-se: José Dirceu e Lula) conseguiu disfarçar suas preferências - embora torcesse por Virgílio Guimarães.
Mas Greenhalgh é da turma - embora incomode o governo com sua posição a favor da abertura dos arquivos da ditadura.
22/12/2004 21:46
Quem menos o governo queria
Mesmo fazendo de conta de que não estava nem aí para a escolha do candidato do PT à presidência da Câmara dos Deputados, o governo teria ficado plenamente feliz se a bancada do partido tivesse optado por qualquer um destes três nomes: Virgílio Guimarães, professor Luizinho e Arlindo Chinaglia.
A bancada escolheu o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh.
Ele é fundador do PT, é leal a Lula, mas é mais independente em relação ao governo do que os outros três. Entre amigos, tem criticado o governo em várias ocasiões.
29/12/2004 22:06
Sinal amarelo para a candidatura de Greenhalgh
Está feia a coisa para as bandas de Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), candidato do PT à presidência da Câmara dos Deputados.
Entre 25 a 30 deputados do PTB se reuniram hoje em Brasília na casa de um deles - Jovair Arantes, de Goiás. Decidiram lançar um candidato à presidência da Câmara apoiado por dissidentes de partidos que fazem parte da chamada base aliada do governo.
Por sua vez, o deputado mineiro Virgílio Guimarães, do PT, que disputou a indicação do seu partido para candidato à presidência da Câmara, disse ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte, que o nome de Greenhalgh enfrenta "sérias resistências".
Foi o PTB que lançou a candidatura de Virgílio antes mesmo de ele disputar e perder a indicação da bancada do PT.
Novamente PTB e Virgílio jogam juntos.
O atual líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia, está à caça de votos para enfrentar Greenhalgh no plenário.
Se o governo não conseguir enquadrar o PTB, a candidatura de Greenhalgh irá pelo ralo.
02/01/2005 08:29
Quem pagará a conta da derrota de Serra
Deverá sobrar para a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à presidência da Câmara dos Deputados a derrota do candidato do prefeito José Serra à presidência da Câmara Municipal de São Paulo.
Contra o desejo do comando nacional do PT, os vereadores ligados à ex-prefeita Marta Suplicy votaram para infligir a Serra sua primeira derrota - e infligiram com uma diferença de apenas dois votos. É razoável imaginar que o PSDB dê o troco negando parte dos seus votos para eleger Greenhalgh.
A vida do candidato do PT à presidência da Câmara dos Deputados já não está fácil e preocupa até a Lula.
03/01/2005 09:59
Sem vingança
Por que caberia ao PSDB indicar o presidente da Câmara Municipal de São Paulo?
Porque existe uma regra não escrita nas Câmaras, Assembléias e no Congresso que diz caber ao partido dono da maior bancada a indicação do presidente.
Vez por outra a regra é desrespeitada. Mas só vez por outra.
Orientado pela ex-prefeita Marta Suplicy, o PT se juntou a outros partidos na Câmara Municipal de São Paulo, cooptou um vereador do PSDB e impôs uma derrota a Serra no dia de sua posse.
Na Câmara Municipal de Belo Horizonte, foi o PSDB que agiu da mesma maneira para derrotar o PT - sem sucesso.
O comando nacional do PSDB está ouriçado com a perspectiva de vingar Serra ajudando a derrotar na Câmara dos Deputados o candidato do PT a presidente - Luiz Eduardo Greenhalgh.
O próprio Serra dispensará a vingança. Ele e Greenhalgh são amigos. E Greenhalgh passou o sábado e o domingo em contacto com Serra tentando evitar a derrota dele.
04/01/2005 14:33
João Paulo conspira contra Greenhalgh
Se algo não for feito com urgência para salvá-la, corre o sério risco de morrer na praia a candidatura a presidente da Câmara dos Deputados do paulista Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT. Quem mais conspira contra ela são deputados do próprio PT aliados a deputados de outros partidos que apóiam o governo.
O atual presidente da Câmara, deputado João Paulo (PT-SP), sonhou, primeiro, em se reeleger. Quando se convenceu de que a emenda da reeleição não seria aprovada na Câmara e no Senado, sonhou em fazer seu sucessor. Jogou todas as fichas no deputado Virgílio Guimarães (PT-MG).
Faltaram pouquíssimos votos para que Guimarães fosse indicado como candidato do PT. O partido dono da maior bancada de deputados é quem costuma ficar com a presidência da Câmara. Greenhalgh acabou escolhido por aclamação. No dia em que foi, João Paulo comentou a respeito:
- Até hoje ele é nosso candidato.
Se a frase não foi exatamente essa foi muito parecida com essa.
Desde então, Virgílio Guimarães se ocupa em fechar acordos com deputados de partidos da base do governo e com deputados do PFL e do PSDB para lançar sua candidatura a presidente diretamente no plenário da Câmara.
Tal recurso é possível, sim. Está previsto no artigo 8 do Regimento Interno da Câmara. E dele já se valerem vários deputados em diversas ocasiões.
A idéia da dupla Virgílio-João Paulo é enfraquecer a candidatura de Greenhalgh a um ponto que o PT se convença de que o melhor é retirá-la, evitando assim a disputa no plenário.
Lula não se meteu no processo de escolha do candidato do PT. Mas no último dia 31, pela manhã, recebeu Greenhalgh na Granja do Torto. Jogou com ele e outros amigos uma partida de futebol. E disse a ele na saída que o ajudaria a se eleger presidente da Câmara.
Greenhalgh prova na pele o que Lula já provou tantas vezes: quem tem o PT como amigo dispensa inimigo.
04/01/2005 19:56
Candidatura de Greenhalgh subiu no telhado
Luiz Eduardo Greenhalgh, candidato do PT à presidência da Câmara dos Deputados, e José Geonoino, presidente do PT, deram início, hoje, a uma rodada de conversas com presidentes e líderes dos partidos da chamada base de apoio do governo - PTB, PP, PSB, PC do B e que tais. Querem avaliar melhor o grau de dificuldades enfrentadas dentro de cada partido pela candidatura de Greenhalgh.
Com menos ou mais ênfase, a depender do estilo de cada presidente ou líder, os dois ouvirão basicamente o seguinte:
* que eles, os consultados, nada têm pessoalmente contra a candidatura de Greenhalgh;
* que não embarcarão na aventura de estimular outra candidatura que nasça dentro do próprio PT e muito menos fora dele;
* mas que é fato que há nos seus partidos uma resistência generalizada à candidatura de Greenhalgh. Seus liderados acham que o candidato do PT não é uma figura simpática - para dizer o mínimo. Chegam a acusá-lo de arrogante.
A Genoino, presidentes de partidos e líderes de partidos aliados dirão que o PT dispõe de pelo menos dois outros nomes que seriam bem aceitos: os deputados Virgílio Guimarães e Arlindo Chinaglia, esse o atual líder do governo.
Se o PT, contudo, preferir correr o risco de manter a candidatura de Greenhalgh, eles prometem se empenhar para elegê-lo. Mais do que isso não poderão prometer.
O que os presidentes e líderes de partido não dirão a Genoino - até porque Genoino já sabe: que o atual presidente da Câmara, deputado João Paulo, pensa como eles. E já disse a eles o que pensa.
04/01/2005 23:46
Virgílio evolui com desenvoltura
O deputado Virgílio Guimarães, do PT de Minas Gerais, assumiu de vez a condição de candidato dissidente à presidência da Câmara e não dá o menor sinal de que possa recuar dela.
Ontem, segunda-feira, ele fez questão de afirmar sua candidatura com dois gestos.
Primeiro esnobou o candidato oficial do PT que o procurou para uma conversa - o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. Só aceitou se reunir com ele devido à teimosa insistência de Greenhalgh. Para ao cabo sair da reunião na mesma condição em que entrara - a de candidato dissidente.
Segundo Guimarães telefonou para o deputado José Carlos Aleluia, líder do PFL, e antecipou a decisão de assumir sua candidatura hoje - como de fato o fez. Aleluia lançou-se candidato para enfrentar Greenhalgh. Mas já admite desistir se Virgílio virar o candidato do PT ou disputar com Greenhalgh no plenário.
- Greenhalgh é sem terra. Virgílio é com terra - observou Aleluia em conversa com um amigo.
Quis dizer que Greenhalgh enfrenta resistências, entre outras razões, porque sempre defendeu os sem terra. A bancada ruralista não vota nele. Virgílio é o oposto. Foi secretário de Agricultura de Minas e o pai dele é proprietário de terra.
Há mais padrinhos ocultos ou semi-ocultos da candidatura Virgílio do que apenas o atual presidente da Câmara, João Paulo.
O governador Aécio Neves, por exemplo, vê com muita simpatia a pretensão de Virgílio. Os dois se entendem bem. E no que Aécio puder ajudar Virgílio, ajudará.
Há forte suspeita no entorno de Greenhalgh de que tem ministro com gabinete no Palácio do Planalto dando uma mão a Virgílio.
Os membros da poderosa Comissão de Orçamento da Câmara estão eufóricos com a possibilidade de um dos seus chegar à presidência. Virgílio faz parte da comissão. E negociou com desenvoltura a confecção do Orçamento da União para 2005 finalmente aprovado pelo Congresso.
05/01/2005 18:20
Razão do meu silêncio
Aos que estranham meu silêncio: simplesmente não encontro notícia que preste. Não encontrei hoje, e até agora. E, lendo os sites das agências de notícias, nada ali me pareceu relevante.
A situação me lembra a que antecedeu a chegada das ondas gigantes na costa asiática: de repente, o mar recuou como se fosse secar.
Quinze ou vinte minutos depois, as ondas chegaram às praias destruindo tudo.
Espero que nada de grave esteja prestes a ocorrer.
A chegada a Brasília do novo avião de Lula não será nada grave.
Foi grave a decisão tomada por ele de comprá-lo.
Uma eventual derrota do candidato do PT à presidência da Câmara dos Deputados não seria nada grave. O deputado Virgílio Guimarães, que pretende concorrer com ele, é do PT e amigo de Lula. Os dois já dividiram apartamento.
Almas puras que gravitam em torno de Lula (elas existem, podem acreditar!) receiam a eleição de Virgílio porque ele gosta de bebidas fortes. E também porque leva uma vida - como dizer? - um tanto quanto desregrada. Desregrada talvez seja exagero.
Mas tudo isso é bobagem!
Virgílio é solteiro. E não fez voto de castidade.
Presidentes da Câmara no passado recente levaram uma vida mais leve e solta do que a vida que leva Virgílio. E não deixaram de ser bons presidentes.
Enfim, quando eu descobrir notícia que valha a pena postar, postarei.
07/01/2005 12:28
Candidatura de Greenhalgh desceu do telhado
O deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) começou a bater em retirada como candidato avulso à presidência da Câmara. Na próxima semana deverá anunciar seu apoio ao candidato oficial do PT, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh.
Pelo menos dois fatos pesaram no recuo de Virgílio: a conversa dele, anteontem, com Lula, e o anúncio de que o PSDB e o PTB darão seus votos a Greenhalgh.
A conversa não foi amena. Pelo contrário: Lula bateu duro na pretensão de Virgílio de concorrer contra a decisão tomada pelo PT de lançar Greenhalgh. Chegou a ser ríspido com ele em alguns momentos. Virgílio amoleceu.
O PSDB e o PTB decidiram respeitar o que está escrito no artigo oitavo do Regimento Interno da Câmara: cabe ao partido dono da maior bancada indicar o presidente.
11/01/2005 02:58
Pimentel quer que Virgílio desista
O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, se reunirá amanhã em Brasília com o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) para renovar o apelo que Lula fez ao deputado na semana passada: Guimarães deve desistir de sua candidatura avulsa à presidência da Câmara. E apoiar o candidato oficial do partido, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Pimentel e Lula conversaram ontem.
Virgílio dá sinais de que irá desistir, mas ainda não disse isso a ninguém com todas as letras.
12/01/2005 14:43
À procura de um conjunto de salas
Virgílio Guimarães (PT-MG), aspirante a candidato avulso à presidência da Câmara dos Deputados, faltou hoje pela manhã ao debate que concordara em travar na CBN com José Carlos Aleluia, líder do PFL e candidato declarado à presidência da Câmara.
Aleluia telefonou para ele e cobrou:
- E aí, Virgílio, por que você não vem?
- Porque ainda não sou candidato. Estou entre o céu e o inferno. E tenho uma reunião marcada com Lula e João Paulo.
João Paulo (PT-SP) é o atual presidente da Câmara.
De fato, Virgílio, ele e Lula se reuniram por volta das 10h no Palácio do Planalto. Depois, Virgílio e João Paulo se negaram a falar com os jornalistas.
Tem corretor de imóveis se dizendo credenciado por Virgílio para alugar em nome dele um conjunto de salas em algum prédio do centro de Brasília. Elas abrigariam o comitê de campanha de Virgílio a partir da próxima terça-feira.
Aleluia começa a desconfiar de que o PT joga ainda com a hipótese de trocar a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) pela de Virgílio - caso a de Greenhalgh corra o risco de ser derrotada.
A eleição dos futuros presidentes da Câmara e do Senado está marcada para meados de fevereiro próximo.
13/01/2005 12:55
Para Virgílio, até aqui, está tudo bem
"A nível de ser humano enquanto gente", digamos assim, Virgílio Guimarães (PT-MG), aspirante a candidato avulso à presidência da Câmara dos Deputados, se sentiu atingido - e é por isso que teima em criar problemas para a eleição do candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP).
Virgílio alimenta uma mágoa profunda de "vários companheiros" que prefere não identificar. Sente-se atingido em sua "honra", embora evite ser claro quanto a isso. E também enxerga vantagens políticas em nem tirar e em nem por em definitivo sua candidatura à presidência da Câmara.
Está faturando em Minas como político corajoso capaz de afrontar a hegemonia paulista dentro do PT e do governo. E se mais adiante decidir sair do páreo, ainda será festejado pelo PT como um líder que soube por os superiores interesses do partido acima dos seus. Enfim, ele não tem muito que perder se souber recuar na hora certa. Como deputado, nunca ocupou tanto espaço na mídia.
14/01/2005 19:21
Valei-nos, São Virgílio!
Bateu o desespero nos jornalistas que cobrem política em Brasília.
À falta de notícias, estão fazendo matérias sobre boatos que rolam.
A chegada, amanhã, do novo avião presidencial servirá para ocupá-los no fim de semana - mas é só. E é pouco.
Eles se salvarão se na próxima terça-feira o deputado Virgílio Guimarães lançar sua candidatura avulsa à presidência da Câmara.
18/01/2005 00:41
Segundo turno
Do jeito que se desenha a eleição em fevereiro do próximo presidente da Câmara dos Deputados, é razoável imaginar que ela só será decidida em segundo turno.
O candidato oficial do PT, partido dono da maior bancada, é o paulista Luiz Eduardo Greenhalg. Mas o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) confirmará até amanhã sua candidatura.
E hoje ainda o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) fará o mesmo.
Cavalcanti é eterno candidato a presidente. Na hora certa, desiste e negocia um cargo na Mesa da Câmara.
Para provar que dessa vez será diferente, ele assinou documento onde se compromete a renunciar ao mandato se desistir da candidatura.
19/01/2005 13:34
Entre o carinho e o tacape
O PT está entre o carinho e o tacape como meios para tentar demover Virgílio Guimarães de seu propósito de disputar como candidato dissidente a presidência da Câmara dos Deputados. Receia que o uso do tacape transforme Virgílio em vítima e fortaleça sua candidatura.
De outra parte, teme que o carinho o deixe solto para avançar sobre os votos daqueles que resistem ao candidato oficial do partido, Luiz Eduardo Greenhalg.
O problema da eleição é que o voto é secreto.
Na última hora dá sempre a vontade de trair - mais ainda um partido de nariz arrebitado. E um governo que não sabe ou não gosta de afagar os aliados.
20/01/2005 21:16
O que o PT fará com Virgílio
Quando os líderes do PT dizem que o partido disputará com um único candidato a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, entenda: se até lá o candidato dissidente Virgílio Guimarães (MG) não desistir, a bancada se reunirá para fechar questão em torno do voto no candidato oficial, Luiz Eduardo Greenhalg. Uma vez que feche, a decisão será submetida à Executiva do partido - e será aprovada.
Se ainda assim Virgílio insistir em ser candidato, a bancada apresentará à Executiva uma proposta de desligamento temporário dele de todas as atividades partidárias. A Executiva aprovará a proposta. Virgílio não poderá mais representar o partido em nenhuma circunstância - muito menos como candidato.
21/01/2005 09:00
Eleição na Câmara : Lula terá de se meter
Lula não queria aparecer no programa de propaganda eleitoral na televisão da prefeita Marta Suplicy - acabou aparecendo.
Também não queria participar de inauguração de obra pedindo voto para ela - acabou participando e deu uma confusão danada.
Agora, ele também não quer se envolver diretamente na eleição do próximo presidente da Câmara dos Deputados - acabará se envolvendo, anotem.
A presidência da Câmara é um cargo muito importante para que o presidente da República finja que não tem o menor interesse nele.
Ter um aliado ali é imprescindível para que um presidente possa governar mais ou menos em paz - ou pelo menos livre de sustos. De resto, se o mandato dele não for prorrogado para seis anos, Lula disputará a reeleição em 2006.
Como sempre criticou o uso do cargo pelos que almejam um novo mandato, é razoável que pense em se licenciar dele nos meses finais da campanha. Dará um bom exemplo.
Caso isso ocorra, assumirá o vice - se José de Alencar não concorrer ao governo de Minas Gerais, o que é possível. Na ausência do vice, assumirá o presidente da Câmara.
Imagine só se o presidente da Câmara não for um sujeito em fina sintonia com Lula...
Se for Virgílio Guimarães, o candidato dissidente, ele terá ganhado a presidência da Câmara contra o PT, o governo e Lula que tentou demovê-lo da idéia.
Se for Severino Cavalcanti, do PP, ou José Carlos Aleluia, do PFL, tanto pior.
Portanto, Lula será obrigado a fazer força para eleger o candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalg.
Se correr o risco de não elegê-lo, poderá sacar um trunfo de última hora.
O ministro José Dirceu - por que não?
26/01/2005 03:17
Teste de fidelidade
De alguma maneira, o governo tem três candidatos à presidência da Câmara: Greenhalg, candidato oficial do PT; Virgílio Guimarães, candidato dissidente do PT, e Severino Cavalcanti, do PP. Esse último representa um partido que foi mais fiel ao governo nas votações da Câmara do que o próprio PT.
Não garanto - mas desconfio que Severino votou mais com o governo do que Greenhalg.
31/01/2005 14:53
Quando dá vontade de trair
Tem adeptos da candidatura de Luiz Eduardo Greenhalg defendendo a idéia de que a eleição do presidente da Câmara seja feita por meio do voto aberto de cada deputado.
Por tradição, a eleição se dá mediante voto secreto. Mas há precedente para todos os gostos.
O ex-presidente Fernando Collor foi derrubado pelo voto aberto. O ex-senador Luiz Estevão de Oliveira foi cassado pelo voto secreto.
Com voto secreto, as chances de Greenhalg diminuem.
A vontade de trair aumenta.
02/02/2005 01:12
Desperdício
Imagine a seguinte cena: um deputado recebe em casa ou no gabinete um DVD enviado pelo colega Luiz Eduardo Greenhalgh. Nele, o próprio Greenhagh explica porque merece ser eleito presidente da Câmara dos Deputados no próximo dia 14. E a certa altura pede o voto do colega.
Responda-me com sinceridade: você acha que algum deputado decidirá seu voto com base num DVD?
O finado Ulysses Guimarães, presidente por mais de 10 anos do PMDB, dizia que o mais inábil dos deputados conserta relógio de pulso suíço usando luvas de boxe.
Que influência pode ter um DVD?
Foi negócio para quem produziu o DVD.
10/02/2005 01:38
Tremenda burrice
O deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), candidato à presidência da Câmara, só pode estar de porre. Ao cair no colo do ex-governador Garotinho, perdeu uma penca de votos que tinha dentro do seu próprio partido.
Nessas horas, o instinto de sobrevivência aflora - e Garotinho é, hoje, adversário de morte do PT. Um quer esfolar o outro vivo - e sem anestesia.
Virgílio começou a campanha como candidato dissidente do PT e está perto de concluí-la como candidato adversário do PT.
11/02/2005 20:09
Eleição e blog, tudo a ver
Contrariado, mas forçado pelo dever de bem informar, este blog abandonará amanhã o litoral pernambucano e se instalará no prédio do Congresso de onde transmitirá em tempo real na próxima segunda-feira a eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados.
Está bem, concordo, a eleição do novo presidente da Câmara não é algo que mexa com os corações e mentes da maioria de vocês.
Mas que fazer?
No momento, é o único evento político que merece algum tipo de atenção.
Haverá em seguida uma titica de reforma ministerial - e novamente este blog estará de pé pelo Brasil. Em breve, finalmente, chegará a Semana Santa com poucas notícias e muita praia que ninguém é de ferro.
E assim caminha a Humanidade - ou pelo menos uma fatia dela situada nestes alegres trópicos.
13/02/2005 19:02
Sucessão na Câmara: Ninguém é de ninguém (1)
O bicho pegou.
Depois do festival de almoços e de reuniões promovidas hoje pelos candidatos à Mesa da Câmara dos Deputados, ouvi de cabeças coroadas da maioria dos partidos, sob o compromisso de preservar suas identidades, pelo menos duas conclusões quase unânimes:
* tem forte cheiro de traição no ar capaz de prejudicar o candidato oficial do PT à presidência, o deputado Luiz Eduardo Greenhalg;
* o adversário mais forte de Greenhalg deixou de ser o dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG). Agora é o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), candidato do chamado "baixo clero" - a massa cinzenta de deputados que raramente aparece na mídia.
A menos de 24 horas da eleição da nova Mesa (direção) da Câmara, o governo joga pesado e em segredo para eleger Greenhalgh.
Vale promessa de liberação de dinheiro para obras públicas em redutos eleitorais dos deputados. Vale promessa de liberação de dinheiro para projetos de interesse dos governadores. Vale promessa de arquivar propostas de leis remetidas ao Congresso que possam desagradar determinados agrupamentos de políticos.
Vale até o PT inchar outros partidos com alguns dos seus deputados que ali continuarão votando com o PT e o governo.
Foi, por exemplo, o que ocorreu de ontem para hoje com a deputada paraibana Lúcia Braga. Ela aderiu ao PMDB. E para quê? Para aumentar a fatia do PMDB aliada do governo que pode indicar o próximo líder do partido na Câmara.
Nas contas do ministro Eunício Oliveira (PMDB-CE), das Comunicações, o PMDB teria hoje 90 deputados federais contra 90 do PT. "A verdade é que ninguém sabe o que vai acontecer amanhã", me disse há pouco o deputado Gedel Vieira Lima (PMDB-BA).
13/02/2005 19:11
Sucessão na Câmara: A manobra de FHC (2)
Frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso repetida hoje por três entre quatro deputados do PSDB:
- Eles (o PT) fazem a gente comer 1 quilo de sal, mas não agüentam comer um grama.
Para o ex-presidente, "quanto pior, melhor" - e isso poderá significar despejar votos na candidatura do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para escantear o candidato dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG) e tentar derrotar no segundo turno o candidato oficial do PT e do governo, deputado Luiz Eduardo Greenhalg.
Os lugares-tenentes de FHC nessa manobra são:
* o vereador paulista José Aníbal, ex-presidente nacional do PSDB;
* Arnaldo Madeira, Chefe da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin;
* e o deputado federal Antônio Carlos Panúnzio.
13/02/2005 19:33
Sucessão na Câmara: Porque eles tanto brigam (3)
"A acirrada disputa pelos sete cargos da Mesa Diretora da Câmara, cuja eleição será realizada amanhã (14), se explica pela importância que os deputados adquirem ao serem escolhidos para representar os demais parlamentares.
Além da visibilidade política, cada cargo significa, na prática, maior status, poder de negociação e a possibilidade de gerir pelo menos 29 funcionários vinculados à mesa.
O cargo mais importante da Câmara é o de presidente, que tem entre as suas prerrogativas previstas na Constituição substituir o presidente da República quando o vice-presidente está também impossibilitado de comandar o país.
Cabe ao presidente da Câmara cuidar da supervisão geral do Poder, distribuir as matérias e assuntos gerais da Casa, assim como definir as matérias que serão votadas pelos deputados.
Ao presidente da Câmara ainda é permitida a nomeação de 41 cargos de confiança, dos quais apenas 20 precisam ser ocupados por servidores da Casa.
Os outros 21 podem ser preenchidos por não-servidores da Câmara, com salários que variam entre R$ 1.500,00 e R$ 7.503,00.
O primeiro vice-presidente da Câmara tem a função de substituir o presidente da Casa e encaminhar pedidos de informação a ministros e outras autoridades dos Poderes Executivo e Judiciário. Além disso, a ele também cabe relatar os projetos de resolução da Câmara. O segundo vice-presidente tem como principal tarefa ser o corregedor da Casa, promovendo as investigações sobre denúncias que envolvem parlamentares.
Já o primeiro-secretário é o chamado "prefeito" da Câmara. Um dos cargos mais cobiçados na Mesa, é ele quem administra praticamente toda a verba destinada à instituição prevista no Orçamento Geral da União. Os demais serviços administrativos também estão vinculados ao primeiro-secretário.
O segundo-secretário cuida dos passaportes dos parlamentares em missões oficiais ao exterior, estágios universitários, além de manter contato com as embaixadas no Brasil.
O terceiro-secretário tem a missão protocolar de receber as licenças médicas de parlamentares e justificar as faltas dos colegas, bem como cuidar da requisição de passagens aéreas para parlamentares.
O quarto-secretário é o responsável pela área de habitação funcional da Casa: é ele quem cuida da distribuição dos apartamentos funcionais ocupados pelos parlamentares durante o mandato de quatro anos."
(Agência Brasil)
13/02/2005 19:53
Sucessão na Câmara: Como será a eleição (4)
A eleição para presidente será realizada amanhã a partir das 16 horas e só terminará quando o máximo de votos tiver sido dado. No total, são 513 votos.
Será assim: no plenário haverá duas cabines de votação.
Cada deputado recebe dois envelopes com duas cédulas: uma para a escolha do presidente e outra para a escolha dos demais cargos da Mesa. As urnas também são separadas: uma para presidente e outra para o restante da Mesa.
O deputado escolhe seus candidatos, dirige-se à cabine, deposita os envelopes e assina a lista de votação. O voto é secreto.
Primeiro são contados os votos para presidente.
Para vencer em primeiro turno, o candidato precisa ter metade mais um dos votos apurados (maioria simples).
Se o presidente for eleito em primeiro turno ele conduzirá a apuração dos votos para os outros cargos da Mesa.
Há 35 anos que o presidente é eleito no primeiro turno.
13/02/2005 19:57
Sucessão na Câmara: Os números de Greenhalgh (5)
Neste momento, a estarem certos os números contabilizados pelo alto comando da campanha do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), ele deverá ser eleito amanhã presidente da Câmara ainda no primeiro turno com algo como 260 a 270 votos, de um total possível de 513. A conferir.
13/02/2005 20:03
Sucessão na Câmara: Empenhado em sobreviver (6)
Regras que, se respeitadas, garantem longa vida a quem fizer parte da Cúria Romana - órgão colegiado que implementa as decisões do Papa e que governa a Igreja na ausência dele:
1. Não pense.
2. Se pensar não fale.
3. Se falar não escreva.
4. Se escrever não se surpreenda.
(Não farei previsões sobre a eleição da presidência da Câmara amanhã porque quero sobreviver como comentarista político. Prognóstico? Só depois dos 90 minutos de jogo.)
13/02/2005 20:05
Sucessão na Câmara: ACM perde (7)
O senador Antonio Carlos Magalhães acaba de perder a indicação do candidato do PFL para a primeira vice-presidência da Câmara dos Deputados.
Por 28 votos a 24, a bancada de deputados federais do PFL indicou o alagoano José Tomás Nonô, derrotando o piauiense Mussa Demes apoiado por Antonio Carlos.
13/02/2005 22:49
Sucessão na Câmara: Aleluia mantém candidatura (8)
Reunidas em torno de uma mesa do restaurante Piantella, as cabeças coroadas do PFL decidiram manter a candidatura à presidência da Câmara do deputado José Carlos Aleluia (BA), atual líder do partido.
Acabei de falar com ele por telefone. Basicamente, ele me disse:
1. "Não renuncio e não existe a mais remota possibilidade de renunciar à candidatura até amanhã para beneficiar quem quer que seja".
(Tinha gente no PT que contava com a renúncia dele para ajudar a eleger o candidato oficial Luiz Eduardo Greenhalg ainda no primeiro turno.)
2. "Haverá segundo turno, não tenho a menor dúvida. Espero estar nele".
3. "De fato, vem crescendo nos últimos dias a candidatura a presidente do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Acho a pior alternativa para a Câmara".
4. "Se eu não passar para o segundo turno, é bem possível que vote em branco".
13/02/2005 22:54
Sucessão na Câmara: O pior dos mundos para Greenhalgh (9)
Desenha-se o pior dos mundos para o candidato oficial do PT e do governo à presidência da Câmara - a disputa no segundo turno.
Se houver segundo turno e se ele for travado por Luiz Eduardo Greenhalgh e Severino Cavalcanti, ou pelo primeiro e o candidato dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG), o PFL votará rachado. O PSDB votará rachado. E aí poderá dar qualquer um.
13/02/2005 23:10
Sucessão na Câmara: Se perder, sairá mais gordo (10)
É dura a vida de candidato obrigado a ganhar e que vê a vitória a perigo.
Ainda há 30 minutos, o deputado Luiz Eduardo Greenhalg estava reunido com cerca de 40 deputadas de todos os partidos na Panificadora Belini, na Asa Sul, cabalando votos.
Agora está se deslocando para o restaurante Lake, no Lago Sul, para cabalar votos de mais um grupo de deputados. Ele almoçou hoje com sete ministros e 192 deputados na casa de um deles no Lago Sul.
14/02/2005 08:00
Sucessão na Câmara: Pelo voto secreto (11)
Comentário da cientista política Lucia Hippolito na CBN:
"Tem gente metendo o pau no voto secreto na eleição para presidente da Câmara dos Deputados. Tem gente alegando que o voto tinha que ser aberto, revelado para todo mundo.
É um erro. Um erro primário e perigoso, muito perigoso. É síndrome de democratite, de basismo, de palpite de quem não conhece a substância do voto secreto no Congresso.
Quando é que os congressistas utilizam o voto secreto?
No Senado, para aprovar a nomeação de embaixador, presidente e diretores do Banco Central e titulares de agências reguladoras. Também para cassar mandatos de senadores e eleger a Mesa Diretora do Senado.
Na Câmara, o voto secreto é restrito à cassação de mandatos de deputados, suspensão de imunidades parlamentares e eleição da Mesa Diretora da casa.
Já o Congresso Nacional, que é a reunião de Câmara e Senado, reúne-se em sessão conjunta para apreciar vetos do Poder Executivo, que só podem ser derrubados por voto secreto.
Para começar, não vamos misturar alhos com bugalhos. Quando elegem as Mesas Diretoras de suas respectivas casas, senadores e deputados são eleitores comuns, como qualquer um de nós. Seu voto tem que ser protegido como o voto de um cidadão que participa de uma eleição qualquer: para síndico de edifício, orador da turma ou mesmo presidente da República.
Nessas condições, a lei diz que o voto é secreto.
Já na apreciação dos vetos do presidente da República, o objetivo do voto secreto é proteger o parlamentar contra pressões do Palácio do Planalto. É garantir a independência do Legislativo.
Tendo em vista a acachapante tirania do Executivo, alguém tem dúvida de que o parlamentar que derrubar um veto em voz alta vai começar a sofrer retaliações assim que sair do plenário?!
O voto secreto tem como missão proteger a autonomia do Legislativo. O que não impede que qualquer parlamentar revele publicamente seu voto, a qualquer momento. Não é proibido.
Mas como instituição, o Congresso Nacional não pode ser constrangido a decidir só para agradar ao Palácio do Planalto.
De um lado, a Medida Provisória. De outro, acaba-se com o voto secreto?! É a morte do Parlamento brasileiro!
Não precisa nem mandar fechar.
O voto secreto no Congresso pode ter muitos defeitos -sempre dá vontade de trair - mas não pode acabar, sob pena de acabar de vez com o que sobra de liberdade do Legislativo para enfrentar a tirania do Executivo.
Será o fim do equilíbrio entre os poderes. Será o fim da democracia."
14/02/2005 09:00
Sucessão na Câmara: Como é bom ser presidente (12)
* Substitui o presidente da República na ausência dele e do vice-presidente;
* Controla um orçamento de R$ 2,4 bilhões, superior ao de muitas capitais como Belo Horizonte e Porto Alegre, por exemplo;
* Comanda uma equipe de pouco mais de 13 mil funcionários;
* Mora numa casa de mil metros quadrados construída em um terreno de 9 mil metros quadrados às margens do Lago Paranoá;
* Recebe verba extra mensal de R$ 4 mil para manutenção da casa. Conta com 21 funcionários para sua segurança e para administrar a casa;
* Tem direito a dois carros oficiais;
* Pode requisitar passagens áreas para qualquer lugar e a qualquer tempo. Ou, se preferir, um jatinho da FAB.
14/02/2005 10:00
Sucessão na Câmara: O que custa cada deputado (13)
São 513. E cada um custa aos cofres públicos, pelo menos, R$ 70 mil mensais, segundo cálculos da revista Veja. A saber:
* 12.850,00 de salário, sem contar os benefícios adicionais;
* 35.000,00 de verba para pagar funcionários do seu gabinete;
* 15.000,00 de verba para manter escritório na sua base eleitoral; * 4.280,00 de ajuda para gastos com telefone e correio;
* 3.000,00 de auxílio moradia pago a quem não morar de graça em apartamento da Câmara.
Tem mais: 4 passagens aéreas, ida e volta, todos os meses, de Brasília à capital do Estado de cada um.
Os oito deputados federais de Brasília ganham 4 passagens aéreas mensais para o Rio de Janeiro - onde não votam nem são votados.
14/02/2005 12:00
Sucessão na Câmara: Conheça os candidatos (14)
GREENHALGH
Luís Eduardo Rodrigues Greenhalgh nasceu em São Paulo no dia 11 de abril de 1948. Foi advogado de presos políticos e figura chave da luta pela anistia durante a ditadura. Sua carreira política teve início como vice-prefeito de São Paulo em 1989. Seu primeiro mandato como deputado federal foi em 1990. Defende a abertura dos arquivos dos governos militares e tem ligações históricas com a esquerda. Enfrenta resistência à sua candidatura entre os deputados mais conservadores.
SEVERINO
Pernambucano de João Alfredo e nascido em 18 de dezembro de 1930, Severino José Cavalcanti Ferreira acumula 40 anos de vida pública com mandatos eletivos e consecutivos desde 1964. Sem formação universitária, iniciou sua vida política como prefeito de sua cidade natal em 1964. Em 1967 foi eleito para seu primeiro mandato de deputado estadual, cargo que ocupou por 7 mandatos consecutivos até 1995. No mesmo ano foi eleito pelo PFL deputado federal. Foi reeleito em 1999 pelo PPB e novamente em 2003 com mais de 80 mil votos. Defende a equivalência salarial entre os parlamentares e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
VIRGÍLIO
Virgílio Guimarães nasceu em Belo Horizonte no dia 5 de setembro de 1949. É divorciado, tem três filhos e fama de namorador e bom de copo. Formou-se em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1974, e é visto no PT como um militante incansável e um negociador hábil. Entrou para a vida pública como deputado federal constituinte em 1986. Em 1992, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Novamente em Belo Horizonte foi vereador entre 1993 e 1996. Nas eleições 2002, foi eleito para seu terceiro mandato como segundo deputado federal mais bem votado em Minas com 217.092 votos. Atualmente, acumula os cargos de líder do governo no Orçamento, vice-líder do governo no Congresso e coordenador da bancada de Minas Gerais no Congresso.
ALELUIA
Os servidores do Congresso dizem que ele é o mais simpático e boa gente dos candidatos à presidência da Câmara. Embora não tenha chances de ganhar a eleição, José Carlos Aleluia Costa, do PFL, é o que apresentou as propostas mais sérias e consistentes para comandar a Câmara. Nasceu em Salvador (BA) no dia 9 de dezembro de 1947. Em 1969 formou-se em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Bahia. Ingressou na vida política em 1991 como deputado federal(Congresso Revisor), foi reeleito em 1995 e em 2003 pelo PFL. É casado e pai de cinco filhos.
(Há mais um candidato: Jair Bolsonaro. Mas esse não tem a mais remota chance de vencer.)
14/02/2005 13:21
Sucessão na Câmara: Era uma vez... (15)
O bom filho à casa retorna.
Pus os pés no prédio do Congresso pela primeira vez no dia 15 de outubro de 1978 para cobrir a eleição do presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo - um general que dizia preferir cheiro de cavalo a cheiro de povo. Era sincero, pelo menos.
Eu trabalhava na sucursal da revista Veja, em Salvador, e voara para Brasília acompanhando os delegados da Arena que votariam no Colégio Eleitoral.
Presidente da República era eleito pelos deputados federais, senadores e delegados estaduais dos partidos. Fora a Arena, partido do governo que tinha a maioria dos votos no Congresso e em quase todas as Assembléias Legislativas, havia o MDB, partido da oposição.
Como previsto, Figueiredo venceu com folga o candidato do MDB, o general nacionalista Euler Bentes Monteiro - 355 votos a 266.
Na reunião seguinte do Colégio, em janeiro de 1985, o candidato da oposição, o ex-governador Tancredo Neves, de Minas Gerais, venceu com folga o candidato do governo, Paulo Maluf, e enterrou a ditadura militar inaugurada em abril de 1964.
Quem assumiu o cargo de presidente foi o vice de Tancredo, José Sarney, que abandonara em tempo o partido do governo e fundara uma dissidência.
Tancredo sucumbiu a uma infecção generalizada depois de ter sido operado sete vezes em pouco mais de um mês.
O corpo dele subiu a rampa do Palácio do Planalto dentro de um caixão no dia 22 de abril daquele ano.
Faltou emoção à eleição de Figueiredo.
Sobrou emoção na eleição de Tancredo.
Na de hoje, para presidente da Câmara dos Deputados, a emoção ficará limitada ao generoso espaço do prédio do Congresso.
É natural que seja assim.
14/02/2005 14:09
Sucessão na Câmara: Disfarçado de Nonô (16)
Estou circulando no Congresso disfarçado de José Tomás Nonô. Ele é deputado federal pelo PFL de Alagoas e líder da minoria na Câmara.
Somos tão parecidos que até minha sogra, à distância, já me confundiu com ele. (Minha mulher, não - até onde sei.)
Nonô ganhou algum dinheiro às minhas custas quando cobri a Assembléia Nacional Constituinte para o Jornal do Brasil nos anos 87 e 88.
Eu entrava no prédio do Congresso, olhava à direita para o funcionário que registrava a presença dos deputados, levantava a mão como se o saudasse, ele respondia ao aceno, e em seguida baixava a cabeça e punha um "x" ao lado do nome de Nonô.
Raramente eu subia pela escada para o primeiro piso onde fica o plenário da Câmara. Tomava o elevador privativo dos deputados. Cumprimentava o ascensorista que me olhava desconfiado, mas que nada dizia. E muitas vezes sentava numa das cadeiras do plenário onde jornalista não pode sentar.
Certa vez um segurança me abordou e disse:
- Noblat, você não sabe que não pode sentar aí?
O então deputado Jaime Santana, do PSDB do Maranhão, saiu em meu socorro:
- Você está confundindo o deputado Nonô com Noblat. Este aqui é Nonô.
O segurança foi embora.
Daqui a pouco farei o teste do elevador.
Passei no teste do aceno para o funcionário que registra a presença dos deputados. O registro evita desconto no salário do deputado depois de um certo número de faltas.
14/02/2005 14:40
Sucessão na Câmara: Jogo sujo (17)
O PT espalhou nas últimas 48 horas o boato de que o candidato dissidente à Presidência da Câmara, deputado Virgílio Guimarães(PT-MG), desistiria no último momento de sua candidatura. Se não bastasse, imprimiu e distribuiu hoje material de propaganda do candidato Luís Eduardo Greenhalgh junto com cópia de uma carta onde Vírgílio desistiu da disputa pela indicação para candidato oficial do PT.
Virgílio segue candidato- embora tenha perdido muitos votos no fim de semana para o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) também candidato a presidente da Câmara.
Ninguém aqui dentro do Congresso se surpreenderá se Cavalcanti enfrentar Greenhalgh em um segundo turno.
14/02/2005 15:12
Sucessão na Câmara: Passei no teste (18)
Entrei e saí duas vezes do prédio da Câmara pelo acesso reservado aos deputados. E, agora, acabo de subir para o primeiro piso pelo elevador privativo dos deputados. Ainda fui cumprimentado pela simpática ascensorista, que me disse, sorridente:
- Parabéns, deputado.
O deputado José Thomaz Nonô será eleito, até o início da noite, primeiro vice-presidente da Câmara.
14/02/2005 15:23
Sucessão na Câmara: Aposta de Greenhalgh (19)
Há quinze minutos, o deputado Luís Eduardo Greenhalgh estava convencido de que se elegerá presidente da Câmara, no primeiro turno, com um máximo de 302 votos e um mínimo de 278.
14/02/2005 15:32
Sucessão na Câmara: Pura lambança (20)
A bancada ruralista, o que existe de mais conservador na Câmara, emplacou a indicação do deputado Valdemir Moka (PMDB-MS) para o estratégico posto de primeiro secretário. Ele é nada mais, nada menos do que o coordenador da bancada. Foi adepto fervoroso da candidatura a presidente do deputado Virgílio Guimarães, candidato dissidente.
Depois de uma longa conversa com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), fiel aliado do governo, Moka virou indeciso. Na semana passada, aderiu à candidatura de Greenhalgh. Foi indicado também para a primeira secretaria com os votos dos aliados do ex-governador Garotinho, inimigo visceral do governo Lula.
A eleição da mesa da Câmara está uma lambança só.
14/02/2005 15:42
Sucessão na Câmara: Lambança é pouco (21)
Festa no gabinete do líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro. Acabam de se filiar ao partido o senador Mozarildo Cavalcanti, ex-PPS de Roraima, e o deputado Antônio Cerqueira, ex-PP do Maranhão.
O PTB elegeu, em 2002, 52 parlamentares, entre deputados e senadores. De lá para cá, perdeu um para outro partido e mais dois que se elegeram prefeito e vice-prefeito no ano passado. Com menos de 51 parlamentares, o PTB perderia 30% dos funcionários postos à disposição do seu líder na Câmara. Não perderá mais. Esse é o motivo de tamanha festa no gabinete de José Múcio.
14/02/2005 15:56
Sucessão na Câmara: Diálogo rápido (22)
(Personagens: deputado José Múcio Monteiro, líder do PTB na Câmara, e um jornalista.)
Repórter: quem se filiou ao PTB?
José Múcio: o senador Mozarildo e o deputado Antônio Cerqueira.
Repórter: Mozarildo de quê?
José Múcio: de quê não sei.
(Mozarildo Cavalcanti)
Repórter: ele estava em qual partido?
José Múcio: acho que no PSDB.
(Depois de consultar um assessor, o deputado corrigiu. "Não, estava no PPS.")
Repórter: e o Antônio Cerqueira veio de onde?
José Múcio: do Maranhão.
Repórter: Não, pergunto de qual partido.
José Múcio: vou saber e depois lhe digo.
(Cerqueira estava no PP.)
14/02/2005 16:15
Sucessão na Câmara: Cautela e canja de galinha (23)
Tem o dedo do Planalto o crescimento, nos últimos dias, da candidatura do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Câmara.
A ver o candidato oficial, Luís Eduardo Greenhalgh, disputar o segundo turno, o governo prefere que ele enfrente Severino a Virgílio Guimarães (PT-MG), candidato dissidente.
Muitos votos de Virgílio migraram para Severino, atendendo a pedidos de ministros e líderes do PT.
14/02/2005 16:22
Sucessão na Câmara: Teste do plenário (24)
Acabei de passar no teste do plenário. Dito esta nota por telefone, sentado na penúltima fila de cadeiras reservadas aos deputados.
Ainda há poucos deles no plenário. A sessão, que estava marcada para começar às 16h, só deverá ter início daqui a mais vinte minutos.
De um segurança da Câmara, ouvi: "Temos que melhorar as coisas por aqui, deputado." Em nome do próximo primeiro vice-presidente, José Tomás Nonô (PFL-AL), respondi: "Não se muda uma Casa como esta em pouco tempo. Temos que ter paciência."
14/02/2005 16:34
Sucessão na Câmara: Grande bazar (25)
Tem militantes pagos fazendo passeata em torno do prédio do Congresso carregando bandeiras do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), candidato dissidente à presidência da Câmara.
Tem militantes pagos de Virgílio e dos candidatos Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Severino Cavalcanti (PP-PE) distribuindo todo tipo de folhetos e de cartazes a quem entre, saia ou circule pelos corredores da Câmara.
A Câmara virou uma feira livre. Como se material de propaganda a essa altura fosse capaz de virar um só voto.
O desperdício de dinheiro é espantoso.
14/02/2005 16:44
Sucessão na Câmara: Nem no banheiro confesso...(26)
Estou escondido em um dos banheiros dos deputados, próximo ao plenário da Câmara. Nem aqui dentro eles dizem com clareza em quem vão votar. Há pouco, um deles, que não sei quem é, saudou o deputado Paulo Delgado (PT-MG), um dos coordenadores da campanha de Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): "E aí, Paulinho, você vai eleger o presidente..."
- Será que vou? Está duro - respondeu Paulinho.
Aqui no banheiro só se conversa besteira. Vou me mandar.
14/02/2005 16:49
Sucessão na Câmara: Tô nem aí! (27)
Foi constrangedor o discurso do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) justificando sua candidatura dissidente à presidência da Câmara e pedindo o voto de seus colegas. A maioria dos deputados conversava no plenário e estava de costas para o orador, que discursava da tribuna.
A desatenção era tão grande que, decorridos três minutos do discurso, o deputado João Paulo (PT-SP), ainda presidente da Câmara, apertou a campainha e pediu silêncio e respeito ao orador.
Agora, está falando o também candidato deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Está sendo ouvido com atenção.
14/02/2005 17:10
Sucessão na Câmara: Façam suas apostas (28)
Última parcial do PT: 280 votos para Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP), candidato do governo à presidência da Câmara.
O presidente da Câmara se elege com metade mais um dos votos presentes. São 513 votos no total. Ainda não se sabe quantos estão no plenário.
Três em cada cinco deputados ainda acham que haverá segundo turno. Fiz a pesquisa agora há pouco, aqui no plenário, onde me encontro.
O deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), um dos candidatos a presidente, encerrou seu discurso sob intensos aplausos de seus colegas.
Fala, neste momento, o deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ), também candidato avulso. Está baixando o pau no governo e no seu candidato.
14/02/2005 17:28
Sucessão na Câmara: A oposição atira (29)
O deputado Jair Bolsonaro (PFL-RJ), embora candidato avulso à presidência da Câmara, encerrou seu discurso pedindo votos para os deputados Severino Cavalcanti (PP-PE) e José Carlos Aleluia (PFL-BA), que também concorrem à presidência. E fez uma dura advertência: "Se o PT continuar mandando neste país, implantará uma ditadura socialista sob o comando do ministro José Dirceu."
Foi aplaudido e vaiado.
Começou há pouco o discurso de Aleluia. Exalta o papel da Câmara e se queixa de que ela, no entanto, vive de dizer amém ao governo. "Numa democracia, os ministros se subordinam ao Parlamento e não o Parlamento aos ministros."
O que ele disse tem a ver com o mutirão que envolveu, nas últimas 72 horas, onze ministros à caça de votos para eleger Greenhalgh no primeiro turno.
14/02/2005 17:33
Sucessão na Câmara: O melhor, até aqui (30)
Até agora, disparado, o melhor discurso dos candidatos à presidência da Câmara é o do deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), atual líder do partido.
- O Parlamento deveria fiscalizar o governo. Não fiscaliza. E nem o Ministério Público fiscaliza mais. Ontem, fez um ano do caso Waldomiro Diniz. E nós fomos incapazes de criar uma CPI para investigá-lo.
14/02/2005 17:43
Sucessão na Câmara: Entre casos e causas (31)
O discurso do deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) está conseguindo rivalizar com o bom discurso feito há pouco pelo deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) - ambos candidatos à presidência da Câmara.
- Não sou advogado de casos. Sou advogado de causas.
Uma das causas que Greenhalgh se propõe a defender é a redução do número de Medidas Provisórias encaminhadas pelo governo ao Congresso. Ele reclamou do fato de a Câmara dos Deputados, no ano passado, só ter aprovado 17 leis de iniciativa própria. Todas as demais foram de autoria do Executivo.
O candidato oficial saiu da tribuna da Câmara aplaudido por uma claque organizada e vaiado por parte dos adversários.
14/02/2005 18:15
Sucessão na Câmara: Acordo e traição (32)
Confirmado: se der segundo turno para a presidência da Câmara dos Deputados, a maioria dos votos do PFL irá para o candidato Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Foi esse o acordo fechado pelo prefeito do Rio, César Maia, atual presidente do partido, com o Palácio do Planalto.
O negócio de César é derrotar o ex-governador Garotinho, que apóia o candidato dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG), mas que pode, na última hora, traí-lo e mandar sua turma votar no deputado Severino Cavalcanti (PP-PE).
14/02/2005 18:23
Sucessão na Câmara: Em jogo, 2006 (33)
A cada minuto, muda. Mas, no momento, o PMDB tem 91 deputados federais e talvez, nesta terça-feira, amanheça com 92, segundo me contou agora Michel Temer, presidente nacional do partido.
O PT tem 90 deputados - e enxertou um, Lúcia Braga (PB), no PMDB. Governo e PMDB oposicionista travarão uma luta encarniçada, amanhã, para eleger o próximo líder do partido na Câmara. O governo quer manter o atual, José Borba. O PMDB oposicionista quer eleger Saraiva Felipe (MG).
Hoje, os governistas perderam para o PMDB oposicionista a indicação do primeiro-secretário da mesa da Câmara. O Planalto queria Henrique Eduardo Alves (RN), mas ganhou Valdemir Moka (MS), coordenador da bancada ruralista.
A sucessão presidencial de 2006 dita, desde já, todos os movimentos e articulações dentro do Congresso.
14/02/2005 18:36
Sucessão na Câmara: A marcha da votação (34)
Começou a votação para presidente da Câmara dos Deputados. O voto é secreto e cada eleitor vota duas vezes - uma para presidente e outra para os demais cargos da mesa.
Só daqui a três horas, mais ou menos, é que se saberá o resultado.
14/02/2005 18:41
Sucessão na Câmara: O futuro de João Paulo (35)
O deputado João Paulo (PT-SP), que deixa a presidência da Câmara daqui a algumas horas, é cotado no Planalto para ocupar uma função política relevante no Congresso. Ou será líder do governo no Congresso, cargo hoje ocupado pelo senador Fernando Bezerra (PTB-RN), ou será líder do PT na Câmara, no lugar do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
14/02/2005 18:50
Sucessão na Câmara: eu e ele (36)
O deputado José Tomás Nonô é o da direita
14/02/2005 19:01
Sucessão na Câmara: Filiação-relâmpago (37)
Hoje pela manhã, o deputado Lino Rossi (MT) trocou o PP pelo PMDB.
Compareceu à reunião da bancada do PMDB e votou em Henrique Eduardo Alves para candidato oficial do partido a primeiro-secretário da mesa da Câmara. À tarde, Rossi voltou ao PP.
O que ele fez não adiantou. O governista Henrique Eduardo perdeu a indicação para Valdemir Moka.
14/02/2005 19:17
Sucessão na Câmara: Diálogo rápido (38)
Repórter - Quantos deputados o PMDB tem neste momento?
(Eram 18h55.)
Michel Temer, presidente do partido - Temos 90. Tínhamos 91 até há pouco.
Repórter - Mas eu soube que o partido chegou a ter 92 por volta do meio-dia.
Michel Temer - É, mas não temos mais.
(O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) intervém e corrige Temer: "Neste momento, só temos 89".)
Pano Rápido.
14/02/2005 19:58
Sucessão na Câmara: É, mas pode não ser (39)
A ala oposicionista do PMDB já recolheu 51 assinaturas de deputados para fazer de Saraiva Felipe (MG) o novo líder do partido na Câmara - para desespero do governo, que luta para manter o atual líder, José Borba.
Se o PMDB conservar, até amanhã, seus 89, 90 ou 91 deputados (19h30), Saraiva Felipe será, de fato, o novo líder. Mas há outra hipótese: a retirada de algumas das 51 assinaturas durante a madrugada.
- A situação está de vaca não reconhecer bezerro - admite o deputado do PMDB oposicionista Geddel Vieira Lima (BA).
14/02/2005 20:08
Sucessão na Câmara: Cabo de guerra no PSDB (40)
Na manhã de hoje, o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) e os deputados José Roberto Arruda (PFL-DF) e Rodrigo Maia (PFL-RJ) bateram à porta do apartamento do senador Eduardo Azeredo (MG), presidente nacional do PSDB. Foram pedir o voto dos tucanos para o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), candidato a presidente da Câmara.
Argumentaram que a oposição precisava votar unida no primeiro turno, mesmo que no segundo ajudasse a eleger o deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Azeredo topou a proposta, mas se queixou da ofensiva promovida pelo prefeito José Serra para eleger logo Greenhalgh.
O prefeito de São Paulo não faz outra coisa, desde a última sexta-feira, que não seja disparar telefonemas pedindo votos para o candidato oficial do PT.
O governador Geraldo Alckmin está irritadíssimo com Serra.
14/02/2005 20:17
Sucessão na Câmara: Jáder e PT, tudo a ver (41)
Dentro do PMDB, ninguém está mais empenhado em ajudar o governo do que o deputado Jáder Barbalho (PA). A bancada paraense votou fechada no candidato preferido do Planalto à primeira-secretaria da mesa da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ele perdeu para Valdemir Moka (MS).
Mas Jáder não desanimou. Agora, está recolhendo assinaturas na bancada para tentar melar a eleição, amanhã, de Saraiva Felipe (MG), da ala oposicionista, como novo líder do PMDB na Câmara.
14/02/2005 20:20
Sucessão na Câmara: A noite dos punhais (42)
No ritmo que vai, o processo de votação na Câmara não terminará antes da meia-noite. Até o momento, nem a metade dos deputados votou. Tão lenta quanto a votação será a apuração dos votos.
14/02/2005 20:53
Sucessão na Câmara: Gay de ocasião (43)
O que não se faz por um cargo...
Em 2003, coube ao PSB indicar o presidente da então Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. A bancada do partido se reuniu para sacramentar a indicação do deputado Givaldo Carimbão, de Alagoas.
Estava tudo acordado quando, a certa altura da reunião, a deputada Luíza Erundina (SP) pediu a palavra e argumentou: "Nosso partido sempre se caracterizou como um defensor intransigente do direito das minorias. Só temos três mulheres na bancada. Nada mais justo que uma delas seja indicada para presidir essa Comissão."
Emocionada, Erundina falou por quase quinze minutos. Ao fim do seu discurso, a maioria da bancada tendia, claramente, a aceitar os argumentos dela.
Foi quando Carimbão quebrou o silêncio. E disse: "Concordo em número, gênero e grau com a deputada. Seu discurso é irretocável e eu nada tenho a opor. Mas quero aqui fazer uma declaração: Eu sou gay. Tem outro gay na bancada?"
Ninguém respondeu. Carimbão, então, concluiu: "Não existe, portanto, minoria mais minoria do que eu."
Saiu dali consagrado e se elegeu presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias.
Foi o próprio Carimbão quem contou esta história, no plenário da Câmara, há poucas horas. Ele, agora, é candidato a quarto suplente da mesa da Câmara. Está feliz com o cargo.
A propósito: ele não é gay.
14/02/2005 21:11
Sucessão na Câmara: Meia apuração (44)
Os líderes de todos os partidos firmaram um acordo para apurar hoje apenas os votos que elegerão o próximo presidente da Câmara dos Deputados. Ficará para amanhã de manhã a apuração dos votos para os demais cargos da mesa.
Com essa providência, é possível que se conheça o nome do novo presidente da Câmara antes da meia-noite. Se não houver segundo turno.
14/02/2005 21:19
Sucessão na Câmara: Apagão (45)
Acaba de faltar luz no plenário da Câmara.
Só restam acesos os dois painéis eletrônicos com o nome dos candidatos aos diversos cargos da mesa. No momento em que se fez a treva, alguém gritou do fundo do plenário: "Isso é intervenção do Planalto."
14/02/2005 23:29
Sucessão na Câmara: Talvez amanhã (46)
Ainda faltam votar:
- parte dos deputados baianos;
- parte dos deputados de Santa Catarina;
- todos os deputados do Rio Grande do Sul;
- todos os deputados de Mato Grosso;
- todos os de Mato Grosso do Sul;
- todos os de Goiás;
- e, por último, todos os do Distrito Federal.
Significa o seguinte: se a eleição para presidente da Câmara dos Deputados ficar para ser decidida em segundo turno, isso só ocorrerá amanhã.
O plenário está com cerca de um terço de seus ocupantes. Os demais foram embora e não pretendem mais voltar hoje.
14/02/2005 23:59
Sucessão na Câmara: Pela madrugada (47)
Houston, temos um problema.
Está marcada para amanhã, às 16h, uma sessão do Congresso (Câmara + Senado).
Se a eleição para presidente da Câmara não for decidida em primeiro turno, faltará tempo para que seja concluída amanhã pela manhã, conforme desejo de uma expressiva parcela de parlamentares.
O deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), um dos candidatos a presidente, não aceita que um eventual segundo turno fique para esta terça-feira.
Assim sendo, tudo indica que se houver segundo turno será nesta madrugada mesmo. As estruturas que servem aos líderes dos partidos estão mobilizadas para chamar de volta todo mundo que foi embora depois de votar - cerca de dois terços dos deputados.
15/02/2005 00:23
Sucessão na Câmara: Desconfiança geral (48)
A eleição em curso na Câmara dos Deputados é a prova mais irrefutável de que ninguém confia em ninguém aqui dentro. Por quê?
Pelo seguinte: por volta do meio-dia, as cédulas de votação para presidente e demais cargos estavam impressas. O costume sempre foi de os deputados trazerem as cédulas de seus gabinetes e, uma vez chamados a votar, simplesmente depositá-las nas urnas.
Ocorre que, às 13h30, os deputados Severino Cavalcanti (PP-PE) e Virgílio Guimarães (PT-MG), candidatos a presidente, procuraram o atual presidente João Paulo e impugnaram o sistema de votação.
Exigiram que novas cédulas fossem impressas e que os deputados só tivessem acesso a elas na hora de votar e dentro das duas cabines de votação.
Mais: exigiram que a cédula correspondente a cada um dos onze cargos em disputa fosse posta dentro de um escaninho. E que o escaninho de cada cédula fosse definido mediante sorteio. Para quê?
Para evitar que, à distância, houvesse a menor possibilidade de se adivinhar o voto do deputado.
No total, 19 candidatos disputam 11 cargos - quatro deles, de suplentes.
Daí a votação arrastada que só deve ser concluída, na melhor das hipóteses, daqui a uma hora e meia. Sem contar a apuração que, se for veloz, levará trinta minutos.
15/02/2005 00:31
Sucessão na Câmara: Até quando Deus quiser (49)
Falei agora com o deputado João Paulo (PT-SP), ainda no exercício da presidência da Câmara. Ele me disse que só haveria uma possibilidade de um eventual segundo turno da eleição para presidente ficar para amanhã: se os cinco candidatos concordassem.
O deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), um dos candidatos, já disse a João Paulo que não concorda.
Calcula o presidente da Câmara que a votação e a apuração deverão terminar por volta das duas horas da madrugada.
15/02/2005 00:44
Sucessão na Câmara: Mercado persa (50)
O PL, partido do vice-presidente José Alencar, tinha 46 deputados federais até o meio da tarde de anteontem, domingo. Se chegasse a 51, a estrutura de sua liderança na Câmara ganharia mais 30% de funcionários, de acordo com o regimento interno da casa.
O prazo para ingresso de novos deputados terminou à meia-noite desta segunda-feira.
O PL completou a quota dos cinco deputados que faltavam dez minutos depois do prazo fatal. Não ganhará, pois, o pretendido reforço de funcionários.
15/02/2005 01:04
Sucessão na Câmara: Acabou!!! (51)
Encerrada a votação. Votaram 510 dos 513 deputados federais. O resultado da eleição para presidente da Câmara deverá sair dentro de trinta minutos.
15/02/2005 01:15
Sucessão na Câmara: Mercado persa (52)
O PMDB que, no meio da tarde, tinha 90 deputados e poderia chegar a 92, acabou a segunda-feira com 88. O PT, que tinha 90, porque enxertara um no PMDB, fechou o dia com 91. Na última hora, o deputado Miro Teixeira (RJ), ex-PDT, que já foi ministro das Comunicações do governo Lula e estava sem partido, aderiu ao PT.
A corrida dos partidos para roubar deputados uns dos outros tem a ver com a composição das comissões técnicas da Câmara.
Quanto mais deputados tiver, mais lugares nas comissões e mais funcionários na liderança o partido consegue.
No caso do PT, era fundamental que ele conservasse a condição de maior bancada na Câmara, para poder indicar o presidente da estratégica Comissão de Constituição e Justiça, à qual são submetidos todos os projetos-de-lei.
15/02/2005 01:26
Sucessão na Câmara: Sumiu todo mundo (53)
Digno de registro: ao longo do dia, não foi percebida a atuação sequer discreta de ministros de Estado cabalando votos para o candidato à presidência da Câmara, Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Foi o que acabei de ouvir, numa roda de eleitores fervorosos do candidato dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG). O único funcionário do governo que foi visto circulando, sem fazer alarde, pelos corredores e no plenário da Câmara chama-se Alon Feuerwerker, assessor parlamentar do ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política.
Alon conversou com Deus e o mundo, mas não pediu voto a ninguém.
15/02/2005 01:28
Sucessão na Câmara: Contagem dos votos (54)
Apurado o primeiro voto para presidente da Câmara. É do deputado dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG).
A apuração está sendo feita com voto cantado um a um.
O segundo voto foi para o candidato oficial, Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). O terceiro também. E o quarto para Severino Cavalcanti (PP-PE).
15/02/2005 01:42
Sucessão na Câmara: Voto a voto (55)
Apurados até agora 127 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 42
Virgílio Guimarães (PT-MG): 37
Severino Cavalcanti (PP-PE): 31
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 17
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 0
Acabei de ouvir do deputado Paulo Delgado (PT-MG), um dos coordenadores da campanha de Greenhalgh, que a seguir neste ritmo haverá segundo turno.
15/02/2005 01:45
Sucessão na Câmara: Voto a voto (56)
Apurados até agora 178 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 65
Virgílio Guimarães (PT-MG): 46
Severino Cavalcanti (PP-PE): 43
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 22
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 0
Há dois votos nulos.
15/02/2005 01:54
Sucessão na Câmara: Voto a voto (57)
Apurados até agora 244 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 90
Virgílio Guimarães (PT-MG): 64
Severino Cavalcanti (PP-PE): 57
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 28
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 0
Há três votos nulos e dois brancos.
15/02/2005 01:59
Sucessão na Câmara: Segundo turno (58)
Haverá segundo turno para presidente da Câmara dos Deputados. Essa é a conclusão de cinco entre cinco deputados presentes neste momento no plenário da Câmara. Só não se sabe ainda quem Greenhalgh enfrentará, se Virgílio Guimarães (PT-MG) ou Severino Cavalcanti (PP-PE).
15/02/2005 02:01
Sucessão na Câmara: Voto a voto (59)
Apurados até agora 331 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 129
Virgílio Guimarães (PT-MG): 77
Severino Cavalcanti (PP-PE): 82
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 38
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 0
Há três votos nulos e dois brancos.
15/02/2005 02:05
Sucessão na Câmara: Voto a voto (60)
Apurados até agora 386 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 151
Virgílio Guimarães (PT-MG): 90
Severino Cavalcanti (PP-PE): 96
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 44
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 0
Há três votos nulos e dois brancos.
15/02/2005 02:10
Sucessão na Câmara: Voto a voto (61)
Apurados até agora 435 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 173
Virgílio Guimarães (PT-MG): 105
Severino Cavalcanti (PP-PE): 102
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 49
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 1
Há três votos nulos e dois brancos.
15/02/2005 02:14
Sucessão na Câmara: Voto a voto (62)
Apurados até agora 468 votos, o resultado é o seguinte:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 197
Virgílio Guimarães (PT-MG): 112
Severino Cavalcanti (PP-PE): 115
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 52
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 2
Há quatro votos nulos e três brancos.
15/02/2005 02:16
Sucessão na Câmara: Greenhalgh x Severino (63)
O segundo turno da eleição para presidente da Câmara dos Deputados será travado, nesta madrugada, pelos deputados Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Severino Cavalcanti (PP-PE).
15/02/2005 02:22
Sucessão na Câmara: Resultado final (64)
Números finais do primeiro turno da eleição para presidente da Câmara:
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 207
Severino Cavalcanti (PP-PE): 124
Virgílio Guimarães (PT-MG): 117
José Carlos Aleluia (PFL-BA): 53
Jair Bolsonaro (PFL-RJ): 2
Há quatro votos nulos e três brancos.
15/02/2005 02:38
Sucessão na Câmara: Péssimo para o governo (65)
O PFL decidiu liberar os votos no segundo turno para presidente da Câmara dos Deputados. Quem quiser vota em Luís Eduardo Greenhalgh, candidato do PT e do governo, e quem quiser vota no deputado Severino Cavalcanti, do PP.
Tudo indica que, dos 63 votos do PFL, apenas 20 irão para Greenhalgh (basicamente, a bancada baiana) e 40 para Severino Cavalcanti. Foi o que acabou de me dizer o deputado Rodrigo Maia (RJ),líder do PFL na Câmara.
Tem gente dentro do estado-maior da campanha de Greenhalgh prevendo que vai dar Severino.
O que fica claro é que o governo saiu-se mal, muito mal, no primeiro turno da eleição para presidente da Câmara.
Greenhalgh contava com 270 a 280 votos. E só conseguiu 207. Precisava, no mínimo, de 256 votos para ganhar no primeiro turno.
15/02/2005 02:46
Sucessão na Câmara: Cheiro de Severino no ar (66)
- Temos que acabar com a tirania do PT. Temos que acabar.
É o que repete o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) desde que teve confirmada sua passagem para o segundo turno da eleição de presidente da Câmara dos Deputados.
Severino é do PP e o PP faz parte da base do governo.
A se julgar, neste momento, o que vai acontecer no segundo turno da eleição pelo movimento de jornalistas e funcionários da Câmara, o deputado Severino Cavalcanti tem grande chance de vencer. Está todo mundo atrás dele, de um lado para o outro. E ninguém sabe do paradeiro do deputado Luís Eduardo Greenhalgh.
15/02/2005 02:59
Sucessão na Câmara: Segundo turno já (67)
Se Lula é o presidente do Brasil por que Severino não pode presidir a Câmara dos Deputados?
A pergunta está se espalhando velozmente pelos corredores e gabinetes da Câmara.
Do lado do governo, o que existe é perplexidade.
O deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) levou um mês em campanha para ganhar 207 votos. Agora, terá em torno de duas horas para atrair mais 49 e vencer o segundo turno.
Os mais argutos deputados, independentemente de partidos, observam que, se o governo tiver juízo, tentará evitar de todas as maneiras que o segundo turno da eleição ocorra nas próximas horas. Para isso, o governo teria que manobrar e negar quorum para que a eleição continue.
O deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) quer segundo turno já. Neste momento, está trancado com a cúpula do PFL, no gabinete do líder do partido, Rodrigo Maia (RJ).
15/02/2005 03:13
Sucessão na Câmara: PT no sufoco (68)
Tão logo terminou o primeiro turno da eleição, o candidato dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG) se enfurnou, junto com um grupo de parlamentares amigos, em uma sala vizinha do café da Câmara. Ali recebeu a visita do presidente nacional do PT, José Genoíno, e do professor Luizinho, líder do governo na Câmara. Os dois foram negociar com ele o perdão do partido. Em troca, querem para Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) os votos que Virgílio obteve.
Virgílio foi receptivo à proposta, mas a turma que o cercava reagiu asperamente.
15/02/2005 03:31
Sucessão na Câmara: Tem futuro... (69)
O deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) acaba de dar uma prova exemplar de habilidade. Ao entrar, há pouco, no gabinete do líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi logo avisando: "Vim me reunir com a bancada baiana."
De imediato, todos os demais deputados do PFL de outros estados se mandaram.
15/02/2005 03:34
Sucessão na Câmara: Padrinhos no ar (70)
O Aero-Lula, com o próprio a bordo, mais seis ministros e três presidentes de empresas estatais (Petrobrás, Eletrobrás e BNDES), deve pousar em Brasília, de volta da Venezuela, às 4h30. Ou seja, não dará tempo para que nenhum deles acuda o aflito candidato Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Em princípio, a sessão da Câmara será reaberta daqui a pouco.
15/02/2005 03:36
Sucessão na Câmara: Solidão (71)
Pra valer, pra valer mesmo, neste momento, só tem um ministro atuando fortemente em favor de Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): Aldo Rebelo (PC do B-AL), da Coordenação Política. E, ainda assim, por telefone.
15/02/2005 03:56
Sucessão na Câmara: É fogo! (72)
Do experiente deputado Delfim Neto (PP-SP), que conhece a Câmara como poucos:
- Aqui dentro, quando acende um rastilho, ele leva tudo de roldão. Dá para sentir. E o rastilho acendeu em favor de Severino Cavalcanti (PP-PE).
15/02/2005 04:02
Sucessão na Câmara: Não é vendaval (73)
Do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ):
- O que está ocorrendo na Câmara é um tsunami chamado Severino.
15/02/2005 04:03
Sucessão na Câmara: Tem futuro 2 (74)
O deputado José Múcio Monteiro (PE), líder do PTB na Câmara, reuniu-se há pouco com a maioria de sua bancada. Ouviu calado pesadas críticas ao candidato Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Não houve uma só voz a favor dele.
15/02/2005 04:08
Sucessão na Câmara: Atarantados (75)
José Genoíno, presidente nacional do PT, esteve há pouco com o deputado Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL.
- Rodrigo, vê se me ajuda aí.
- Sim, mas o que é que você tem a me dizer?
- É só isso, me ajuda, tô precisando de ajuda.
Ato contínuo, Genoíno foi embora. Pelo jeito, nada tinha a propor. E não ouviu nenhuma proposta em troca.
O PT tenta consertar relógio suíço usando luvas de boxe.
15/02/2005 04:14
Sucessão na Câmara: Sessão reaberta (76)
Recomeçou a sessão da Câmara para a eleição do seu presidente em segundo turno. Quem está falando é o deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Em seguida, falará Severino Cavalcanti (PP-PE).
Do lado de fora da porta principal do plenário, o presidente nacional do PT, José Genoíno, conversa em voz baixa com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, e com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ambos da ala oposicionista do partido.
Essa conversa está atrasada em alguns meses.
(Greenhalgh acabou de falar. Severino está na tribuna.)
15/02/2005 04:15
Sucessão na Câmara: Vôo livre (77)
O PSDB liberou sua bancada para votar em quem quiser. Isso significa que a maioria deverá votar em Severino Cavalcanti (PP-PE). Ou não.
15/02/2005 04:17
Sucessão na Câmara: Quem decide (78)
Raciocínio da maioria dos políticos de vários partidos que entrevistei nos últimos trinta minutos: quem votou em Greenhalgh (207 deputados) continuará votando. Quem votou em Severino (124 deputados), votará nele novamente. Dois terços dos que votaram no pefelista baiano José Carlos Aleluia (53 deputados) votarão em Severino.
O fiel da balança serão os eleitores do candidato dissidente Virgílio Guimarães (PT-MG), que teve 117 votos.
Se Virgílio declarar apoio a Greenhalgh, levará consigo uma parcela de seus votos. Se calar, beneficiará Severino. Virgílio está para viver um dos momentos mais marcantes do seu mandato.
15/02/2005 04:22
Sucessão na Câmara: Apoio explícito (79)
José Genoíno me disse agora que acaba de fechar um acordo com o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Virgílio vai declarar o voto em Greenhalgh. Se levará com isso a maioria dos votos que obteve, não se sabe. Mas Genoíno espera que sim.
15/02/2005 04:39
Sucessão na Câmara: Mano a mano (80)
Começou a votação. Nas contas do ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política, quem ganhar não terá mais do que vinte votos de diferença. Ele não se arrisca a prever a vitória do candidato do governo, Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
O sentimento dentro do plenário é de que será uma eleição pau a pau.
15/02/2005 04:42
Sucessão na Câmara: Quem decide (81)
O ex-candidato a presidente da Câmara, Virgílio Guimarães (PT-MG), não declarou publicamente seu voto em Luís Eduardo Greenhalgh (PT-MG). E agora que a votação começou, regimentalmente ele não poderá mais fazê-lo.
Assim, na melhor das hipóteses, Virgílio transferirá para Greenhalgh apenas 15 votos do total de 117 que ele teve. Na pior, cinco votos.
15/02/2005 05:02
Sucessão na Câmara: O desafio de Severino (82)
No primeiro turno da eleição para presidente da Câmara votaram 510 dos 513 deputados. Dos 510 presentes, quatro anularam o voto e três votaram em branco. Os votos válidos, pois, somaram 503. Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) teve 207 votos. Severino Cavalcanti, 124.
Ganha o segundo turno quem tiver um voto a mais do que o seu adversário. A se repetir o total de votos válidos do primeiro turno (503), Greenhalgh precisa de 45 votos a mais do que teve no primeiro turno. Severino, de 128 a mais.
15/02/2005 05:42
Sucessão na Câmara: Está quase (83)
Está pertinho do fim a votação para a escolha do novo presidente da Câmara dos Deputados. Faltam votar menos de 30 deputados. A apuração será como foi no primeiro turno, com o voto cantado um a um.
O deputado Virgílio Guimarães (PT-SP) acaba de votar. Só seus maiores amigos sabem em quem ele votou - e não revelam.
Os deputados Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Severino Cavalcanti (PP-PE) sumiram do plenário.
15/02/2005 05:43
Sucessão na Câmara: Acabou. De novo (84)
Encerrada a votação. Votaram 498 deputados - doze a menos do que no primeiro turno. A apuração começa de imediato.
15/02/2005 05:54
Sucessão na Câmara: Números parciais (85)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 23
Severino Cavalcanti (PP-PE): 33
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 05:57
Sucessão na Câmara: Números parciais (86)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 38
Severino Cavalcanti (PP-PE): 50
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 05:59
Sucessão na Câmara: Números parciais (87)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 50
Severino Cavalcanti (PP-PE): 64
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:02
Sucessão na Câmara: Números parciais (88)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 61
Severino Cavalcanti (PP-PE): 91
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:04
Sucessão na Câmara: Números parciais (89)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 70
Severino Cavalcanti (PP-PE): 105
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:07
Sucessão na Câmara: Números parciais (90)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 86
Severino Cavalcanti (PP-PE): 124
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:10
Sucessão na Câmara: Números parciais (91)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 95
Severino Cavalcanti (PP-PE): 141
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:11
Sucessão na Câmara: Números parciais (92)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 107
Severino Cavalcanti (PP-PE): 152
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:15
Sucessão na Câmara: Números parciais (93)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 118
Severino Cavalcanti (PP-PE): 170
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:20
Sucessão na Câmara: Números parciais (94)
Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP): 149
Severino Cavalcanti (PP-PE): 201
(de um total de 498 votos)
15/02/2005 06:20
Sucessão na Câmara: Pernambuco falando para o mundo (95)
Do deputado Raul Jungmann (PPS-PE): "É Pernambuco na cabeça - Lula lá e Severino cá."
15/02/2005 06:23
Sucessão na Câmara: É Severino! (96)
Severino Cavalcanti (PP-PE) é o novo presidente da Câmara dos Deputados. A apuração ainda não terminou. Neste momento, ele está com 217 votos e Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP) com 148.
15/02/2005 06:29
Sucessão na Câmara: Está eleito (97)
Severino Cavalcanti (PP-PE) atingiu os 250 votos necessários para se eleger presidente da Câmara dos Deputados. O plenário comemora fazendo grande barulho.
15/02/2005 06:33
Sucessão na Câmara: Colheu o que plantou ( 97)
Nos últimos cinco dias, para evitar que o candidato Virgílio Guimarães (PT-MG) se fortalecesse, voto que o governo não podia atrair para Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP), ele desviava para o colo do deputado Severino Cavalcanti.
Nos cálculos do governo, seria mais fácil Greenhalgh derrotar Severino em um eventual segundo turno do que derrotar Virgílio.
Deu no que deu.
Neste momento, Severino Cavalcanti desfila pelo plenário da Câmara recebendo abraços à direita e à esquerda.
Cercado por meia dúzia de amigos, Greenhalgh se prepara para cumprimentar o vencedor.
15/02/2005 06:39
Sucessão na Câmara: Resultado final (98)
Derrota acachapante do candidato do governo. Terminou a apuração. Severino Cavalcanti (PP-PE) é o novo presidente da Câmara dos Deputados com 300 votos contra 195 de Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Regido pelo deputado Severino, o plenário da Câmara está cantando o Hino Nacional.
PT, saudações.
15/02/2005 06:45
Sucessão na Câmara: Pior do que a encomenda (99)
Neste momento, Greenhalgh e Severino se abraçam atrás da cadeira em que está sentado o presidente da Câmara, João Paulo (PT-SP). Dentro de poucos minutos, ele se levantará dali.
A vitória de Severino Cavalcanti (PP-PE) é menos uma vitória dele e mais uma derrota monumental do governo.
A maioria dos votos em Severino foi, sem dúvida, para derrotar o PT e o governo.
15/02/2005 06:50
Sucessão na Câmara: Extraordinário!!!! (100)
Greenhalgh conseguiu a proeza de ter menos votos no segundo turno (195) do que no primeiro (207).
15/02/2005 06:53
Sucessão na Câmara: Será??? (101)
Pergunta que não quer calar: será que os 300 votos que elegeram Severino Cavalcanti presidente da Câmara dos Deputados foram dados pelos 300 picaretas que Lula identificou no Congresso no final dos anos 80?
15/02/2005 06:59
Sucessão na Câmara: Acredite, se quiser (102)
Pela primeira vez na história do Congresso Nacional, o partido dono da maior bancada na Câmara dos Deputados não terá um único assento na mesa diretora.
O PT só disputou a presidência da Câmara. E perdeu.
PT, saudações.
15/02/2005 07:30
Sucessão na Câmara: Com a patroa ao lado (103)
O primeiro e mais significativo gesto do novo presidente da Câmara dos Deputados foi feito por ele antes mesmo de concluir seu discurso de agradecimento pela vitória: chamou a mulher que a tudo assistia fora do plenário e ordenou que ela sentasse ao seu lado no lugar reservado para um dos membros da Mesa Diretora. Foi a primeira vez que isso aconteceu na história da Câmara.
15/02/2005 07:56
Sucessão na Câmara: Depois do tsunami (104)
A eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara dos Deputados é um tsumani que ameaça a estabilidade política do governo Lula.
Era previsível que a oposição (PFL, PSDB e parte do PMDB) votasse em Severino para derrotar o governo. Mas a oposição reconhecida como tal não seria suficiente para elegê-lo - como não foi.
O PP de Severino, partido que faz parte da base do governo, votou em bloco nele. Severino atraiu a maioria dos votos do PTB - que também faz parte da base do governo.
O PL do vice-presidente José de Alencar deu sua contribuição à vitória de Severino. E o PMDB governista não parece ter sido tão governista assim.
Os líderes do governo no Congresso foram arrogantes como de costume e ineficientes como se temia.
Revelou-se nula ou pelo menos rala a influência dos ministros mobilizados na última hora para salvarem o deputado Luiz Eduardo Greenhalg do desastre anunciado.
Por prudência, a reforma ministerial prevista para os próximos dias deverá ser adiada - é recomendável que seja.
O governo precisa juntar os cacos de sua base parlamentar para saber com quem conta e com quem poderá contar.
O PP do deputado Severino Cavalcanti tinha sido escolhido para ganhar um ministério. Ganhará? Faz por merecê-lo?
O PMDB governista conservaria os dois ministérios que tem e talvez trocasse um deles por outro de maior prestígio e de orçamento maior. Conservará? Trocará de ministério?
O PTB se contentaria com a oferta da presidência de uma empresa estatal. A oferta continuará de pé?
Não sofrerá abalo a posição do ministro Aldo Rebelo (PC do B-AL) como responsável pela Coordenação Política do governo?
Lula terá muito no que meditar antes de mexer no seu atual time de auxiliares.
É possível que um dos efeitos do "Tsumani Severino" seja a ampliação de uma reforma que Lula desejava que fosse pequena.
15/02/2005 09:17
Sucessão na Câmara: Pérolas do pensamento de Severino (105)
* "Os candidatos do PT estão completamente desviados do caminho para chegar à presidência. A derrota vai ser uma lição para o governo escolher melhor o seu candidato e não impor sua vontade".
* "O Palácio vai perder. Os dois candidatos serão derrotados porque há uma forte tendência na Casa em favor de um candidato que tenha identificação com os deputados".
* "O que temos de dar é amor e carinho, fazer com que cada deputado entre aqui sem pensar que tem de tirar o chapéu e se abotoar todo para falar com o presidente".
* "A maioria dos deputados vive em dificuldade. Há parlamentares que não precisam dos subsídios da Câmara ou porque nasceram ricos ou porque são ligados a sindicatos".
* "(Com melhor remuneração) vai melhorar a qualidade do trabalho porque o sujeito (deputado) não vai viver perturbado com as angústias do dia-a-dia. Com bom salário, o deputado não vai depender do Palácio em nada".
* "Não existe mordomia aqui. Os deputados levam a vida normal de qualquer cidadão".
(Extratos da entrevista concedida pelo novo presidente da Câmara dos Deputados ao site Congresso em Foco em 21/01/2005)
15/02/2005 10:50
Sucessão na Câmara: Perfil do novo presidente (106)
Se preferir, você pode chamar Severino Cavalcanti, eleito na madrugada de hoje presidente da Câmara dos Deputados, de "Zito Miracapillo". Em Pernambuco, pelo menos, onde ele nasceu e faz política há mais de 40 anos, é assim que muitos o chamam desde a expulsão do Brasil em outubro de 1980 do padre italiano Victor Miracapillo.
Membro discreto da ala progressista da Igreja Católica, naquele ano Miracapillo se recusou a celebrar uma missa encomendada por um grupo de usineiros para marcar a passagem do dia 7 de setembro.
Foi Cavalcanti, como deputado estadual, quem liderou uma barulhenta campanha de opinião pública para expulsar o padre do país.
Vivíamos sob a ditadura inaugurada em abril de 1964. E o presidente da República era o general João Baptista de Oliveira Figueiredo - aquele que dizia preferir o cheiro de cavalo ao cheiro de povo.
Figueiredo mandou expulsar Miracapillo. Que só retornou ao Brasil em 1985 quando a ditadura fora extinta e o presidente da República era o atual senador José Sarney.
O novo presidente da Câmara é um político ultra-conservador. Católico de ir à missa e de comungar regularmente defende as idéias que a Igreja professava até antes do Concílio Vaticano II nos idos de 60 - e que João Paulo II vem resgatando ao longo do seu pontificado.
Tem horror a homossexuais - considera o homossexualismo uma forma de perversão.
É visceralmente contra o aborto em qualquer circunstância.
Se pudesse aboliria a lei do divórcio porque acha que o casamento deve durar para sempre.
É um político com jeito de caipira - e disso se orgulha.
Faz a política miúda do atendimento às necessidades básicas dos seus eleitores.
Até aqui, não há registro de um só episódio que tenha manchado sua fama de político honesto.
Não ganhou dinheiro como prefeito de sua cidade natal, João Alfredo, nem depois como deputado estadual, nem dos anos 80 para cá como deputado federal.
Talvez seja por isso que ele defenda com tanta veemência melhores salários e mais benefícios indiretos para seus pares. Ele mesmo depende disso para levar uma vida mais confortável.
É um homem de temperamento ameno e afetivo no trato com seus colegas da Câmara. E essa foi uma das razões que garantiram sua vitória.
Dele, como presidente da Câmara, não se deve esperar que crie problemas para o governo. Pelo contrário: tende a ser menos independente em relação ao governo do que seria, por exemplo, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, o candidato do PT.
De resto, o orçamento da Câmara é mais do que suficiente para que cumpra as promessas que fez.•
Publicado por Paulo Nunes, de Ricardo Noblat às 23:56
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